Suspeito de Incêndios na Madeira Condenado a Três Anos de Prisão Efetiva VIDA DE BOMBEIRO

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Detidos Suspeitos de Incêndio Florestal no Parque de Monsanto


Dois homens foram detidos por suspeitas de incêndio florestal depois de alegadamente terem provocado um fogo num caixote de lixo do Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, que se propagou para a vegetação, anunciou esta segunda-feira a Polícia Judiciária. 

Segundo o comunicado da polícia, ardeu "uma pequena parte da floresta e só a pronta intervenção dos bombeiros impediu que os factos tivessem consequências mais graves". O crime ocorreu na madrugada de domingo, por "razões fúteis", e os detidos, de 22 e 23 anos, vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial. As detenções foram concretizadas pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da Polícia Judiciária, com a colaboração da Esquadra do Calvário da Polícia de Segurança Pública. 

"No corrente ano a Polícia Judiciária já identificou e deteve 110 pessoas pela autoria do crime de incêndio florestal", refere a nota.

Fonte: Correio da Manhã

VIANAS organiza Demonstração de Técnicas de Desencarceramento


"A VIANAS, S.A. irá organizar uma sessão de Demonstração e Apresentação de Novas Técnicas de Desencarceramento na Proseg, exposição inserida no 43º Congresso da Liga dos Bombeiros Portugueses.

A Demonstração irá ser no próximo dia 28 de Outubro de 2017, sábado, das 11:00 às 12:00.

Este evento contará com um formador altamente qualificado e terá entrada livre. Aqui irão ser abordadas novas Técnicas de Desencarceramento em caso de acidente rodoviário, bem como técnicas de manuseamento de ferramentas de Desencarceramento.

Aposte na sua formação e atualização de conhecimentos, assista a esta Demonstração!"

Comandante de Bombeiros: "Estão a Gozar com Quem?"


"Os meus homens fizeram gratuitamente o trabalho de 'alguém'", lamenta Vítor Graça, dos Bombeiros da Marinha Grande, em carta aberta.

Vítor Graça é comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande e olha para os seus bombeiros como se fossem seus filhos. Foi isso que o levou a escrever a Capoulas Santos, ministro da Agricultura, para denunciar o desrespeito que sente pelo seu trabalho e a falta de empenho do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e dos sapadores florestais. 

Recorda ainda que, em Janeiro de 2013, um dos seus homens ia perdendo a vida por estar exausto, "após cerca de 48 horas sem dormir". Teve um acidente, esteve em coma, felizmente recuperou e voltou a combater as chamas este mês. 

Leia a carta publicada na íntegra na página de Facebook dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, no domingo, dia 22. 

"Sr Ministro da Agricultura:

Permita-me Vª Exª, que me dirija a vós através desta carta aberta, com o mesmo sentimento que os pais empenham na protecção dos seus filhos, assim o sinto eu na protecção dos meus Bombeiros. 

A Eles lhes devo essa mesma protecção, cuidado e carinho.

Infelizmente observo, que continuamos a ser desrespeitados enquanto operacionais, com impacto nas nossas vidas pessoais e familiares, por entidades com rostos e nomes, que existem, não cuidam nem cumprem o que está legislativamente escrito.

E é nesse sentido que esta carta surge, pedindo por favor, para que quem tem essas responsabilidades que as assuma e execute, e acima de tudo não "gozem" com os meus Bombeiros.

Poderia para mim, o mais grave ser mais o mais importante, mas não o é. 

Porque se a tragédia nas Matas Nacionais era à muito tempo anunciada, logo aí se via que que os deveres de quem os tinha não eram cumpridos, e agora continuam a não cumprir com outros dos seus deveres plasmados em lei, e são esses a razão desta carta.

É triste para mim enquanto operacional responsável, sentir que têm que ser os mesmos homens e mulheres, que de forma gratuita combateram as chamas defendendo o que estava muito pouco limpo, a continuar gratuitamente a fazer o trabalho do ICNF.

Isto, quando existem pessoas a ser pagas através desse mesmo organismo, que continuam a não querer saber delas, descartando a responsabilidade legalmente atribuída, nos Bombeiros exaustos que têm que continuar gratuitamente a fazer o trabalho que deveria ser feito por quem de direito.

A Vigilância Pós rescaldo. Está determinada quer sob a forma de Lei quer nas Directivas Operacionais Nacionais que saem todos os anos, que deverá ser realizada por Sapadores Florestais (ICNF-Matas Nacionais, nesta nossa área).

É triste que descarreguem mais esse fardo e responsabilidade, em quem anda exausto, não lhe compete assumi-la, não é dono, tem que assegurar todos os outros serviços operacionais que um Corpo de Bombeiros normalmente faz, e tem que recuperar energias pois os alertas não prometem descanso. E esquecia-me, é Voluntário sem qualquer remuneração.

É triste também, eu assistir durante a evacuação de um barracão das Matas Nacionais em Pedreanes, por causa do incêndio, que saíram lá de dentro mais viaturas de combate do ICNF do que as que eu tinha no terreno em combate. E essas saíram mas não foi para combater, foi apenas para não arderem.

É triste bombeiros meus virem-se queixar, que andavam a combater e a fazer o trabalho que teria outro "dono", e viram pessoas que deveriam andar no terreno a preparar material para medição de pinheiros e abate, percebi o porquê nos dias seguintes. 

É triste, esse mesmo abate existir ainda em fase de rescaldo e vigilância, e certamente consumir meios humanos, relegando funções para os Bombeiros que não são da sua responsabilidade. Estaria certamente agendado esse corte anteriormente, e até podem ter sido mínimos os meios alocados, mas deveria ter havido o bom senso como diz o velho ditado.

A população a ver sair camiões de madeira cortada ainda com a mata com reactivações, sente-se revoltada, e percebe que daqui apenas se canaliza riqueza para outros lados. Mas este é um assunto de menor relevância para mim nesta carta.

É triste, numa reunião de entidades responsáveis ainda em fase de incêndio, os "donos" serem alertados para o risco de queda de pinheiros queimados e fragilizados na sua sustentação, e a resposta dos donos responsáveis, ter sido no meio da frase algo como: "identifiquem e abatam". Honestamente, estão a gozar com quem? Para que servem os meios humanos do ICNF?

É triste, eu pressionar quer o Exmº Presidente da Câmara da Marinha Grande, quer o Exmº Comandante Operacional Distrital de Leiria, e eles fazerem os contactos que tinham que fazer, e sentirem-se também impotentes, pela despreocupação em resolver situações de quem tinha essa obrigação.

É triste ligarmos para os Serviços Florestais às 17:03 de sexta-feira, a solicitar-lhes o que a Lei determina que eles façam, e para o qual eles se deveriam ter organizado, e a resposta da senhora que atende é a de que: "o horário de saída é às 17:00, e além do mais deram-nos a tarde de sexta para compensar as horas no incêndio".

Senti-me impotente e revoltado. Tive que pedir a um Bombeiro assalariado, que por coincidência tinha terminado o seu horário de trabalho às 17:00 e estava para ir para casa, que fosse validar um reacendimento. 

Expliquem-me como é que lhe compenso os 45 minutos extras que trabalhou (dinheiro não entra na equação). Mais ainda, como é que compenso todos os Bombeiros por tudo extra que fizeram em tantos dias? Como é que compenso os Bombeiros por andarem a fazer gratuitamente, o trabalho que deveria ser feito por quem é pago?

É triste, o "dono" de algo, descartar a responsabilidade e não planear e coordenar conjuntamente a vigilância necessária, apesar de diversas vezes solicitado, mostrando um total desinteresse no "seu" património, e um desrespeito para com outrem. Pois sabem que no fim da linha, na pior das hipóteses, quando arder novamente, os Bombeiros resolvem.

Apenas porque quem devia não antecipou e assumiu as suas responsabilidades.

Sinto-me triste, porque agora mesmo, caiu um alerta via CDOS-Ponto de Vigia, para uma possível reactivação. E lá vamos nós fazer o trabalho de outros, na propriedade desses mesmos "outros", com Bombeiros que estiveram de serviço a noite toda (logo pouco ou nada dormidos), enquanto "outros", "os responsáveis", os "donos", estarão possivelmente com as famílias, a descartar responsabilidades, no fundo a "gozar" com os Bombeiros.

É triste, responsáveis tentarem descartar as responsabilidades, trocando emails com o Comandante Distrital, cujo conteúdo é o e tentar responsabilizar os Bombeiros da Marinha Grande, e consequentemente o seu Comando, usando o seguinte texto: "solicito os seus bons ofícios para regularizar a situação constatada, sem maiores perdas para o património florestal público que ainda existe na Mata Nacional de Leiria". Isto apenas poderia acontecer, porque quem devia vigiar/validar, não o estava a fazer.

É triste, porque é sábado de manhã, e vou estar triste e preocupado durante o fim-de-semana todo, até abrirem os serviços dos "donos" das Matas Nacionais ás nove horas, para fazerem…………… sei lá o quê. Enquanto os meus Homens fizeram gratuitamente o trabalho de "alguém".

É triste tudo isto acima descrito, mas não é novidade, pois que me lembre sempre foi assim. 

Em Julho de 2007, enviei um relatório ao Comandante Distrital à data, onde já à data me queixava de situações iguais.
Dia 19 de Janeiro de 2013 a Marinha Grande sofreu o maior temporal que há memória.

Cerca de 10.000 árvores de grande porte foram derrubadas. 

Em cerca de 24 horas desimpedimos vias e socorremos pessoas e habitações. Nas horas seguintes fomos melhorar o trabalho executado, pois as árvores, essencialmente nas vias principais, tinham sido cortadas e afastadas com guinchos das viaturas ou máquinas, não estando a segurança devida assegurada.

Durante esse trabalho posterior, em que andavam bombeiros de motosserra na mão a cortar em tamanhos que pudessem ser rolados manualmente, somos interpelados agressivamente que andávamos a estragar madeira, ao cortar em tamanhos que os madeireiros que iam comprar não queriam.

Foi a gota de água, abandonámos os trabalhos, conscientes do perigo que deixávamos no terreno, nas bordas das estradas, e preocupámo-nos a partir daí com habitações em risco.

Infelizmente, neste dia de temporal, um Bombeiro ia perdendo a vida. 

Após cerca de 48 horas sem dormir e com trabalho pesadíssimo realizado, ainda me pediu educadamente se podia abandonar o terreno pois tinha de ir trabalhar, e gostava de ir a tempo de almoçar e tomar banho. 

Claro que podia ir. E foi. Deixando parte dele e o seu pensamento nos companheiros que iam continuar a trabalhar. 
A caminho do seu trabalho, pois ainda tinha de conduzir cerca de 30 Kms, adormece e vai colidir de frente com um camião. Foi dos piores dias da minha vida, quando tive de ligar ao seu pai a avisar do sucedido, para preparar a mãe e a esposa para o pior. 

Felizmente, após muitos dias em coma entre a vida e a morte, foi recuperando lentamente. 

E após muitos meses voltou a trabalhar e consequentemente veio logo vestir a farda. A mesma farda que vestiu neste incêndio, e no qual voltou a ir trabalhar com sono e esgotado, a solucionar o que podia ter sido evitado ou minimizado, e que continua a desgastá-lo a ele e outros, com operações que têm outro "dono".

Exmº Sr Ministro da Agricultura, não posso deixar que continuem a "gozar" com esse meu Bombeiro, e consequentemente com os outros. 

Não quero nem devo entrar na questão sobre se as Matas Nacionais estavam limpas, tenho as minhas certezas, mas são minhas e não públicas. 

Não quero nada de mais, apenas que quem deve cumprir, que cumpra a sua parte, se não cumpre não faz sentido existir. 

Ou mais grave, se não cumpre porque não quer, ou não se preocupou, que seja responsabilizado, já que estamos na era da responsabilização e não da culpabilização.

Todas estas situações maçam, moem, desmotivam. E para um Comandante Voluntário, que recebe "zero" assim como a maior parte dos meus Bombeiros, era fácil não se preocupar ou abandonar o cargo e passar para o lado dos que ficam a assistir. 

Mas não sou assim, tenho um compromisso com os meus homens e mulheres, com a Direcção da Associação, e com os Marinhenses. Desistirei por força maior ou quando chegar a hora, nunca para aliviar a "carga" que o cargo associa.

Com a certeza que muito mais haveria para escrever, mas tornaria a carta ainda mais maçuda, solicito os seus bons ofícios, apenas para que faça cumprir o que está legalmente determinado, e que cada interveniente faça e assuma o que lhe compete futuramente.

Certo que diremos sempre "PRESENTES", me despeço de Vª Exª com as mais cordiais saudações.

Quartel em Marinha Grande, 21 de Outubro de 2017

Vitor Manuel Nery da Graça
Comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande"

Braga Dá "Crédito na Fatura" a Quem Usou Água Própria para Combater Fogo


A Agere, empresa municipal de saneamento de Braga, vai conceder um "crédito na fatura" da água para "minimizar os custos" dos munícipes relativos ao aumento do consumo, provocado pelo combate aos incêndios do dia 15.

Em declarações à Lusa, o administrador executivo da Agere - Águas, Efluentes e Resíduos de Braga, Rui Morais, explicou que a medida, anunciada durante a reunião de hoje do executivo bracarense, pretende evitar que se prejudique, com o aumento do valor da fatura da água, os particulares e as empresas que "prestaram um serviço público e evitaram danos maiores" combatendo as chamas a expensas próprias.

Segundo o responsável, no domingo o aumento do consumo de água foi de cerca de 600 mil litros, que foram utilizados por empresas, particulares e pelos bombeiros para combater o fogo que assolou as freguesias de Tenões, Nogueiró, Fraião, Lamaçães, Espinho e Este São Pedro, queimando cerca de 1.200 hectares.

"A Agere está solidária com todos os munícipes das freguesias mais afetadas, que tiveram de recorrer ao abastecimento de água própria, para se protegerem a si e aos seus bens, pelo que, em articulação com a Câmara Municipal, entendemos proceder ao crédito do consumo de água excedente e das respetivas taxas", afirmou Rui Morais.

Por isso, disse, aquela empresa municipal "decidiu atribuir um crédito na fatura aos munícipes que tenham tido um consumo superior à média do último ano", explicando que "o crédito será igual ao consumo excedente à média verificada".

Para usufruir da medida, os munícipes afetados, deverão aceder ao formulário disponibilizado no sítio da internet da Agere, (www.agere.pt) e preencher os dados solicitados.

Fonte: JN

Medidas Contra Incêndios São Boas mas Muito Insuficientes


O especialista e investigador Eugénio Sequeira defendeu hoje que as medidas aprovadas pelo Governo para as florestas são "boas", mas "muito insuficientes", faltando soluções na prevenção, da redução das ignições à aposta no ordenamento e nas faixas de contenção.

"As medidas são boas, inteligentes, capazes, mas muito insuficientes. As questões de fundo continuam a não ser tocadas", disse à agência Lusa Eugénio Sequeira, comentando as decisões do conselho de ministros extraordinário realizado no sábado com o objectivo de tomar decisões para defender a floresta e evitar os incêndios, além da recuperação de casas e empresas ardidas nos grandes fogos deste ano. 

Na lista de assuntos que considera não terem sido "tocados" pelo Governo estão a razão por que há tantas ignições e a maneira de as diminuir, mas também "como conseguir o ordenamento e as faixas de contenção de maneira que seja possível conter os fogos, atendendo às situações climáticas - que vão ser cada vez mais comuns e que "geram esta impossibilidade de [os] apagar". 

O antigo presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) apontou ainda a ausência de medidas capazes de conseguir zonas de contenção antes das povoações e das zonas importantes para a biodiversidade ou visando encontrar a forma de fomentar uma agricultura e uma floresta sustentável, com as alterações climáticas.

Eugénio Sequeira também referiu a importância de avançar com decisões para o pagamento dos serviços ambientais, de modo a permitir o estabelecimento da agricultura e do ordenamento florestal, no futuro, o que "não está previsto", e para perceber "como vai ser possível arranjar uma floresta sustentável, que não arda, no tipo de propriedade que existe no norte do país". 

Lembrou que, no sul do país, "o clima é pior que no norte e não ardeu, nem arde por causa do tipo de exploração" existente, e que "as celuloses não ardem porque têm explorações compatíveis com as medidas, com o ordenamento".

Devia ser dada "atenção às áreas de contenção que as celuloses têm e as espécies que têm nos seus terrenos", defendeu o especialista, explicando que nas propriedades das empresas de celulose existe pinheiro, mas pouco, carvalho, freixo, choupo e zonas abertas de pastagem. 

Resultado desta gestão do terreno e das espécies, "as áreas das florestas [daquelas empresas] arderam 3% a 4%, enquanto as áreas de eucalipto fora das celuloses arderam quase 50%", realçou.

No sábado, o Governo anunciou a disponibilização de uma verba total "entre 300 e 400 milhões de euros" para a recuperação das habitações e infraestruturas de empresas e autarquias, o apoio ao emprego e ao sector agrícola e florestal.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. 

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em Junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Fonte: Jornal de Negocios

Como a Galiza Devia Ser Exemplo para Portugal no Combate aos Incêndios


A Galiza e a região Norte de Portugal têm muitas semelhanças, ao nível do relevo, clima e explorações agrícolas. Mas a forma de combater os fogos é muito diferente, o que ajuda a explicar a disparidade na gravidade dos incêndios de 15 de Outubro que assolaram as duas regiões.

Porque são tão letais os incêndios em Portugal? A questão é colocada pelo jornal espanhol El País, que num artigo publicado a 20 de Outubro dá o exemplo da Galiza, uma região que também era muito fustigada pelos fogos mas conseguiu inverter a tendência nos últimos anos.

O jornal espanhol cita o caso da região a norte de Portugal devido às semelhanças com o nosso país, ao nível do relevo, clima, abandono de terras e preponderância do minifúndio. 

1989 foi para a Galiza como 2017 está a ser para Portugal. Nesse ano arderam 200 mil hectares e morreram quatro pessoas na região espanhola. Conta o El País que no ano seguinte o governo autonómico deu um murro na mesa para inverter a tendência, delineando uma estratégia que passou pela criação de uma direcção-geral totalmente dedicada à prevenção de incêndios. Uma unidade que hoje também tem a competência do combate aos incêndios e que há mais de 25 anos é dirigida pela mesma pessoa.    

A batalha contra os grandes incêndios e as suas consequências foi ganha e o que aconteceu a 15 de Outubro é disso um exemplo. O dia foi de muitos fogos em Portugal e na Galiza. Em Portugal arderam 150 mil hectares e morreram 44 pessoas. Na Galiza arderam 35 mil hectares e contam-se quatro vítimas mortais. 

De acordo com o jornal espanhol, o número de pessoas que esteve envolvida no combate aos incêndios desse dia foi praticamente a mesma: 5 mil em Portugal e outros tantos na Galiza. A diferença, diz o El País, esteve na perícia: enquanto em Portugal a maioria dos bombeiros são voluntários, no caso galego são profissionais e militares.

"Portugal combate os incêndios com bombeiros voluntários, Espanha com profissionalismo e conhecimentos", disse ao El País o professor e engenheiro florestal Paulo Fernandes, acrescentando que "nos anos 90, Espanha e a Galiza alteraram o plano de combate aos incêndios, que ficou mais eficiente, mais baseado em conhecimento, mais profissional". 

Os galegos foram pioneiros na utilização de aviões anfíbios, nas técnicas de fogos controlados, nos centros de coordenação e na instalação de câmaras automáticas de vigilância. "O plano galego é impressionante, com a análise das incidências e causas por semana, dias e horas", refere Inés González, professora da Universidade Politécnica de Madrid. 

As diferenças entre Portugal e Espanha também estão no dinheiro e onde este é empregue. O país vizinho destina cerca de 2 mil milhões de euros por ano no combate aos incêndios, uma das somas mais elevadas em todo o mundo. Em Portugal são cerca de 100 milhões.

Segundo Paulo Fernandes, desta verba que Portugal gasta, apenas 5% é dedicada à prevenção contra incêndios, sendo 15% na vigilância e todo o resto na extinção dos fogos. Na Galiza dois terços do orçamento é gasto na prevenção e apenas um terço no combate.

O comando único no combate e prevenção de incêndios é outra das grandes diferenças entre Portugal e a Galiza, com a região espanhola a ter, desde 1990, uma única unidade que agrega todas as responsabilidades. Em Portugal "a GNR tem a cargo a vigilância, o Ministério da Agricultura a prevenção e o Ministério da Administração Interna a extinção" dos incêndios, refere Paulo Fernandes. Nos incêndios na Galiza de 15 de Outubro, os militares estavam no terreno em poucas horas. Nos incêndios de Pedrógão Grande de Junho, foram necessários três dias para mobilizarem os militares.

Várias das deficiências da estratégia de Portugal no combate aos fogos foram já identificadas pelo Governo, que num Conselho de Ministros Extraordinário realizado este sábado delineou várias medidas de alteração, que prometem uma revolução na forma como Portugal combate os fogos. Para que o ano de 2017 em Portugal tenha ainda mais semelhanças com o 1989 da Galiza.

Fonte: Jornal de Negócios 

SIRESP: Medidas do Governo Passam por Reforço das Telecomunicações


A celebração de contratos com os operadores de comunicações eletrónicas para reforçar o SIRESP é uma das medidas que faz parte do pacote de ações de combate aos incêndios que o Governo pretende pôr em prática.

O Governo aprovou este sábado, em reunião extraordinária de Conselho de Ministros, um conjunto de medidas para melhorar o sistema de comunicações de emergência SIRESP.

Entre as medidas aprovadas está “a celebração de contratos específicos pela Infraestruturas de Portugal com os operadores de comunicações eletrónicas com vista a potenciar a substituição do traçado aéreo por infraestruturas subterrâneas”.

A proposta apresentada passa também pela aquisição de quatro estações móveis num investimento total de oito milhões de euros, de acordo com o anúncio feito pelo ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

As quatro estações móveis irão juntar-se às três existentes, distribuídas pela GNR, PSP e ANPC, mas cujo número foi sempre considerado insuficiente, face às falhas da rede de comunicações baseada em cabos aéreos, facilmente destruídos pelos incêndios e que impediam as ligações entre o comando das operações e os bombeiros e GNR, refere o Jornal de Notícias.

Foi ainda negociada uma ligação satélite, para ser associada às comunicações de emergência, funcionando como complemento e redundância à rede tradicional e irá ser acionada sempre que falhar o sistema rádio, acrescentou o responsável político.

O Governo anunciou também que tomará posição acionista no SIRESP (Rede de Emergência e Segurança), podendo inclusivamente “chegar a uma situação de posição de tomada de controlo”, refere em comunicado, e promoverá programas para enterramento de cabos aéreos e limpeza de vias.

No comunicado do Conselho de Ministros é ainda mencionada a criação, no âmbito da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, de um Programa Mobilizador de I&D “com o objetivo de reforçar o desenvolvimento de atividades de investigação e inovação destinados a incentivar e fortalecer competências e capacidades científicas e técnicas”.

Fonte: http://tek.sapo.pt/

Crianças Fazem Homenagem aos Bombeiros


O Colégio Conde de Sobral iniciou mais um novo ano letivo. Partindo do interesse da criança, os dias vão acontecendo, os projetos vão surgindo. O quartel dos Bombeiros de Almeirim abriu as portas e o coração para acolher estes grupos de crianças e tornar especial a manhã do dia 10 de outubro, as crianças por sua vez deixaram os seus trabalhos e registos como forma de homenagear esta tão nobre profissão.

Nos grupos dos cinco anos, da sala azul e da sala amarela, o primeiro projeto “Eu e os outros”, proporcionou momentos únicos privilegiando-se os afetos, as relações entre todos, e agora num novo espaço a exploração em conjunto tem sido muito enriquecedora. No âmbito deste projeto surge a história “Bombeiro dos pés à cabeça”. Partindo do livro, explorou-se em grupo e individualmente, partilhou-se saberes inter salas sobre a profissão; Ser bombeiro é…

Após momentos ricos de aprendizagem e trocas de saberes, surge o interesse das crianças em homenagear e agradecer aos nossos bombeiros, pela dedicação e empenho na sua profissão, realizando-se assim uma visita tão especial.

São estes projetos e numa educação para a cidadania que as crianças e a comunidade envolvente trilham um caminho comum para a sociedade rica em valores.

Fonte: http://www.almeirinense.com/

Forças Armadas Disponíveis mas Querem mais Meios Humanos e Dinheiro


Ramos desconhecem moldes do novo papel dos militares nos fogos

As Forças Armadas (FA) estão prontas para responder ao reforço do seu papel nos incêndios, em apoio das autoridades civis e nos termos anunciados sábado pelo chefe do Governo. Contudo, ignoram como é que isso se vai traduzir em concreto, sabendo-se que mais missões implicam um reforço de meios humanos, materiais e financeiros.

António Costa, após uma tragédia que vitimou mais de 100 pessoas, anunciou que as FA vão ter "um papel alargado [...] nas ações de rescaldo, na parte logística, no auxílio junto das populações e, ainda, no que respeita às capacidades no apoio ao processo de decisão" - leia-se Exército e Marinha. A Força Aérea "ficará com a gestão e operação dos meios aéreos de combate aos incêndios florestais", abrangendo meios do ramo - como os novos helicópteros ligeiros e as futuras aeronaves KC-390 - e ainda "a gestão dos meios próprios do Estado e a gestão dos contratos de meios aéreos de combate aos incêndios".

Fontes oficiais dos ramos disseram ao DN desconhecer os moldes desse envolvimento. Já as associações profissionais de Oficiais (AOFA) e Sargentos (ANS), manifestando a sua satisfação por verem concretizar-se uma medida há muito reclamada, alertam para a necessidade de saber em que termos e com que meios adicionais.

O tenente-general Frutuoso Pires Mateus, autor da proposta para criar uma unidade militar conjunta de emergências, disse que as medidas "são um princípio". Por exemplo, importa que a formação dos militares, desde as academias às recrutas, passe a incluir "esta área da Proteção Civil".

António Mota, presidente da AOFA, mostrou-se taxativo: "O RAME teria de ser reforçado. Vemos com grande perplexidade a questão dos meios humanos, que já não tem, e os meios logísticos e financeiros para que não recaia sobre a Forças Armadas o ónus de uma missão menos bem cumprida." "A Força Aérea e as FA em geral não têm meios humanos necessários em quantidade e preparados para o combate aos incêndios", insistiu aquele tenente-coronel.

"Se já hoje não temos recursos humanos para dar resposta às missões pedidas, vemos com grande perplexidade" conseguir fazê-lo com o que há. "Não se vão atribuir missões muito exigentes e de grande responsabilidade sem acautelar o reforço substancial dos meios humanos", defendeu ainda António Mota, adiantando: "Vemos como positivo que o RAME passe a ter meios permanentes e dedicados ao apoio e gestão de catástrofes, pois isto não passa só por incêndios mas também cheias e tremores de terra."

O presidente da ANS, Mário Ramos, focou a questão de saber "de que forma e com que meios" vai concretizar-se o reforço das FA. Na memória está a promessa não cumprida da Proteção Civil de dar "fatos, botas, máscaras e capacetes" para os militares estarem devidamente equipados - pelo que foram para o terreno "com fardas e as botas do dia a dia", estas "a derreter".

Lima Coelho, diretor do jornal "O Sargento", disse que "deve ser tudo devidamente enquadrado e bem preparado para não se entrar em aventureirismos e não voltar a ter dramas como o de Sintra" (em 1966, onde morreram 25 militares). "Tem de haver preparação, reequipamento e reestruturação" sobre a forma como os militares atuam, alertou, evocando a unidade militar espanhola que esteve em Portugal: eram "mais de 100 homens comandados por um sargento e deram um exemplo brutal do que são as capacidades militares, quando preparados e orientados para esse efeito".

Quem se mostrou desagradado com a ausência de diálogo prévio do Governo foi o líder da Liga dos Bombeiros. "Parece que o sistema faliu porque os bombeiros [voluntários] não foram capazes e agora se tem de ir para o profissionalismo", lamentou Jaime Marta Soares. "Estamos disponíveis para ter corpos mistos com profissionais", a começar pela integração dos que estão na Proteção Civil (os Canarinhos), disse.

"Queremos saber o porquê de ter estruturas profissionais quando não se esgotaram as possibilidades de ter equipas mistas com profissionais nos bombeiros", insistiu.

Fonte: DN

"Quando Soa a Sirene"


Existem pessoas que vêm diariamente a sua imagem reflectida nos olhos dos que em desespero chamam por ajuda. Existem pessoas que não poupam sacrifícios no cumprimento das suas funções, do seu dever.

Estas pessoas poderiam ser chamados de heróis, mas eu prefiro chamá-las na primeira pessoa pelos seus próprios nomes.

Para ostentar esta farda é preciso ter muito mais do que sonhos, é preciso coragem para ir onde ninguém quer ir, para colocar em risco a própria vida por pessoas que nunca se viu antes.

Para ser bombeiro o corpo precisa estar treinado e saber que não há diferença entre a madrugada fria ou o verão quente e todos se igualam ao som das sirenes quando o alarme soa.

É preciso saber que não se vai ficar rico, que os fracassos serão fantasmas que nos vão perseguir para sempre quando deitas a cabeça na almofada, e o sucesso são nuvens que se dissipam a cada amanhecer. É preciso ser totalmente abnegado, um apaixonado pelo que faz, pois mesmo diante dos piores momentos, de todos os muitos bombeiros que tenho vindo a conhecer, nunca vi algum que tenha por um só minuto se arrependido da escolha que fez.

Porque ser bombeiro, é esquecer o mundo lá fora, é salvar desconhecidos com o mesmo carinho com que se abraça um amigo, é contrariar o desespero das vítimas contendo as próprias lágrimas.

Seria injusto dizer que trabalhamos à troca de nada. Pois qualquer um de nós sabe apreciar as recompensas que nos dá esta nobre profissão, quer na formação disciplina e treino que recebemos, quer na felicidade de uma mãe que deu à luz, o entusiasmo com que um idoso nos conta a sua história e lição de vida, uma palavra, uma lágrima ou um abraço de agradecimento. 

Não, nós não somos super heróis porque não temos poderes mágicos, nem somos anjos porque não temos asas, não somos inconscientes porque sabemos os riscos que corremos, somos por baixo da fibra desta farda humanos de carne e osso, e também temos medos, sentimentos etc... Sentimos a dor da família das vítimas que não podemos salvar, sentimos a dor dos que já vimos partir.

Gostava que pudesses ter a noção da tristeza de um homem quando o trabalho de uma vida desaparece em chamas, ou uma família que regressa de viagem e apenas encontra a sua casa e todos os seus bens destruídos.

Gostava que pudesses saber o que é procurar por uma vítima num complexo completamente incendiado mesmo com as chamas por cima da tua cabeça, as palmas das mãos e os joelhos a queimarem enquanto rastejas por entre a fumaça densa com o pensamento fixo que se não fores tu mais ninguém poderá salvar quem lá está, sentir o chão a ranger com o teu peso enquanto o edifício arde mesmo por baixo de ti (Ainda que este cenário seja em contexto formativo).

Gostava que pudesses saber como é entrar em casa e olhar para tua família depois de teres estado a centenas de quilómetros de casa em campos cinzentos e não ter coragem para lhes dizer que quase ficavas lá.

Gostava que pudesses compreender como é quando temos uma vítima a puxar-nos o braço e a perguntar se os restantes estão bem, e sem sequer conseguires olhar-lhe nos olhos nem saberes o que responder.

Agora eu pergunto-vos, o que seria do mundo sem os bombeiros? 

Reflexão by Mário Almeida.

Europa Nunca Teve Fogos Tão Arrasadores como os de Outubro em Portugal


Como é que o fogo andou tão rápido a 15 de outubro? Leia as explicações de um investigador da Comissão Europeia habituado a ver áreas ardidas em imagens de satélites.

Cerca de 200 mil hectares em dois ou três dias nos incêndios que começaram no fim de semana de 14 e 15 de outubro. O número é não apenas surpreendente para os portugueses, mas também para os especialistas que todos os dias olham para as imagens de satélite, analisam e atualizam os números provisórios de área ardida na Europa.

Um dos cientistas responsáveis por essa tarefa no Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais confessa à TSF que nunca na história desta instituição da Comissão Europeia, que existe desde 2000, tinham visto tanta destruição em tão pouco tempo.

Jesus San Miguel acrescenta que os casos mais semelhantes registados antes foram muito menos destruidores e demoraram muito mais tempo (semanas) a fazer estragos bastante menores.

O caso mais parecido, adianta Jesus, aconteceu em Valência há alguns anos mas arderam "apenas" 100 mil hectares e foram precisas duas semanas. Aqui, sublinha o especialista, foram dois ou três dias e ardeu pelo menos o dobro. É algo, admito, "nunca visto".

Chamas avançaram como 'uma língua a sair da boca'

O investigador de incêndios da Comissão Europeia explica que aquele fim de semana e sobretudo o domingo 15 de outubro teve condições "insólitas" e também elas "únicas".

Normalmente, conta, a maioria dos fogos tem causa humana. No entanto, neste caso quando se fez a cartografia com as imagens de satélite percebe-se que a razão foi outra.

Jesus San Miguel diz que essas imagens mostram "perfeitamente que os fogos se expandiram muito rapidamente numa forma de "língua a sair da boca" na direção da do vento que era muito forte".

Para o investigador, habituado a ver diariamente imagens de satélite com terra queimada, a velocidade do fogo em Portugal naquele dia foi fruto das condições únicas que se conjugaram: a proximidade do furacão Ophelia, a seca e as altas temperaturas com baixíssima humidade no ar.

Fonte: TSF

Ao Encontro das Chamas por Amor ao Marido


Entre resguardar a própria vida ou ir procurar o marido, que julgava estar em apuros nas chamas, Almerinda Neves escolheu a segunda hipótese. Por isso, saiu do local seguro onde já se encontrava e voltou a ir ao encontro do fogo.

Com o cão ao colo, tentou ir às traseiras da moradia onde vivia, pelo lado esquerdo da casa. Joaquim, o marido, escapou-se pelo direito, com vida. De Almerinda, de 64 anos, ninguém soube mais nada durante 24 horas. Nos destroços daquela habitação, onde o casal vivia há muitos anos, em Lagares, Travanca do Mondego, Penacova, foi encontrado, na segunda-feira, o corpo carbonizado. O animal de estimação, que tanto acarinhava, morreu com ela.

Sérgio Neves, de 40 anos, filho mais velho do casal, tinha saído da casa dos pais, onde vivia, pelas 16 horas. "O fogo estava a uns 10 quilómetros", portanto nada fazia adivinhar que chegasse a Lagares. Mas, perto das 18 horas, já lá estava. Sérgio relata a história que ouviu da boca do pai, cujas memórias ainda ardem demasiado para o deixar falar do que passou. "Não havia bombeiros, era cada um por si, a defender o que era seu. Os meus pais tentaram até à última, sozinhos, defender a casa e os animais - cabras e galinhas - que tinham. Até que as chamas começaram a chegar aos pés do meu pai e ele largou a mangueira", conta Sérgio.

Almerinda foi a primeira a perceber que não havia mais nada a fazer. Pegou no cão - "que tratava como um terceiro filho" -, despegou-se dos bens materiais e tentou convencer o marido a ir para a estrada, onde estariam mais seguros. "Vai indo, já vou", pediu Joaquim. "Deixa isso, já cá estou. Anda", gritou Almerinda, em pranto, já na rua. Mas Joaquim ainda quis tentar salvar o trator e dirigiu-se ao barracão onde o guardava. "A minha mãe foi vista, pela última vez, na estrada, com o cão ao colo. O meu pai atrapalhou-se com o trator e demorou algum tempo. Supomos que ela tenha ficado preocupada e tenha tentado ir ter com ele, mas encontrou o fogo, num corredor nas traseiras da casa", adianta Sérgio, tentando reconstruir o puzzle que lhe mostra os últimos momentos da mãe, uma matriarca "que tinha sempre tudo controlado", "prestável para todos" e "muito dinâmica".

Em Travanca do Mondego, cerca de 20 casas e barracões ficaram destruídos. Almerinda foi a única vítima mortal. "A preocupação dela não eram os bens: era o cão e o marido. Era um casal exemplar, de um grande companheirismo, que andava sempre junto. Ela vai fazer muita falta a esta terra", sublinha Lurdes, sua amiga.

Sérgio só conseguiu alcançar a casa dos pais na segunda-feira de manhã. As chamas não o deixaram fazê-lo antes. Durante o dia, surgiram boatos de que Almerinda teria escapado com vida e sido levada dali. Boatos, apenas. Ao final daquele dia, já depois de anoitecer, o seu corpo foi, finalmente, encontrado no meio dos destroços, confirmando o desfecho mais temido.

Fonte: JN

Militares Vão Patrulhar 87 Concelhos Até Quinta-feira


Os militares vão a partir deste domingo e até quinta-feira efetuar 71 patrulhas de vigilância e dissuasão em 87 concelhos de 15 distritos do território continental, informou o Exército.

Segundo um comunicado do Exército, estas patrulhas correspondem a uma "solicitação efetuada pela Proteção Civil", e vão envolver, "diariamente, 284 militares de 25 unidades do Exército".

"O Exército continuará a manter o apoio à Autoridade Nacional de Proteção Civil, com os meios que venham a ser solicitados, e ainda a colaborar em tarefas relacionadas com a satisfação das necessidades básicas e na melhoria da qualidade de vida das populações", lê-se no mesmo comunicado.

Os militares têm apoiado no combate aos incêndios, assim como em ações de proteção das populações.
Missão durante os incêndios

No passado dia 16, cerca de 380 militares do Exército e 60 viaturas participaram em operações de vigilância, rescaldo e evacuação de locais afetados pelos incêndios, em dez concelhos do território continental.

Os 337 militares atuaram nos concelhos de Vieira do Minho, Sabugal, Rio Maior, Paredes de Coura, Mafra, Vagos, Arganil, Alcobaça, Marinha Grande, Mortágua e Seia.

Os militares atuaram divididos em ações de vigilância e rescaldo, operações de retirada de vítimas dos locais afetados pelos incêndios e patrulhamento e vigilância, tendo sido utilizadas quatro máquinas de rasto.

Os Regimento de Infantaria n.º 14, de Viseu, e o de Artilharia n.º 4, de Leiria, por exemplo, prestaram apoio às populações, com dois módulos de alojamento e alimentação.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. 

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Fonte: RTP

Oficiais das Forças Armadas têm "Dúvidas" sobre Gestão dos Meios Aéreos


A Associação dos Oficiais Forças Armadas (AOFA) considerou este domingo que as medidas de apoio às vitimas dos incêndios são "extremamente positivas", mas tem "dúvidas" sobre a gestão dos meios aéreos e lembrou que faltam efetivos para as missões. 

As decisões que saíram do Conselho de Ministros de sábado "são extremamente positivas", mas "há um conjunto vasto de questões e de dúvidas que se colocam que, com certeza, serão esclarecidas nos próximos dias", disse em declarações à Lusa, o presidente da AOFA, António Mota. Para o coronel, em primeiro lugar é necessário perceber "se apenas a gestão [dos meios aéreos públicos] passa a ser feita pela Força Aérea, ou a gestão e a operação", uma vez que a Autoridade Nacional de Proteção Civil também tem meios aéreos. 

A associação tem também dúvidas quanto à passagem para a Força Aérea da gestão dos contratos privados com as empresas que detêm meios aéreos: "Nem nos quer passar pela cabeça que nesse aspeto em concreto, que é o aspeto mais sensível de tudo isto, se está exclusivamente a passar a batata quente da gestão para a Força Aérea", afirmou António Mota. Outra das preocupações da AOFA é a falta de meios humanos "em quantidade" e em "qualidade", ou seja, "de pessoas devidamente formadas, para fazerem face a estas novas missões", acrescentou o militar. 

"Só se podem formar pessoas quando elas existem e as Forças Armadas estão muitíssimo abaixo do número de efetivos que é necessário para o cumprimento das missões que já hoje têm", reforçou o presidente da AOFA. 

António Mota defendeu que o reforço do regimento de emergência militar é positivo, mas disse ter "sérias dúvidas" quanto à sua eficácia devido à escassez de efetivos. Há ainda que reforçar os orçamentos das forças armadas, numa altura que está em discussão no parlamento a proposta de Orçamento do Estado para 2018, defendeu, acrescentando que as medidas têm de ser aplicadas "no imediato" e não "daqui a um mês ou dois". 

O primeiro-ministro, António Costa anunciou no sábado que, na prevenção e combate a incêndios, as Forças Armadas vão ter um papel reforçado no apoio de emergência, ao nível do patrulhamento, e caberá à Força Aérea a gestão e operação dos meios aéreos. Segundo o primeiro-ministro, haverá "um papel alargado" das Forças Armadas no que concerne "ao apoio militar de emergência ao nível do patrulhamento, nas ações de rescaldo, na parte logística, no auxílio junto das populações e, ainda, no que respeita às capacidades no apoio ao processo de decisão". António Costa frisou que a Força Aérea "ficará com a gestão e operação dos meios aéreos de combate aos incêndios florestais".

Fonte: Correio da Manhã

Morre sem Capacete em Despiste de Moto


Um motociclista perdeu a vida em resultado de um despiste, ao final do dia de sexta-feira, cerca da 18h00, na zona das Sesmarias, em Albufeira. Ao que apurou o CM, a vítima estaria a conduzir sem capacete, o que poderá ter contribuído para o desfecho fatal.

O homem, de 62 anos e de nacionalidade belga, que tinha uma casa de férias no Algarve, perdeu o controlo da scooter em que seguia e foi embater num passeio que fica a um nível elevado em relação à estrada e depois num sinal de trânsito. 

Quando os bombeiros de Albufeira chegaram ao local, encontraram a vítima em paragem cardiorrespiratória. Foram feitas tentativas de reanimação durante cerca de uma hora, mas sem sucesso. O óbito acabou por ser confirmado por uma equipa médica do INEM. O despiste deu-se próximo do cruzamento para a praia da Coelha, entre São Rafael e a Praia da Galé, tendo a estrada estado encerrada à circulação durante algum tempo. 

O Núcleo de Investigação de Acidentes de Viação (NICAV) do Destacamento de Trânsito da GNR de Albufeira está agora a investigar as causas do acidente. No local estiveram 15 operacionais, com seis viaturas, dos bombeiros, INEM, GNR e Polícia Municipal de Albufeira. Esta morte vem engrossar as cifras negras da sinistralidade nas estradas algarvias. Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, no período de 1 de janeiro a 15 deste mês já tinham morrido na região 24 pessoas.

Fonte: Correio da Manhã

Presidente da Liga dos Bombeiros diz que resposta do Governo foi emotiva e precipitada


O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP) acusou o Governo de ter dado, este sábado, uma resposta emotiva e precipitada sobre os incêndios, mas ressalvou que muitas das medidas aprovadas são reivindicações antigas dos bombeiros.

“Mal vai um país quando é assim governado por emoções, e por decisões [tomadas] porque tem de se dizer qualquer coisa ao país”, afirmou Jaime Marta Soares, em declarações à Lusa, após o Conselho de Ministros extraordinário de sábado ter aprovado várias medidas contra incêndios florestais, nomeadamente a profissionalização do modelo de combate aos fogos.

“A emoção não deve deixar de dar lugar primeiro à razão”, afirmou, defendendo que não deve haver precipitação nesta tomada de decisões, que entidades como os bombeiros, a Marinha, o Exército, a Força Aérea, a PSP, ou a GNR devem ser ouvidas antes da tomada de decisões, por se tratar de um problema do país, e de todos os portugueses.

Jaime Marta salientou que a resposta à tragédia dos incêndios, que desde junho vitimaram mais de 100 pessoas, tem de ser consistente: “Têm de ser reformas que, daqui a meia dúzia de anos, não nos estejamos a arrepender, como estamos a arrepender destas, que têm dez anos e que poderiam ter sido melhor se os bombeiros tivessem sido ouvidos”.

O presidente da Liga criticou o Governo por não parar “uns dias” para refletir e por anunciar que os bombeiros “vão fazer isto ou aquilo” sem antes falar estes operacionais que, lembrou, “não são propriedade do Estado”. A Liga apoia a profissionalização dos bombeiros, uma medida anunciada sábado, mas alerta para a necessidade de antes ser necessário explicar ao país que essa é uma consequência do “mau tratamento” e da situação “dramática” em que sucessivos governos deixaram a floresta.

“Dou só exemplo do Pinhal de Leiria, que é estatal, uma vergonha nacional”, afirmou, explicando que a partir do momento em que o Governo anuncia a necessidade de profissionalização “de um momento para o outro, aparenta que os bombeiros não foram capazes”. O presidente da Liga disse ainda que, se há contas a pedir, sobre os incêndios dos últimos meses, que as peçam às estruturas do Estado e não aos bombeiros, que “fizeram bem aquilo que tinham que fazer” e com o seu “sentido de missão”.

Jaime Marta considera também positiva o novo papel das Forças armadas na prevenção de incêndios, mas disse esperar que essa atuação seja também no rescaldo dos incêndios, um função que considera dever ser das forças armadas. “Pena é que com tanto know how que têm, com tantos efetivos, já não estivessem no terreno como sempre pedimos”, afirmou.

Também está de acordo com a Força Aérea a gerir os meios aéreos, mas alertou que é necessário saber que quantidade de aparelhos o Estado vai adquirir e como vai ser feita a sua gestão ao longo do ano: “Não pode ser só por um calendário de épocas, temos de estar preparados para qualquer momento”, frisou. As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Fonte: Observador

Governo Contrata 17 Meios Aéreos Contra Fogos até ao Fim do Mês


O dispositivo de combate aos incêndios foi reforçado com mais 17 meios aéreos, até final de outubro, por causa do risco de fogo florestal, anunciou o Ministério da Administração Interna (MAI). 

Em comunicado divulgado domingo à noite, o MAI explica que o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, autorizou o reforço do dispositivo aéreo de combate aos incêndios com 17 meios aéreos: 13 helicópteros ligeiros e quatro aviões médios anfíbios. 

Este reforço significa "praticamente uma duplicação do dispositivo de meios aéreos disponíveis até ao final de outubro -- de 18 para 35 --", num investimento de cerca 1,4 milhões de euros, lê-se na nota de imprensa. Para os próximos dias haverá também um aumento de meios de combate, de 660 elementos e 132 viaturas, e um reforço do patrulhamento por parte das Forças Armadas, com 86 equipas de patrulha em todos os distritos do território continental, em articulação com a GNR e a PSP. 

A decisão do MAI é tomada tendo em conta "a previsão de condições meteorológicas adversas e o índice de risco de incêndio florestal previstos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera até ao final do mês de outubro, bem como os níveis de alerta especial determinados pela Autoridade Nacional de Proteção Civil para os próximos dez dias". Aqueles 17 meios aéreos ficam disponíveis para operar a partir de hoje e até 31 de outubro em Vila Real, Viseu, Braga, Fafe, Alfândega da Fé, Armamar, Águeda, Guarda, Cernache, Proença-a-Nova, Pernes, Portalegre, Ourique, Grândola e Monchique. 

O novo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e o novo secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Tavares Neves, tomaram posse no sábado e visitaram no domingo a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Fonte: Correio da Manhã

Bombeiros Posicionados para Atacar Fogos


Os bombeiros estão em prontidão elevada e brigadas de intervenção vão ser hoje posicionadas nas bases de apoio logístico de Castelo Branco, Loulé e Viseu devido ao alerta para o aumento das temperaturas e do risco de incêndio florestal que se vai manter até quarta-feira. 

Segundo apurou o CM, a ANPC pediu aos comandos distritais para mobilizarem pelo menos um grupo de reforço de bombeiros. Também o GIPS da GNR e a Força Especial de Bombeiros, fundamentais para o ataque inicial aos fogos nascentes, vão aumentar a prontidão. As Forças Armadas foram chamadas para patrulhar locais de maior risco e admitia-se pedir ajuda à PSP. A ANPC também colocou em pré-aviso o mecanismo europeu de Proteção Civil e os protocolos com Espanha e Marrocos para meios aéreos. 

As autarquias estão avisadas para prepararem a mobilização ou posicionarem as suas máquinas de rasto e foi-lhes pedido que avisem as populações e reprimam ações de risco. Hoje, o sotavento e as serras algarvias, Marvão e Torre de Moncorvo estão em risco muito elevado de incêndios florestais

Fonte: Correio da Manhã

Costa anuncia Unidade de Missão para a Protecção Civil. E pede desculpa


No final do conselho de ministros extraordinários deste sábado, o primeiro-ministro António Costa anunciou que foi definida uma Unidade de Missão que dependerá directamente de si e que “conduzirá o processo de transformação” para um modelo em que sejam reforçados os meios de Protecção Civil, primando pela prevenção e pela especialização no combate aos fogos. António Costa revelou ainda que a Força Aérea Portuguesa passa a ser responsável pela gestão dos meios aéreos de combate ao incêndio e que a Protecção Civil passa a ter “um quadro de profissionais próprio, com carreira própria e dirigentes designados por concurso”.

No discurso da noite de sábado, o primeiro-ministro admitiu ter errado na forma como reagiu inicialmente aos incêndios de domingo passado (que resultaram na morte de 44 pessoas), afirmando que conteve demasiado as emoções: “Cada um vive as emoções de um modo próprio”, justificou ainda, confessando que preferia ter sido acusado de ter sido mais emotivo do que foi na altura. “Percebo a urgência que todos sentimos e a revolta que muitos sentem”, prosseguiu, mas garantiu que “o que é urgente vai ser feito” e que há margem orçamental para o fazer.

Ao longo do dia, o Governo foi anunciando um conjunto de medidas para prevenir que se repita o desastre de 2017 em matéria de incêndios: a prioridade é, para já, o apoio às vítimas mas haverá uma reforma subjacente, assente na prevenção.

Foi aprovada uma estratégia nacional de Protecção Civil preventiva, já que o organismo “não é só para depois das calamidades”. A “reforma profunda” na Protecção Civil passará pelo reforço das Forças Armadas e pela “capacitação” dos Bombeiros, para que sejam criadas “equipas profissionais” nas zonas de maior risco de incêndios. Os meios do Ministério da Agricultura e da Administração Interna também serão reforçados.

Para reparar os estragos dos incêndios deste ano, o primeiro-ministro referiu que foi aprovado um conjunto de medidas para reconstrução de habitações, empresas e para apoiar a agricultura. Serão gastos 328 milhões “que importa fazer chegar ao terreno”, afirmou – para a reconstrução das mais de 500 casas destruídas serão alocados 30 milhões de euros e 100 milhões são destinados às três centenas de empresas afectadas pelos incêndios. No que diz respeito às famílias das vítimas mortais de Pedrógão Grande, António Costa refere que foi conseguido um acordo “célere e justo para reparar o que é irreparável”. 

Outro dos objectivos acordados neste sábado é “tornar o território mais resistente e as infra-estruturas menos permeáveis a situações de catástrofe”, assegurar faixas de protecção nas vias e em redor das povoações e um melhor aproveitamento das calhas técnicas para enterrar cabos de comunicações e electricidade, de forma a que não voltem a falhar em casos de incêndio. Estas decisões, afirma o primeiro-ministro, implicam investimentos “muito significativos”.

António Costa admitiu que, depois da análise do relatório da Comissão Técnica Independente, entregue na semana passada, e do que aconteceu neste Verão, “nada pode ficar como antes”.

Fonte: Publico

sábado, 21 de outubro de 2017

Bombeiros de Aveiro Emocionados com Solidariedade da População


O comandante dos Bombeiros Novos de Aveiro, Ricardo Fradique, mostrou-se hoje emocionado com a manifestação intitulada "Portugal contra os Incêndios", que juntou cerca de 300 pessoas em Aveiro.

"Estamos emocionados por ver o povo aveirense a agradecer aos seus bombeiros aquilo que pudemos fazer. Não há dúvida que estão a reconhecer o nosso esforço e é isto que nos move e que nos vai fazer continuar a desempenhar a nossa missão o mais possível", disse à Lusa Ricardo Fradique.

Trajados de negro e empunhando cartazes com frases como "Bombeiros heróis", "Terrorismo nunca mais" e "Queremos mudanças nas penas dos incendiários. Queremos proteção da floresta e do povo", os manifestantes percorreram várias ruas de Aveiro num desfile silencioso, que passou pelo quartel dos Bombeiros Velhos e terminou no quartel dos Bombeiros Novos.

O silêncio só foi quebrado em frente aos quartéis das duas corporações de bombeiros da cidade, onde os manifestantes estiveram largos minutos a bater palmas, perante os soldados da paz, visivelmente emocionados.

Na ocasião, foram ainda recolhidos donativos para os bombeiros e distribuídas fichas de inscrição de associados das corporações locais.

André Martins, um dos elementos da organização, explicou que esta iniciativa teve como objetivo protestar contra a atuação do Estado nos incêndios e agradecer aos bombeiros o trabalho que têm feito.

"Vimos por este meio, sem qualquer tipo de preconceito, dizer o que nos vai no peito. Ninguém tem o direito de deixar o país desfeito. Obrigado a todos os soldados da paz, enquanto o Governo nada faz. Palavras de consolação não alimentam ninguém, reflitam, pensem bem", escreveu André Martins, num poema que foi proclamado no início da manifestação.

Jorge Jesus deslocou-se de Vagos, um dos concelhos mais fustigado pelos incêndios no último domingo, para pedir "mais meios aéreos e mais bombeiros no terreno".

Miguel Varela disse que esteve na manifestação para expressar solidariedade em relação aos bombeiros.

"Muitas vezes os bombeiros são injustiçados e incompreendidos, porque as pessoas queixam-se que eles nunca estão presentes e é impossível estarem em todo o lado", disse este manifestante que na madrugada de domingo viu o fogo chegar "muito perto" da sua casa em Quintãs, Aveiro.

Por outro lado, diz que "é preciso dizer basta", adiantando que "todos os anos, assistimos a isto por todo o país, este ano com maior violência, com perdas de vidas humanas".

"Chega. Acho que não faz sentido, ano após ano, estar com desculpas. Temos de proteger aquilo que é nosso e acho que já é tempo de deixar de haver desculpas e passar a haver ação", sintetizou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos de domingo obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões norte e centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Fonte: Noticias ao Minuto

Dois Jovens Morrem em Despiste Seguido de Queda de Seis Metros


Dois jovens morreram este sábado de madrugada na sequência de um despiste na EN 204 no Louro, em Famalicão.

As vítimas, na casa dos 20 anos de idade, circulavam no sentido Barcelos/ Famalicão quando, pelas 04.15 horas, o carro em que seguiam entrou em despiste e caiu de uma altura de cerca de seis metros. O carro galgou os rails e caiu num pequeno ribeiro.

Quando os bombeiros chegaram ao local das vítimas estavam em paragem cardiorrespiratória. Apesar das manobras de reanimação sucumbiram no local.

Os Bombeiros Famalicenses e a VMER de Famalicão prestaram socorro. A GNR de Famalicão e Barcelos estiveram no local. O Núcleo de Investigação em Acidentes de Viação recolheu vestígios e vai agora investigar as causas do acidente.

Durante cerca de três horas a estrada esteve cortada naquele local, pelo que o trânsito fez se por vias alternativas.

Fonte: JN


Milhares nas Ruas em Protesto Contra os Incêndios


Milhares saíram à rua em todo o país, este sábado, em protesto contra as políticas florestais, na sequência dos trágicos incêndios de junho e outubro.

No Porto, Coimbra, Lisboa, Viseu ou Viana do Castelo foram palco para milhares de pessoas, que quiseram homenagear também as vítimas dos incêndios e o trabalho dos bombeiros.

A "Manifestação silenciosa: Portugal contra os incêndios" decorreu este sábado, na Avenida dos Aliados, no Porto, e contou com a presença de cerca de 500 pessoas que, através de mensagens escritas em cartazes, expressaram a solidariedade a favor das 44 vítimas mortais dos fogos.

Palavras como "Basta!", "Incêndios são da culpa do Governo" ou "Incêndios = Terrorismo", escritas em cartolina ou tecido, foram levantadas, à medida que a multidão se juntava em frente à Câmara Municipal do Porto.

Apesar de ser silenciosa, várias foram as pessoas que, de bandeira de Portugal na mão, se juntaram num círculo e aproveitaram a ocasião para colocarem em causa a falta de recursos para o combate aos incêndios e a necessidade de reestruturar as políticas de ordenamento do território. A cada pergunta lançada, a multidão aplaudiu os intervenientes anónimos. 

No início da manifestação em Lisboa, houve alguns momentos de tensão entre os participantes. Dois manifestantes exibiram um cartaz que atribuía responsabilidades pelas mortes deste ano nos fogos não só ao atual governo, como ao anterior executivo, liderado pelo PSD/CDS-PP.

Numa iniciativa assumida como apartidária, alguns manifestantes não gostaram de ver as referências aos partidos políticos e insurgiram-se, com agressividade física e verbal e tentativas de retirar o cartaz aos dois homens. A intervenção da PSP permitiu separar os manifestantes e acalmar os ânimos.

A manifestação, que ocupou parte do Terreiro do Paço, reuniu cerca de cinco mil pessoas, entre elas familiares de vítimas que morreram no incêndios de Pedrógão Grande e pessoas que viveram de perto os fogos do último fim de semana. Às 17.30 horas cumpriu-se um minuto de silêncio em memórias das vítimas.

Fonte: JN

Proteção Civil Alerta para Condições Favoráveis a Fogos Florestais


O "tempo quente e seco", previsto para a próxima semana, oferece as "condições favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais", alertou este sábado a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Num "aviso à população", emitido hoje, a ANPC afirma que "devido ao agravamento das condições meteorológicas, com uma subida da temperatura", reúnem-se as "condições favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais". 

A ANPC refere as previsões do Instituo Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), segundo as quais, "a partir de amanhã, domingo, 22 de outubro, e até ao final da semana", há "um período de tempo seco e subida de temperatura, para valores acima da média para esta época do ano". Estas condições meteorológicas são "favoráveis à propagação de incêndios rurais na eventualidade de se verificarem ignições do material lenhoso, não obstante a precipitação registada nos últimos dias". 

A ANPC salienta que "o país atravessa um já longo período de seca e, além disso, existe grande quantidade de material combustível acumulado e suscetível de arder rápida e violentamente nos espaços florestais". Neste sentido, a ANPC afirma que até ao final do mês vigora o "período crítico", pelo que não é permitido "realizar queimadas de fogueiras para recreio ou lazer ou para confeção de alimentos", "utilizar equipamentos de queima e de combustão destinados a iluminação ou a confeção de alimentos", ou "queimar matos cortados e amontoados, bem como qualquer outro tipo de sobrantes de exploração".

Também não é permitido "lançar balões com mecha acesa ou qualquer outro tipo de foguetes, fumar ou fazer lume de qualquer tipo nos espaços florestais e vias de atravessamento ou circundantes", e "fumigar ou desinfestar apiários com utensílios que não estejam equipados com dispositivos de retenção de faúlhas". 

Aconselha a ANPC a "manter as máquinas e equipamentos limpos de óleos e poeiras", "abastecer as máquinas a frio e em local com pouca vegetação", e "guardar todo o cuidado com as faíscas aquando do seu manuseamento, evitando a sua utilização durante os períodos de maior calor". As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves. Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. 

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Fonte: Correio da Manhã

Cinco Feridos de Fogos de Pedrógão Grande ainda Hospitalizados


Cinco dos feridos dos incêndios da zona de Pedrogão Grande ainda se encontravam internados em hospitais, quase quatro meses depois dos fogos que mataram 64 pessoas. 

Segundo o mais recente relatório da Comissão de Acompanhamento das Vítimas dos Incêndios do Pinhal Interior Norte, entregue ao Ministério da Saúde, no dia 09 deste mês ainda estavam internados cinco doentes, de acordo com o documento a que a agência Lusa teve acesso. 

No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), estavam na unidade de cirurgia plástica um homem de 39 anos e uma mulher de 64 anos, queimados, a evoluir favoravelmente. No serviço de ortopedia do mesmo hospital encontrava-se uma mulher de 68 anos, com fraturas múltiplas, a evoluir favoravelmente. Na unidade de queimados do Hospital de São João, no Porto, estava internado um homem de 50 anos, queimado, mas também com situação a evoluir favoravelmente. 

O caso mais grave, com prognóstico reservado, referia-se a um homem de 43 anos, queimado, internado na unidade de queimados do Hospital Lá Fé (Valencia).

O balanço indica ainda um bombeiro de 47 anos que recebeu alta da Unidade de Queimados do Hospital Santa Maria, em Lisboa, e que se encontra num programa de reabilitação no serviço de fisiatria do Hospital Rovisco Pais, na Tocha. 

Na Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) de Figueiró está um homem de 75 anos, na UCCI de Pedrógão encontra-se um homem de 39 anos e na UCCI da Moita um homem de 86 anos.

Fonte: Correio da Manhã

Quatro Mortos em Despiste


Quatros mortos, dois feridos graves e um ligeiro. Foi este o trágico balanço em apenas três acidentes rodoviários registados ontem de Norte a Sul do País. 

O mais grave, com dois mortos, pai e filho, de 41 e 24 anos, ocorreu numa das curvas da morte da EN14, em Lantemil, na Trofa, numa colisão brutal entre o veículo em que seguiam e um pesado. Em Vila Verde de Ficalho, Serpa, uma criança de quatro anos perdeu também a vida num despiste de um automóvel na EN385. A irmã, de 16 meses e a mãe, de 26 anos, ficaram gravemente feridas. O pai, de 23, sofreu ferimentos ligeiros. 

A quarta vítima mortal, João Oliveira, de 19 anos, professor de equitação em Ponte de Sor, resultou de uma colisão frontal do carro que conduzia e um camião na EN2, em Bemposta, Abrantes. A comunidade escolar ficou em choque.

Fonte: Correio da Manhã
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