Suspeito de Incêndios na Madeira Condenado a Três Anos de Prisão Efetiva VIDA DE BOMBEIRO

domingo, 25 de junho de 2017

"Em Portugal, o nosso Estado Islâmico Chama-se Incêndios Florestais"


A tragédia que atingiu, em particular, o concelho de Pedrógão Grande começou há, exatamente, uma semana, razão pela qual o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto é Duarte Caldeira, ex-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses e atual presidente do Centro de Estudos de Intervenção e Proteção Civil.

O último balanço da tragédia ocorrida na região Centro do país dá conta de 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos. Aldeias evacuadas, habitações destruídas, pessoas retiradas de casa por precaução e uma enorme mancha cinzenta. É desta forma que se pode descrever os efeitos dos incêndios da última semana, tendo sido o de Pedrógão Grande o mais gravoso.

Para Duarte Caldeira é “óbvio que teve de falhar alguma coisa”, embora defenda que nenhuma das falhas partiu da Polícia Judiciária que afirmou, perentoriamente, que a causa do incêndio foi uma trovoada seca.

A ausência de uma estratégia que defina a interdição das vias rodoviárias no perímetro do incêndio é uma das falhas apontadas pelo especialista que acusa a Proteção Civil de ser “fechada a opiniões exteriores”, apontando quatro lições que, sublinha, devem ser retiradas desta tragédia. 

Como é que se explica a tragédia de Pedrógão Grande?

Ora, num país que lida com incêndios florestais gravosos há 30 anos, é óbvio que teve de falhar alguma coisa. É impossível perante um resultado destes, em que morrem 64 pessoas, que não tenha falhado alguma coisa.

As pessoas estão habituadas a que as trovoadas tenham um trovão que seja audível
A Polícia Judiciária diz que o incêndio teve origem numa trovoada seca…

Acredito perfeitamente na versão veiculada pela Polícia Judiciária. Não me passa pela cabeça que uma instituição com o prestígio, a competência técnica e científica, e a idoneidade que tem pudesse inventar uma versão relativamente à causa do incêndio que não seja tecnicamente sustentada.

Mas os populares garantem que as trovoadas começaram mais tarde, quando o incêndio já lavrava.

Há aqui um erro de desconhecimento científico. É que as pessoas estão habituadas a que as trovoadas tenham um trovão que seja audível. Só que quando as nuvens estão muito altas podem ocorrer, perfeitamente, trovoadas e descargas sem que seja percetível pelas pessoas. Aliás, os registos do IPMA demonstram que efetivamente havia descargas na altura em que o início [do incêndio] ocorre, embora não tenham sido percecionadas pelas pessoas.

Considera que o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses se precipitou ao dizer que acredita que o incêndio teve "mão criminosa"?

Não quero fazer juízos de valor porque também não conheço quais são as razões que levaram o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses a afirmar o que afirmou. Eu não me permito a mim, cidadão, pôr em causa a seriedade técnica e científica da Polícia Judiciária. Para mim, esta questão está absolutamente esclarecida.

Voltemos à primeira questão então… Como é que se explica esta tragédia?

O problema em Portugal é que os incêndios são potenciados por carga combustível resultante do estado a que a floresta chegou. Esta é a primeira dimensão do problema dos incêndios. A segunda diz respeito às condições meteorológicas e, no sábado, estavam todas as condições reunidas para que o incêndio deflagrasse. A terceira dimensão, que é no fundo a que está em discussão, é como é que se respondeu? Qual foi o tipo de resposta operacional a este conjunto de circunstâncias?

O sucesso de uma operação da Proteção Civil reside fundamentalmente na capacidade de antecipação da evolução da ocorrência
E qual foi?

É preciso que se perceba que estamos na presença, não de uma operação de bombeiros, mas de uma operação da Proteção Civil. Não é a mesma coisa. A operação da Proteção Civil tem um caráter multi-institucional, isto é, não são apenas os bombeiros que estão envolvidos, são também outras autoridades. O sucesso de uma operação da Proteção Civil reside fundamentalmente na capacidade de antecipação da evolução da ocorrência.

E houve essa capacidade?

No aspeto da segurança das pessoas há nitidamente, do meu ponto de vista, uma falha que não é deste incêndio florestal, é do sistema, pois não está devidamente considerada, aquando da ocorrência de incêndios florestais, a salvaguarda da segurança das vias rodoviárias existentes nos perímetros de incêndio. Não se pode estar à espera que um incêndio possa afetar uma via rodoviária para se tomarem as medidas de precaução necessárias.

Isso pressupõe uma mobilização muito grande de elementos das forças de segurança…

Seguramente que sim, mas perante a ocorrência de um incêndio florestal, que todos sabemos que em Portugal se transforma rapidamente em grandes operações da Proteção Civil, deverá ser equacionada a necessidade de reforço dos elementos das forças de segurança que permitam a adoção de medidas cautelares de imediata interdição das vias rodoviárias.

É isso que justifica as 47 mortes na Estrada Nacional 236-1?

Eu estou a afirmar que não é um problema deste incêndio, ou seja, a inexistência desta abordagem do problema já podia ter criado, em situações anteriores, problemas deste tipo porque não há, no sistema de planeamento operacional, esta abordagem de interdição imediata das vias rodoviárias do perímetro do incêndio com a mobilização suplementar de agentes da autoridade.

Que esta circunstância foi a causa da morte de 47 pessoas naquela estrada não é ainda possível afirmar

Mas quando era presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses alertou para esta questão. Não se fez nada porquê?

O nosso sistema de Proteção Civil está marcado por uma grande dificuldade de os decisores terem disponibilidade e humildade para ouvir e aprender. O nosso sistema de Proteção Civil está excessivamente impregnado de opiniões, há uma discussão fechada que faz com que se torne impenetrável a opiniões exteriores. Ninguém sabe tudo de nada. É indispensável que o nosso sistema de Proteção Civil aprenda a abrir-se ao conhecimento exterior, aprenda a não descurar a opinião das universidades, dos centros de investigação e dos especialistas.

Então não podemos isentar totalmente de culpas a Proteção Civil.

A Proteção Civil não é uma entidade abstrata, é um sistema que tem serviços e órgãos. Quando falamos de Proteção Civil é uma coisa abstrata, tudo é Proteção Civil. Quando falamos de Proteção Civil é preciso precisar do que é que estamos a falar. A razão por que tem que haver uma unidade de comando na Proteção Civil é exatamente em função da sua especificidade. É um conjunto de partes autónomas que, em determinada situação, se transforma num todo e tem que funcionar como um todo. E sempre que este sistema não funciona como um todo, abre fratura no seu seio.

Reformulando: podemos isentar de culpas a unidade de comando da Proteção Civil em Pedrógão?

Neste momento não podemos, nem isentar, nem atribuir culpas a ninguém. Agora, que há culpas, no sentido de responsabilidades, a apurar, isso há. E isto não tem que significar necessariamente, como é prática em Portugal, cortar cabeças. Esta é a forma mais idiota e medíocre de abordar esta questão. Nesta fase não se pode colocar em cima da mesa demissões porque são coisas demasiadamente sérias para serem tratadas assim. Mesmo que isso se faça não pode ficar sem resposta e sem identificação o que é que realmente falhou neste sistema.

Nós não temos uma rotina em Portugal de apuramento das coisas, mas temos que começar a ter, pois quando estamos na presença de 64 pessoas que perderam a vida nestas circunstâncias não houve nem eficácia, nem eficiência. É preciso ir à procura então de por que razão não houve nem eficácia, nem eficiência

Parece que também não houve eficácia nas comunicações. Como é que funciona o SIRESP?

O SIRESP é um sistema de comunicações com tecnologia de ponta que tem sistemas de replicação, ou seja, sistemas alternativos que quando falha um o outro entra em ação. A questão das falhas do SIRESP não é de relevância técnica, porque falhando o SIRESP é possível utilizar de imediato modelos de replicação para que não haja interrupção na comunicação. E se há interrupção é uma fração de segundos, não é relevante do ponto de vista técnico. A análise que está a ser feita ao SIRESP é política.

O SIRESP funciona através de antena de telemóvel ou satélite?

É um sistema que tem infraestrutura física, ou seja, funciona por antena. Não é exatamente como a antena de telemóvel, mas funciona com a instalação de uma antena física.

Mas faz sentido ficarmos reféns de uma estrutura física que pode ser destruída pelas chamas?

O SIRESP não é apenas para os incêndios florestais. Nós estamos a falar de um incêndio quando o sistema de comunicações de catástrofes tem a ver com todo o tipo de catástrofes.

Se houvesse um furacão, as antenas não sobreviveriam à força dos ventos…

Vamos lá ver. Quando falha o sistema de comunicação, os sistemas de replicações muitos funcionam por via satélite. O SIRESP, do ponto de vista operacional, não pode ser discutido como está a ser discutido. A mais-valia do SIRESP é a possibilidade de todos os agentes que estão numa ocorrência comunicarem entre si. Quando falha o SIRESP, cada agente não fica sem comunicações, os diferentes agentes ficam é com dificuldade em comunicar entre si. Esta questão está a ser abordada na perspetiva de confundir a discussão política com a operacional, o que é perverso. Está na hora de cada agente da Proteção Civil, sem exceção, olhar para dentro e perguntar: será que estamos a fazer certo o que deve ser feito?

Que lições se devem tirar desta tragédia?

Em primeiro lugar levar a sério e definitivamente a alteração do mundo rural em Portugal, porque o nosso território está absolutamente anarquizado e a verdade é que um dos grande aliados dos incêndios é a ausência de ocupação humana do espaço. É preciso passar das palavras aos atos, porque não há falta de diagnóstico há é falta de coragem política.

Há outro Portugal para além das cidades e dos turistas e que só é lembrado quando os incêndios ocorrem.

Em segundo lugar, o nosso sistema de Proteção Civil continua a ter vulnerabilidades que precisam de atenção e de decisões e em terceiro lugar falta uma estratégia de comunicação todos os dias.

Estamos a falar de comunicação interna ou externa?

Não me refiro apenas à estratégia de comunicação que leva a filtrar uma informação que chega sobre a queda de um canadair antes de a transformar num acontecimento público. Não se pode transformar um alerta, antes de se saber se é falso, num acontecimento nacional. A realidade é que os cidadãos não sabem o que fazer em situações de catástrofe. 

Um estudo feito há dois anos concluiu que 80% dos portugueses não sabe nem manusear um extintor nem o que fazer durante um sismo. Ficou demonstrado outra vez que um cidadão é o primeiro garante da sua sobrevivência se souber o que fazer. Na sociedade portuguesa não existe uma cultura de auto-proteção porque também não tem sido definida como prioridade no sistema de Proteção Civil a formação dos cidadãos. A quarta e última lição prende-se com o facto de estas questões de segurança não poderem ser tratadas durante o ano apenas como dimensões orçamentais, porque em Portugal o nosso Estado Islâmico chama-se incêndios florestais. Temos que olhar para os incêndios como um problema de segurança nacional.

Noticias ao Minuto

Carro Abalroa Ambulância que Estava a Prestar Socorro em Esposende


Uma colisão entre um veículo ligeiro e uma ambulância do INEM, na A28, em Esposende, provocou, este sábado de manha, um ferido ligeiro.

O acidente ocorreu no sentido Póvoa de Varzim/Viana do Castelo pelas nove horas.

A ambulância, ao serviço dos Bombeiros Voluntários de Esposende, prestava socorro na berma da estrada, numa outra ocorrência - da qual tinha resultado também um ferido -, quando foi abalroada pelo automóvel.

A vítima, o condutor do ligeiro, um jovem de 23 anos, de Monção, foi assistido pelos Bombeiros Voluntários de Fão e transportado para o Hospital de Braga.

O ferido resultante do primeiro acidente, uma mulher, foi assistido pela mesma corporação e levado para o Hospital de Barcelos.

JN

Carro em Chamas Foi Contra Casa na Maia


Um automóvel incendiou-se e acabou por embater contra uma habitação, ao início da noite deste domingo, em Vermoim, na Maia.

O acidente ocorreu cerca das 19.30 horas, na Avenida D. Manuel II.

Segundo depoimentos recolhidos pelo JN no local, a viatura, um Ford Focus, era conduzida por uma mulher de 60 anos, que, ao aperceber-se de que saía fumo do capot, parou e saiu para colocar o triângulo.

Porém, as chamas tomaram por completo o veículo, que destravou-se e, desgovernado, colidiu contra uma residência e um semáforo.

O carro ficou destruído e o fogo provocou também danos na fachada da habitação.

A condutora não sofreu ferimentos, mas ficou bastante abalada, tendo sido assistida por uma ambulância da Cruz Vermelha.

Os Bombeiros Voluntários da Maia e a PSP também foram acionados para o local.

JN

Bombeiros Famalicenses com Novos Veículos em Dia de Aniversário


Os Bombeiros Famalicenses contam a partir deste domingo, com uma nova ambulância de socorro, um carro de comando e ainda um veículo para combate a matérias perigosas, que foi recuperado.

A bênção dos novos carros decorreu na cerimónia de comemoração dos 90 anos da corporação que conta com 140 bombeiros no ativo.

"Preenchemos uma lacuna que era a necessidade de um carro de combate às matérias perigosas", adiantou Bruno Alves, comandante dos Bombeiros Famalicenses que frisou a importância das novas gerações de bombeiros.

A corporação apresentou a escola de cadetes e infantes com 40 elementos dos 6 aos 16 anos.

Bruno Alves desafiou os deputados presentes na sessão solene a discutir e analisar na Assembleia da República um decreto "consubstanciado" para que as medidas na área da proteção civil sejam eficazes e adequadas.

O comandante defendeu que as responsabilidades de todo o socorro sejam atribuídas aos bombeiros e que seja criado um comando "autónomo". "Assim não será necessário profissionalizar o socorro e ficará bem melhor", avançou.

Também Jaime Marta Soares da Liga Portuguesa de Bombeiros apelou para que os deputados os ouçam quando estão a fazer as leis. "As reformas são feitas pelo povo e para o povo, senão não resultam", acrescentou.

Marta Soares relembrou a tragédia de Pedrógão Grande para dizer que "nada será como dantes" e garantiu que não vai deixar "que a culpa morra solteira.

O presidente dos Bombeiros Famalicenses, António Meireles, salientou os 333 elementos que fazem com que a corporação funcione e lembrou que têm "projetos ambiciosos que aguardam parecer da tutela".

Segundo o responsável já estão reunidos todos os pareceres necessários faltando apenas "luz verde" da tutela para que o Centro de Formação e Treinos e Base de Apoio Logístico possa avançar.

JN

Incêndio de Pedrógão Grande Destruiu Mais de 200 Casas


O número de habitações totalmente destruídas pelo incêndio que começou no dia 17 em Pedrógão Grande já ultrapassa as 200, disse, este domingo, o presidente do município, Valdemar Alves, que considerou a situação catastrófica.

"É um desastre e o levantamento continua a ser feito pelos técnicos. Queremos ver se encerramos o levantamento na quarta-feira. As habitações destruídas são muitas. Enfim, não poderei dar um número exato, mas são muitas, para cima de 200 habitações", afirmou.

O autarca disse que visitou hoje os lugares de Nodeirinho e Figueira - dos mais atingidos pelo fogo que provocou a morte a 64 pessoas -, e explicou que a situação ao nível das habitações nestas duas localidades é "muito preocupante".

"É uma coisa aflitiva. O número de habitações completamente ardidas e com destruição mesmo total é demasiado elevado. É uma catástrofe. Parece que passaram ali uns bombardeiros e deixaram cair bombas", frisou.

Já em relação às garantias para a recuperação dos imóveis, Valdemar Alves adiantou que tem as garantias do Governo.

"Os fundos vão ser também dirigidos para a recuperação das habitações. Tenho a promessa e ela vai ser cumprida", concluiu.

O incêndio que deflagrou no dia 17 em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto no sábado.

O fogo atingiu também os concelhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, e chegou aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

JN

Quatro Bombeiros de Castanheira de Pera Continuam Internados


O comandante dos Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pera, José Domingues, disse, este domingo, à agência Lusa que os quatro bombeiros da sua corporação internados mantêm-se todos com prognóstico reservado.

"Temos dois bombeiros internados no hospital de Santa Maria (Lisboa), um na Prelada (Porto) e uma nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Estão todos com prognóstico reservado", afirmou o responsável, a propósito dos bombeiros que ficaram gravemente feridos na sequência do incêndio que deflagrou dia 17 em Pedrógão Grande e que provocou a morte a 64 pessoas.

José Domingues, no momento em que falou por telefone com a Lusa, encontrava-se em Lisboa, no hospital de Santa Maria, para visitar e inteirar-se do estado dos seus operacionais ali internados.

"Os operacionais estão todos ventilados e apresentam queimaduras no corpo e nas vias aéreas", explicou o comandante dos Voluntários de Castanheira de Pera.

Angustiado com aquilo que aconteceu aos seus operacionais, José Domingues desabafou: "O que precisávamos era que estivessem bem. Ainda andamos anestesiados com estas loucuras".

Além destes quatro feridos com prognóstico reservado, um bombeiro também da Castanheira de Pera morreu no combate às chamas.

Gonçalo Conceição, de 39 anos, casado e com um filho, morreu na segunda-feira, no hospital de Coimbra, onde estava internado, depois de ter ficado gravemente ferido.

O fogo que deflagrou em Pedrógão Grande atingiu também os concelhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, e chegou aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

Além dos 64 mortos, provocou mais de 200 feridos.

JN

“A Minha Filha Ficou Queimada e Quer Regressar aos Fogos”


O marido é bombeiro, tal como o irmão, o cunhado e a filha. Na noite de sábado – há mais de uma semana –, quando tentou salvar a casa dos seus pais, Olga não sabia que a tragédia se tinha abatido sobre a família. 

Só ao chegar ao quartel, em Castanheira de Pera, é que soube que Filipa estava queimada. Tinha sido transferida para Coimbra. "Quando conseguimos salvar a casa dos meus pais fui ao quartel ver se estava tudo bem. Não sabia o que tinha acontecido, foi lá que me disseram que a Filipa tinha sido queimada. 

O meu marido, que estava noutro carro de combate, quando soube que a filha estava ferida também foi logo para o quartel. Ficámos em pânico", diz Olga, garantindo que a filha quer continuar a combater os fogos. "Vivo com o coração nas mãos. Mas a minha filha já me disse que quando recuperar vai voltar aos bombeiros." Para a mãe desta jovem, as circunstâncias do acidente envolvendo cinco bombeiros estão ainda por explicar. 

"Ela não se lembra de nada", garante, acrescentando: "O Gonçalo é um herói. Morreu a salvar pessoas, a tentar salvar colegas", disse referindo-se ao voluntário da corporação, de 40 anos, que perdeu a vida nesta tragédia. Quanto aos restantes bombeiros que se mantêm internados, apenas Rui Rosinha ainda corre risco de vida. 

A sua situação clínica é grave e sexta-feira o rim entrou em falência. "Rezamos por eles, para que sobrevivam", disse um dos bombeiros de Castanheira de Pera ao CM.

Fonte: Correio da Manhã

Novo Comandante dos Bombeiros de Entre-os-Rios Tomou Posse


É filho da terra e costuma dizer que tem “38 anos de vida e 38 anos de bombeiro”. Marco Ferreira, bombeiro há 23 anos e filho do antigo quarteleiro dos Bombeiros Voluntários de Entre-os-Rios, foi oficialmente empossado, este domingo, comandante da corporação, no dia em que os bombeiros assinalaram os 94 anos de existência.

Em funções desde Março, Marco Ferreira diz-se bem recebido pelos companheiros que conhece bem e que o seu principal objectivo passa por ajudar a direcção a equilibrar as contas da associação humanitária.

É BOMBEIRO HÁ 23 ANOS E NUNCA SONHOU SER COMANDANTE

Não nasceu dentro do quartel, mas quase. Desde pequeno que estar nos bombeiros se tornou rotina. Marco Ferreira é filho do antigo quarteleiro da corporação. “Foi o meu pai que me meteu o bichinho disto”, reconhece.

E porque “filho de peixe, sabe nadar”, ou pelo menos quer aprender, ingressou na corporação mal pôde, por volta dos 15 anos. Naquela altura, reconhece, era muito diferente ser bombeiro. “Agora estamos muito mais evoluídos e temos outras condições de trabalho, quer em viaturas quer em instalações. Mas na altura também havia um companheirismo diferente”, acredita.

É bombeiro há 23 anos. E ser comandante não lhe passava pela cabeça. Mas depois da demissão da estrutura do comando da corporação, em 2016, acabou por ser convidado, no final desse ano, para assumir as funções.

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Incêndio no sul de Espanha corta estradas e isola 50 mil pessoas


Cerca de 50 mil pessoas ficaram isoladas, este domingo, na localidade de Matalascañas, devido ao incêndio que começou em Moguer (Huelva), sul de Espanha, que obrigou ao corte de várias estradas, segundo autoridades espanholas citadas pelos meios de comunicação social locais.

Um incêndio florestal deflagrou na noite de sábado numa zona de pinheiros e de culturas de Moguer (Huelva), tendo penetrado no Parque Natural de Doñana, e está a ser combatido por mais de 550 operacionais do Infoca (o serviço andaluz de extinção de incêndios), da Unidade Militar de Emergências (UME) e do Consórcio Provincial de Bombeiros, apoiados por mais de duas dezenas de veículos e cerca de 25 meios aéreos.

Segundo fontes dos municípios afetados, citadas pelo jornal El Pais, foram cortadas três estradas, entre elas a A-494 e A-483, que ligam a Matalascañas, uma estância no coração do núcleo turístico no Parque Nacional de Doñana, deixando 50 mil pessoas dependentes da reabertura, mas com as autoridades a assegurar que não correm risco.

A conselheira de justiça e do interior da Junta de Andalucía, Rosa Aguilar, apelou à tranquilidade das populações que aguardam a reabertura das estradas. Na zona está um contingente de cerca de 80 guardas civis que estão a gerir o trânsito e a prestar auxilio às cerca duas mil pessoas que ficaram desalojadas na sequência do fogo (sobretudo de alojamentos turísticos).

Também a praia de Matalascañas está temporariamente isolada, à espera que o incêndio dê uma trégua aos milhares de turistas que "aguardam indicações para pegar nos carros, sem saber para onde ir".

"Matalascañas só tem duas vias de acesso, a estrada que une com Mazagón, que está cortada - e bem - desde cedo, e que leva a Rocío e a Almonte, onde se apanha a autoestrada que leva a Sevilha. Não há por onde sair", explicou à agência de notícias espanhola EFE, Gregorio Corbalán, habitante do município.

Esta estância balnear hospeda frequentemente milhares de visitantes de cidades vizinhas, especialmente de Sevilha, que passam o fim de semana em hotéis ou a acampar na área.

De acordo com a EFE, da praia não se vê o incêndio, apenas os aviões bombardeiros que recolhem água do mar.

"Disseram-nos que é muito difícil que o fogo chegue até aqui, embora o acampamento de Mazagn, que é a 10 quilómetros tenha sido completamente queimado", observou um outro visitante citado pela EFE.

A presidente da Junta de Andalucia, Susana Díaz, já agradeceu na rede social Twitter à população de Matalascañas a sua colaboração "facilitando o trabalho dos operacionais contra o incêndio em torno [do parque] de Doñana".

As chamas obrigaram a evacuar os turistas que estavam no hotel Solvasa, os parques de campismo Doñana e Cuesta de la Barca, assim como o Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial do Ministério da Defesa (INTA) na base de El Arenosillo e várias vivendas, segundo o serviço de emergências citado pela EFE.

Segundo fontes do Infoca, a localidade de Mazagón "praticamente esvaziou de gente".

JN

Comando 1 de Mação à Escuta. Transmita!


Nos últimos seis anos, acompanhei este homem em dezenas de saídas para incêndios florestais e testemunhei a sua capacidade de leitura dos fogos. Desde o reconhecimento dos perímetros, até à coordenação dos homens no terreno, tudo é executado como se fosse fácil. Mesmo em regiões fora do distrito de Santarém, que bem conhece, o comandante Jana, movimenta-se com uma mestria que só se pode confundir com talento.

Pedro Jana é comandante dos Bombeiros Voluntários de Mação. Entrou nesta corporação no dia 10 de Maio de 1988. Dos 45 anos de idade, 29 foram passados ao serviço destes bombeiros do centro do país.

Foi a seguir à morte do comandante Francisco José, num incêndio em Mação no dia 16 de Junho de 2000, onde também perdeu a vida o bombeiro Bruno Santos, de apenas 22 anos de idade, que Jana, na altura com a função de adjunto do comando, assumiu o lugar do comandante e amigo, Francisco. Numa altura de consternação e revolta, aceitou o cargo num tributo à amizade que nunca refere sem os olhos brilharem.

Em 2012, num grande incêndio na Urqueira, em Ourém, vi como este comandante chegou pela madrugada a um lugar desconhecido e depois de receber as instruções das autoridades no local e ter feito um rápido reconhecimento, fez-se ao caminho. Pela facilidade de orientação que lhe percebi, perguntei-lhe se já tinha estado naquela região. "Não. É a primeira vez." Passados poucos minutos, parecia que tinha nascido ali.

Se ouvir e falar para três rádios ao mesmo tempo, é difícil. Juntemos-lhe dois telemóveis, um todo-o-terreno ladeado de chamas e aquilo que já era difícil, para muitos, passa a impossível.

O comando de uma corporação de bombeiros é a linha da frente mas também é a de trás. É nunca perder de vista as pessoas; as suas pessoas e as outras, que tantas vezes acusam de lenta a sua rapidez. É abrir a janela do carro para avisar dos perigos de se estar ali. É coordenar os meios aéreos em duas línguas ao mesmo tempo. É tudo e tudo ao mesmo tempo. É não poder estar cansado 36 horas depois.

Chega a ser impressionante testemunhar a precisão com que algumas pessoas executam a sua função em cenários de catástrofe, como são quase todos os incêndios florestais. Podemos pensar na importância óbvia da formação, no treino ou na experiência. Mas o que tenho visto nos últimos anos, ao viver os bombeiros por dentro, é que o talento também importa nestas organizações; mesmo sendo uma qualidade ainda por explicar, é, sem dúvida, importante, e se nem todos podem ter talento, os que o possuem, são os tais que fazem tantas vezes a diferença quando tudo se desmorona nos teatros de operações.

Talvez não existam muitos “Pedros Janas” no nosso país. Guardemos os que temos.

SIC Noticias 

Bombeiros de São Martinho do Porto, Lamego, Entre-os-Rios e Penela vencem passatempo do JN


Os Bombeiros de São Martinho do Porto, Lamego, Entre-os-Rios e Penela são os grandes vencedores do passatempo "O vídeo do meu quartel de bombeiros num minuto", lançado pelo JN em parceria com a Liga dos Bombeiros Portugueses.

O passatempo enquadra-se numa campanha de sensibilização e de informação sobre a defesa da floresta contra incêndios que o "Jornal de Notícias" está a promover até final de setembro, em parceria com a Liga dos Bombeiros Portugueses e com o apoio da Prio, da Mitsubishi e da Unicer.

31 corporações de todo o país participaram neste desafio que pretendeu distinguir a criatividade e a importância dos bombeiros nas respetivas comunidades. Destes vídeos, 12 foram selecionados por um júri e colocados à votação, até ao dia 22, na página do "Jornal de Notícias" no Facebook.

Em primeiro lugar ficaram os Bombeiros Voluntários de São Martinho do Porto, que recolheram, até àquela data, 2500 "gostos". O segundo lugar foi conquistado pelos Bombeiros Voluntários de Lamego, com 2000 "gostos". O terceiro lugar, ex aequo, foi para as corporações de Entre-os-Rios e Penela, com 1900 "gostos", cada. Os dois primeiros classificados vão receber vales de dois mil euros em gasóleo. Ao terceiro lugar será atribuído um vale de mil euros.

A entrega dos prémios será efetuada no dia 29 de setembro, momento em que também será conhecida a "corporação do ano" e entregue à Liga dos Bombeiros Portugueses metade da receita de publicidade do "Jornal de Notícias" angariada na edição de 18 de maio.

Parabéns ainda aos bombeiros de Cascais, Coimbra, Esmoriz, Espinho, Fornos de Algodres, Malveira, Paços de Ferreira e Pombal, que estiveram entre os finalistas, e às outras 19 corporações que participaram no passatempo.

JN

Morre à Frente do Filho Bebé Contra Eucalipto


O alerta chegou aos bombeiros já depois das 14h00 de ontem e dava conta de um acidente grave, envolvendo uma criança, na Estrada Nacional 119 junto a Santo Estêvão, em Benavente. A mãe, de 27 anos, teve morte imediata.

A carrinha BMW onde seguia com o filho bebé embateu contra um eucalipto. No banco traseiro estava o menino, de três anos, que foi retirado da cadeirinha por um condutor que passava no local e que se deparou com aquele cenário. 

Quando o INEM chegou ao local fez o transporte do menino para o hospital de Vila Franca de Xira, mas o seu estado de saúde não inspira cuidados. Mãe e filho tinham ido passar a manhã nas piscinas municipais de Coruche e o acidente aconteceu quando regressavam a casa, em Lisboa. No local estiveram 21 operacionais e nove viaturas. Tudo indica que o acidente aconteceu após um momento de distração. 

PORMENORES 

Bombeiros de Benavente 
O segundo comandante dos bombeiros de Benavente, Augusto João, descreveu ao CM o cenário que encontrou no local. "O embate contra o eucalipto foi muito violento. A condutora teve morte imediata. O menino foi levado para o hospital." 

Acidente investigado 
No local estiveram vários militares da GNR, incluindo do Núcleo de Investigação aos Acidentes de Viação, que vão agora investigar as causas do despiste que custou a vida a uma mulher de 27 anos. Os militares falaram com vários condutores.

Correio da Manhã

Helicóptero do INEM sem peças Obriga a Viajar de Ambulância


Uma mulher, de 49 anos, com um Acidente Vascular Cerebral (AVC) teve de ser transportada do Hospital do Litoral Alentejano, onde lhe foram prestados os primeiros tratamentos, para Lisboa de ambulância. 

O helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) , em Évora, estava inoperacional e não podia realizar o transporte, segundo fonte conhecedora do processo. A doente, em vez demorar apenas 45 minutos a chegar a Lisboa, demorou cerca de hora e meia. 

O CM contactou o gabinete de Comunicação do INEM que confirmou a paragem do ‘heli’. Segundo a mesma fonte o aparelho parou cerca de duas horas para realizar trabalhos de substituição de uma peça. Sobre o caso da doente ter sido obrigada a viajar de ambulância, o INEM disse desconhecer o caso. A doente chegou ao Hospital do Litoral Alentejano por volta das 18 horas onde lhe foram realizados os primeiros tratamentos, considerados feitos dentro do período da janela terapêutica. Entre as 18h30 e as 19 horas foi ativado o helicóptero do INEM. 

Como estava inoperacional, a mulher foi enviada de ambulância para o Hospital Egas Moniz, em Lisboa, onde lhe fizeram uma triagem. A seguir foi enviada para o Hospital de São Francisco Xavier, também em Lisboa.

Correio da Manhã

sábado, 24 de junho de 2017

WTCC/Vila Real: Despiste de Tom Coronel Contra Ambulância (Video)


Não correu bem o primeiro treino livre do WTCC a Tom Coronel, que saiu de pista na curva da Araucária, foi em frente e embateu com violência numa ambulância dos bombeiros de Alijó. Ninguém se aleijou, e o piloto relatou em direto dentro do seu carro o ‘acontecimento’…

Fonte: https://www.autosport.pt/


Ninguém Diz Nada Sobre o Que Aconteceu na "Estrada da Morte"


Respostas a Costa deixam espaços em branco, sobretudo sobre o que se passou na EN 236-1. E leituras divergentes entre os organismos. E mais dúvidas por explicar. Culpas, só do SIRESP. E do tempo (mas o IPMA diz que avisou).

Passou uma semana sobre a tragédia, vieram três respostas oficiais ao primeiro-ministro e continua tudo em branco: ninguém diz uma só palavra que permita explicar o que aconteceu no sábado passado na EN 236-1, a estrada onde morreram 47 das 64 vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande.

Foi na segunda-feira à noite que António Costa pediu respostas “urgentes” às dúvidas que mais inquietavam o Governo. E foi nesta sexta-feira que chegou a última resposta, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Da leitura cruzada desse comunicado e dos outros dois (Instituto Português do Mar e da Atmosfera e Guarda Nacional Republicana) conseguimos chegar a uma primeira cronologia “autorizada” da tragédia. Mas ninguém diz a que horas terão morrido aquelas famílias, como elas ficaram encurraladas ou a que horas (e por quem) foram encontradas. Tão pouco algum assumir de responsabilidades, que vão passando de um lado para o outro.

O primeiro “culpado” assumido por todos é o SIRESP, o sistema de comunicações que já toda a gente sabia ter falhado, mas que ninguém adivinhava até quando: foram quatro dias cheios de problemas (até terça-feira, quando o fogo levou à evacuação de dezenas de aldeias em Góis), diz o presidente da Protecção Civil. Durante todo esse tempo as falhas foram consistentes, acrescenta Joaquim Leitão, e levaram as forças no terreno a procurar formas alternativas de comunicação.

As respostas da ANPC e as muitas falhas aí apontadas levaram nesta sexta-feira à noite o primeiro-ministro a pedir à ministra da Administração Interna “o cabal esclarecimento do ocorrido" junto da SIRESP, SA. O pedido consta de um curto despacho assinado por António Costa e que é igualmente dirigido ao Ministério da Justiça, "por poder ser elemento relevante para o inquérito [judicial] em curso” na Procuradoria-Geral da República.

O relato da Protecção Civil pode resumir-se assim: na noite da tragédia houve uma primeira falha do SIRESP às 19h45, cerca de 55 minutos depois de ter sido encerrado o IC8, e esse sistema perde três postos de comunicação entre as 21h12 e 21h16 — mas explica que quatro minutos depois já se usavam de novo “comunicações de redundância”. É aqui que as instituições envolvidas no combate ao incêndio divergem: se a ANPC diz que essas “situações foram supridas com recurso a redes” alternativas, a GNR alega que houve “falhas na comunicação (todas)”. Eis a versão do comandante-geral: “Passado algum tempo” do fecho do IC8 (18h50) a GNR teve que recuar, mas mantendo aberta a “estrada da morte” (sem “qualquer indicador ou informação” de perigo). E garante que se manteve “em toda a área”, “apesar das dificuldades de comunicação (todas)”. A palavra “todas” é a que faz a diferença — porque é onde a GNR anota que as alternativas ao SIRESP não estavam também em funcionamento normal.

Da leitura dos três comunicados sobram mais algumas dúvidas sobre as horas mais mortíferas do incêndio: não só ninguém diz quais foram, como ninguém diz quando se percebeu o perigo ou quando (e que autoridades) entraram pela estrada — em combate ou em socorro.

Segundo consenso: o tempo
Mas, para além do SIRESP, que todos admitem ter falhado, há um outro consenso sobre o que se passou no terreno: as condições meteorológicas excepcionais. É com elas (e com a ausência de “informação” em contrário) que a GNR explica por que deixou a estrada aberta. E também devido a elas que a ANPC explica a quebra sucessiva do serviço do SIRESP. O IPMA concorda — e até indica a possibilidade de ocorrência de um “downburst”, fenómeno atípico que pode ter espalhado o fogo rapidamente pela estrada e que ainda não foi localizado na escala do tempo.

Mas o IPMA sublinhou mais dois dados: a conjugação desse possível fenómeno com “a dinâmica própria do incêndio”; e os alertas que fez à ANPC — desde a quarta-feira anterior ao incêndio — sobre as condições propícias a fogos de larga escala também naquela região.

E é aqui que ficam mais algumas perguntas por responder: se, havendo esses alertas, houve reforço de meios de prevenção. Mas estas perguntas o primeiro-ministro não dirigiu ainda a estes organismos — os pedidos de esclarecimento foram apenas sobre os alertas meteorológicos, as eventuais falhas no SIRESP e a “estrada da morte”.

Olhando para os restantes dados oficiais disponíveis no site da Protecção Civil, podem acrescentar-se mais algumas dúvidas. Exemplos: o que aconteceu das 14h43 até às 18h50, quando o IC8 foi fechado (e quando estavam apenas 156 homens no terreno); ou o que aconteceu das 19h49 (o primeiro registo conhecido de pedido de meios para a “estrada da morte”) até às 22h41, quando são pedidos psicólogos para o local.

Publico

Incêndio de Pedrógão Grande foi o mais trágico da última década na Europa


O porta-voz da Comissão Europeia encarregado da Ajuda Humanitária e Proteção Civil, Carlos Martin Ruiz de Gordejuela, considera que o incêndio de Pedrógão Grande foi o mais dramático dos últimos 10 anos na Europa, pela consequências trágicas que provocou a nível humano.

Em declarações ao Jornal de Notícias, em Bruxelas, Carlos Martin disse que o mecanismo de ajuda europeu "funcionou em condições bastante difíceis, proporcionando uma resposta coordenada a partir das disponibilidades dos estados-membros, e, sobretudo, deu uma oferta rápida no mesmo dia em que Portugal fez o pedido de ajuda". Trata-se, segundo o responsável, este mecanismo" e uma ajuda suplementar para momentos difíceis".

A base do mecanismo de ajuda europeu é voluntária e só é acionada após o pedido dos países que fazem parte de um dos Estados, embora também preste apoio a nações que não fazem parte da Comunidade Europeia. "O que nós fazemos, após ser acionado o mecanismo europeu, é enviar a todos os Estados o pedido de disponibilização de recursos humanos e matérias e depois coordenamos as respostas de acordo com a capacidade de resposta de cada país", referiu Carlos Gurdejuela.

No que concerne ao pedido de ajuda de Portugal por causa do incêndio que deflagrou no sábado, o mecanismo deu resposta a todos as solicitações por parte das autoridades nacionais. Foram enviados sete aviões Canadair, sendo que o primeiro pedido de ajuda chegou à Ajuda Humanitária e Proteção Civil (AHPC) cerca das cinco da manhã (hora de Bruxelas). "Passado uma hora estava a sair a primeira resposta para Portugal", afirmou o porta-voz.

Para Portugal seguiram também 137 bombeiros, com 29 veículos e 42 mapas digitais retirados do programa europeu Copernico, que é uma rede de satélites usados para fazer uma avaliação precisa do terreno, por "serem muito detalhados e poderem ser produzidos em pouco tempo. No primeiro momento não puderam ser produzidos dadas as condições muito difíceis em que a região se encontrava", explicou aquele responsável. Os meios materiais foram para o terreno acompanhados por um coordenador.

Esta sexta-feira, encontram-se ainda em Portugal os aviões espanhóis e italianos, bem como os bombeiros, sendo que as aeronaves francesas regressaram ao seu país, onde risco de incêndio é elevado.

A Comissão Europeia assume 85 % dos gastos com a deslocação dos meios para a zona onde são necessários e os restantes 25 % são assumidos pelo país que os disponibiliza os recursos de ajuda. Existem apoios para os prejuízos em situações de crise que podem ser acionados pelos países afetados, mas são posteriores e não correspondem à ajuda de emergência.

JN

Daniel viu o fogo começar. Ligou para o 112 às 14h38. Tirou-lhe a primeira fotografia. “E não havia trovoada no ar”


Daniel Saúde tirou a primeira fotografia ao incêndio 39 minutos depois de ligar para o 112. Diz que esteve uma semana à espera de ser contactado pela PJ - “afinal fui eu que liguei para o 112” - e que por isso vai ser ele agora a ligar à polícia. A história do momento zero do fogo em Pedrógão.

Daniel foi ouvindo em silêncio, ao longo dos dias, as explicações para o incêndio que atingiu Pedrógão Grande. Logo no domingo, António Costa foi o primeiro a falar de trovoada seca, após duas horas de reunião no Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional da Proteção Civil, mas afirmou que ainda era “prematuro tirar ilações”. 

Depois surgiu a declaração do diretor nacional da Polícia Judiciária, perentória: “A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues. Seguiram-se dias de confirmações e desmentidos: os populares a dizer que não houve trovoada, os bombeiros a falar de mão criminosa, o Laboratório Científico da PJ a voltar ao terreno, o IPMA a confirmar os trovões, a recuar depois para ponderação, a afirmar outra vez que houve raios no céu, ali, em Escalos Fundeiros, aldeia de Pedrógão Grande com pouco mais de 40 habitantes, onde tudo começou.

Entre o diz que disse, ganhou a tese meteorológica. E então Daniel Saúde, 39 anos, resolveu falar.

Expresso

Bombeiros Reativam Secção de Alcantarilha


Os Bombeiros Voluntários de Silves vão reativar a secção de Alcantarilha, que tinha sido encerrada no ano passado por falta de pessoal. A reabertura, ao que o CM apurou, vai acontecer amanhã com a entrada ao serviço de uma equipa permanente no local. 

Segundo garantiu ao CM o 2º comandante José Gonçalves, vão estar operacionais uma viatura de combate a incêndios, um carro de desencarceramento, duas ambulâncias e uma viatura de transporte de doentes não urgentes. 

João Arrancada, da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Silves, considera que este posto está num ponto "estratégico" e vai permitir "um socorro mais rápido às populações de Alcantarilha, Pera e Armação de Pera", assim como a ocorrências na A22 e EN125.

Correio da Manhã

39 Concelhos do País em Risco 'Máximo' de Incêndio


Trinta e nove concelhos de sete distritos de Portugal continental apresentam este sábado risco 'máximo' de incêndio, segundo informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

 De acordo com a informação disponível do 'site' do Instituto, estão sob risco 'máximo' de incêndio vários concelhos dos distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Viseu, Leiria, Portalegre e Faro. No distrito de Leiria, onde há uma semana um fogo que deflagrou em Pedrógão Grande causou 64 mortos e mais de 200 feridos, o IPMA coloca hoje o concelho de Alvaiázere como estando em risco 'máximo' de incêndio. 

O IPMA colocou também em risco 'muito elevado' e 'elevado' de incêndio vários concelhos dos 18 distritos de Portugal continental. O risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, que podem variar entre 'Reduzido' e 'Máximo'. O cálculo é feito com base nos valores observados às 13h00 em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou também o distrito de Faro sob "aviso amarelo" até às 22h00 de hoje devido à "persistência de valores elevados da temperatura". 

O 'aviso amarelo', o terceiro menos grave de uma escala de três, indica situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica. O IPMA prevê para hoje céu geralmente pouco nublado, apresentando-se temporariamente muito nublado, em especial nas regiões centro e sul onde há possibilidade de aguaceiros fracos. O vento soprará em geral fraco, soprando moderado do quadrante norte no litoral e nas terras altas, em especial durante a tarde, com rajadas até 60 quilómetros/hora nas terras altas do Algarve. 

Prevê-se ainda uma pequena subida da temperatura mínima na região sul e subida da temperatura no Algarve. As temperaturas máximas previstas para hoje são de 27 graus Celsius em Lisboa, 23 no Porto e 35 em Faro.

Correio da Manhã

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Incêndio Destruiu Fábricas e Deixou Mais de 200 Pessoas no Desemprego


O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, disse hoje à agência Lusa que o incêndio que deflagrou no sábado também provocou mais de 200 desempregados no concelho.

"São para cima de 200 pessoas desempregadas [no concelho de Pedrógão Grande]", afirmou Valdemar Alves.

O autarca explicou que uma das maiores empresas instalada no parque industrial de Pinheiro Bordalo, a Enerpellets, que produzia 'pellets', um combustível 100% natural e renovável, constituído exclusivamente por resíduos e subprodutos de biomassa florestal, ficou totalmente destruída e que ficam no desemprego mais de 40 pessoas.

Ainda na Graça, um lagar acabado de reconstruir e equipado com maquinaria nova, bem como uma indústria de madeira, foram afetadas pelo fogo.

Valdemar Alves disse que o futuro tem que ser encarado "com muita força", adiantou que o centro de emprego foi logo para o terreno e que as pessoas que ficaram sem emprego por causa do incêndio já foram identificadas.

"O centro de emprego veio para o terreno, as pessoas estão identificadas e vai haver subsídios para não ficarem, pelo menos, sem o ordenado mínimo", frisou.

Já em relação aos empresários que perderam as suas indústrias, o autarca foi taxativo: "Também estão com coragem, mas é uma grande chatice".

O autarca disse mesmo que o proprietário da Enerpellets já manifestou a intenção de adquirir uma empresa falida para reinstalar a sua indústria no setor da madeira e que quer também recuperar a unidade perdida e ficar posteriormente com as duas a laborar.

Dois grandes incêndios deflagraram no sábado na região Centro, provocando 64 mortos e mais de 200 feridos, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Estes incêndios, que deflagraram nos concelhos de Pedrógão Grande e Góis, consumiram um total de cerca de 50 mil hectares de floresta [o equivalente a 50 mil campos de futebol] e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

  O fogo que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos.

  As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra, mas o fogo foi dado como dominado na quarta-feira à tarde.

  O incêndio que teve início no concelho de Góis, no distrito de Coimbra, atingiu também Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais. Ficou dominado na manhã de quinta-feira.

Noticias ao Minuto

"Que Sejam Retiradas Consequências desta Tragédia, Doa a quem Doer"


A Casa de Pedrógão Grande em Lisboa defende que devem ser tiradas consequências da tragédia ocorrida na região e sublinha que a dimensão do incêndio se justifica pela falta de investimento no planeamento do território.

Reunidos na sede em Lisboa, os órgãos sociais da Casa de Pedrógão Grande decidiram "exigir dos responsáveis políticos e administrativos, porque a culpa não pode morrer solteira, que sejam retiradas consequências desta tragédia, doa a quem doer", refere o comunicado enviado às redações.

"Só a falta de investimento no planeamento e ordenamento do território e em medidas preventivas de proteção da floresta pode justificar tão grave e dramático epílogo", acrescenta a Casa de Pedrógão Grande.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, no fim-de-semana passado, alastrou aos concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera e provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.

A Casa de Pedrógão Grande manifestou ainda a sua solidariedade para com as pessoas afetadas pelo fogo e aprovou um voto de condolências às famílias das vítimas.

Em comunicado, a Casa de Pedrógão Grande diz ainda que na reunião dos órgãos sociais foi decidido prestar homenagem a todas as instituições, "especialmente aos bombeiros, combatentes da liberdade, pelo empenho e ajuda prestada para debelar o incêndio".

No comunicado, a Casa de Pedrógão Grande reconhece ainda que, "perante tão grande e impensável catástrofe, atenta a confluência de fatores exógenos, nunca é fácil reagir com o necessário discernimento em todas as circunstâncias" e exige que as autoridades "tornem público, quanto antes, as causas do incêndio e do descontrole do combate".

Foi ainda decidido apelar ao poder político para que "olhe com atenção para a zona do pinhal e oiça as aspirações das suas populações, a fim de evitar, ali ou em qualquer outra parte do Portugal florestal, semelhante catástrofe".

A Casa de Pedrógão Grande manifesta ainda a sua solidariedade e disponibilidade a todos os interessados e entidades (publicas ou privadas) na solução do problema dos fogos florestais, designadamente, para reunir e debater "os problemas inerentes à florestação e reflorestação, construção de infraestruturas e prevenção de incêndios, a fim de evitar mais catástrofes".

"Podemos e devemos, todos, transformar esta catástrofe numa janela de oportunidades, olhando para a reflorestação da zona afetada, tendo em atenção a necessidade de garantir a biodiversidade, de forma que toda esta zona volte a ser um dos pulmões de Portugal", acrescenta o comunicado.

Noticias ao Minuto

Do Terror do Fogo ao Medo "Da Fome"


Nas poucas indústrias que há nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera teme-se o futuro. A razia na floresta pode deixar os pratos vazios. Mas o medo não tolhe a vontade de recuperar.

Há um ano e meio, o cérebro da empresa morreu num acidente. Uma tragédia para a Carvalhos Lda. e um rombo na dinâmica de uma das mais importantes empresas da fileira da madeira da região. Agora, de uma vez, o outro sócio (Mário) e o sobrinho ("o operacional") morreram. O fogo apagou-lhes a vida.

Um segundo abalo que Maria do Céu, administrativa de 61 anos na empresa com sede em Figueiró, não sabe se a firma aguentará. E esta é uma unidade tentacular. É ela que agrega a produção de várias empresas que descarregam ali a matéria-prima antes de ser transformada.

Em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, os empresários olham para o futuro com receio. A cada conversa, um denominador comum. A palavra "fome" qualifica o que aí vem, teme-se. A matéria-prima está destruída, as máquinas queimadas e a transformação naturalmente parada.

"Muita gente vivia do pinheirito e do eucalipto. Presentemente está tudo queimado. A madeira não vai ter grande saída", enuncia Maria do Céu.

Maria do Céu não sabe o que os próximos tempos reservam à empresa em que trabalha. "Queremos continuar, mas não é fácil. Temos as nossas madeiras todas queimadas. Não vai haver onde levá-las se não houver mão do Governo e de outras entidades", crê.

Mas tem uma certeza: "Fome vai haver".

Há muitas empresas unipessoais, com um ou dois empregados, que dependem da Carvalhos Lda. para escoar o produto. Não têm quota suficiente para contratar encomendas com uma celulose ou uma serração e dependem da empresa de Figueiró.

Teme-se um efeito dominó que comprometa muitas economias familiares.

Na Fernando Fernandes, uma serração na freguesia da Graça, em Pedrógão Grande, as madeiras ainda fumegam. Nos dois pavilhões há carcaças de máquinas, há caixilharia derretida, há vidros rebentados, há destruição em estado puro.

O patrão ia comprar mais uma máquina. Essa máquina valeria mais quatro postos de trabalho e mais um mercado, o espanhol. O fogo faz com que nada disso valha agora.

"Isto veio alterar tudo, só para reparar as máquinas vão ser precisos entre um e dois meses e para algumas vai ser ainda mais", diz o administrativo António Ricardo.

A empresa é para continuar. O patrão já garantiu. Os prejuízos ainda não estão contabilizados, mas ardeu um camião que vale à volta de 60 mil euros, uma máquina para descarregar matéria-prima que, nova, são 200 mil euros, um empilhador que custa 50 mil euros e mais o material danificado e o edifício que ficou comprometido. Tudo a somar.

António é de Ferreira do Zêzere e não tem familiares envolvidos na tragédia, mas os outros sete que ali trabalham têm. Foram-se abaixo. Mas se as perdas são duras, e o luto profundo, o futuro começa agora, acredita.

"Há muito trabalho para fazer", sintetiza.

Ali ao lado, separado da serração por apenas uma rotunda, está Albano Graça. No mesmo espaço convivem uma oficina, uma cafetaria, e um parque de automóveis. Ele lutou até à exaustão para defender o que é seu. Ajudou amigos. Tentou salvar um desconhecido que morreu depois de o carro arder. Garante que queimou o pouco cabelo que ainda tem.

No parque automóvel arderam-lhe cinco carros e um camião de transporte. Dezenas de milhares de euros de prejuízos. E não há seguro. Há dois anos não lhe aceitaram a revalidação da apólice de responsabilidade civil.

Albano explica que a economia da região está toda interligada. Se um sofre, os outros vão ter dores. "Houve muitas perdas de tractores agrícolas, que faziam muitas manutenções, mudavam óleos, muita máquina e barracões destruídos. Para mim, é muito menos negócio", afirma.

Mas no meio do negro escuro, há aquele sentimento de resignação que se sintetiza na expressão "do mal o menos". "Tenho dois reboques a funcionar, os carros de trabalho estão a funcionar e isso é bom", revela. É algum dinheiro que entra e faz girar a máquina.

Depois, a conversa sai do seu caso particular para o panorama geral da região. "Esta é uma zona de floresta e há muita gente a viver dela. Vão ser seis a sete meses de trabalho a cortar isto tudo e depois vai ser um futuro de fome, com os madeireiros a fechar porque não têm onde ir comprar, nem podem continuar o seu trabalho", identifica.

Um pouco mais acima, está a zona industrial da freguesia propriamente dita. Espaço que naquele caso é sinónimo de quatro empresas. O cenário é este: um lagar destruído onde o dono tinha investido dezenas de milhares de euros há bem pouco tempo; e a Ennerpellets, que emprega 80 pessoas e está dramaticamente comprometida.

Os silos ainda fumegam passados mais de cinco dias do incêndio. Na imprensa nacional já se diz que a empresa que faz aglomerados de biomassa florestal vai fechar. Os administradores estavam a reunir-se na quinta-feira, mas a insistência para uma entrevista esbarra num virar de costas.

Metros ao lado está a empresa de caixilharia João Paulo Alumínios. Não sofreu danos. Os alarmes tocaram por causa do calor à passagem das chamas, mas o fogo serpenteou à volta.

"Tivemos sorte. A empresa acabou por ficar", lança Helena Carvalho.

A sua sorte sabe que foi o azar de outros. "Vai ser muito complicado. Os concelhos vivem muito das serrações e as madeiras foram muito afectadas", lembra.

Portanto, para ela a soma é simples: "Primeiro foi o fogo, agora a fome."

Mas e as ajudas financeiras? Isso não será importante? "Será que as ajudas vêm? E em que tempo? E para as pessoas que trabalhavam?". As questões saem em catadupa a Helena.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, afiançou que o fundo solidário para apoiar as vítimas da tragédia foi aprovado. Este será apenas um dos vários apoios disponíveis, que estará ao dispor dos municípios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis e Pampilhosa da Serra. O Governo diz que não faltará apoio a ninguém que tenha sido afectado.

Em Castanheira de Pera, mais uma serração. A Progresso Castanheirense. Sandra Carvalho, gestora da Serração Progresso Castanheirense, não parou durante os últimos dias. Primeiro, as chamas, o perigo; depois, os reacendimentos e a protecção do que restou dos bens; agora, uma roda-viva de entrevistas.

Ali, naquele pólo industrial no lugar da Moita, pouco se deve aproveitar. O exercício de imaginar o antes, ao ver o agora, é complexo. Tudo está parado. Não mexe. Está preto.

Antes, a vida do lugar era animada por mais de 30 trabalhadores permanentes. A empresa tem quase 50, no total dois pólos.

Sandra também não tem noção dos prejuízos, mas já receberam uma equipa de peritos para os avaliar. Sabe que lhes espera mais de meio ano de trabalho. Só para pôr tudo operacional, mas diz que tem forças, que há ânimo.

"O dono está com vontade de reerguer isto. Vai ser muito difícil. Vão ser meses a limpar, a reconstruir, a remodelar. Temos também hectares para voltar a reflorestar", enumera.

Fala-se muito de ajudas. Sandra tem um pé atrás, mas uma mão estendida. "O pobre desconfia, tudo o que temos é do nosso trabalho, mas temos de ter fé", sublinha.

A gerente avança que não vai abrir a porta para ninguém sair, mas que, se alguém não quiser ficar, vai compreender. Os próximos meses serão duros.

"Vamos ter salários para pagar mensalmente e vai ser muito difícil porque não vamos facturar, mas espero que toda a gente seja compreensiva e tenha força", pede.

Por fim, desabafa: os fogos foram um tormento, uma tragédia, mas as réplicas das chamas vão fazer-se sentir nos próximos tempos. "A nossa aflição não terminou. Dia 30 está a chegar e há salários para pagar".

Renascença

Ao Especialista Instantâneo em Incêndios


É solitário não se ser especialista instantâneo em incêndios por estes dias. Eu não sabia que vocês eram tantos na nossa vida: às vezes parece que por detrás de cada telemóvel e de cada teclado, de cada microfone e página de jornal, de cada câmara e em cada estúdio, há um especialista instantâneo em incêndios. A convicção de cada um é grande, as certezas fulminantes. Às vezes gostaria de fazer uma troca: ouvir-vos menos agora para ouvir mais os especialistas não-instantâneos (também conhecidos por "aqueles e aquelas que se deram mesmo ao trabalho de estudar e pensar prolongadamente sobre um determinado tema") durante o resto do ano.

Mas não. Nós sabemos as regras do jogo. A sazonalidade dos fogos determina a dilatação do perímetro de especialistas e a multiplicação dos espécimes opinativos. São eles o preço a pagar por podermos ouvir também os especialistas não-instantâneos (ou, como eu lhes prefiro chamar, "aqueles e aquelas com quem se aprende qualquer coisa") que estão cada vez melhores. Distingo-os à maneira possível aos pobres não-especialistas como eu: aquelas e aqueles com quem se aprende alguma coisa, além de não costumarem aparecer no resto do ano, são menos definitivos nas suas respostas, repetem muitas vezes que "é complicado" (para desespero dos entrevistadores) e têm, em geral, um ângulo ou abordagem que perseguem há anos, metodicamente: sabem que proteção civil não é idêntica a proteção ambiental, que o ângulo da desertificação não é o mesmo das alterações climáticas, que a prevenção e o combate não têm os mesmos princípios nem os mesmos objetivos, etc. Sabem que precisam uns dos outros para avançar no conhecimento e nos resultados.

Já o especialista instantâneo não precisa de mais ninguém. Fala ou escreve como se a sua torrente de opiniões apagasse os fogos. Quem dera. Mas a torrente de opinião muda de rumo todos os dias. No primeiro dia, choque e consternação. No segundo dia, escândalo e indignação. Ao terceiro dia, a sentença: nada vai mudar a não ser para pior, vai continuar a haver incêndios e mortes, o país é uma esterqueira. É aí que estamos agora.

Esta profecia tem a vantagem, para quem a profere, de não poder falhar. E, no entanto, eu acho que, na sua certeza, ela está errada. Porquê? Como não-especialista que sou, procedo por analogia.

Em tempos Portugal tinha altíssimos níveis de sinistralidade rodoviária. Sou suficientemente velho para me lembrar de quando os cintos de segurança se tornaram obrigatórios, de quando os testes de alcoolemia se tornaram banais, de quando as rotundas começaram a pipocar nas vilas e cidades do país. Em cada um destes momentos houve especialistas instantâneos que proclamaram instantaneamente a inutilidade destas e outras medidas semelhantes. Não pensem que exagero: lembro-me de um colunista importante e definitivo que, então nas páginas deste jornal, jurava que continuaria a guiar em excesso de velocidade porque a culpa dos acidentes era dos outros condutores piores do que ele. Mas a verdade é que, por virtude de muitas pequenas boas medidas, a sinistralidade rodoviária em Portugal diminuiu e muito. Fala-se pouco disso hoje: deixámos de ser uma mancha negra nas estatísticas. Desenvolvemo-nos.

Pois bem. Há uma variável na equação dos incêndios em Portugal que nós podemos mudar: desenvolvermo-nos mais. E, contra a torrente opinativa, acredito que queremos mudar essa variável, e que o vamos fazer. Um dia haverá menos fogos incontrolados (sim, apesar das alterações climáticas: é uma questão de nos prepararmos melhor para elas) e muito menos mortes em incêndios em Portugal. Esse dia será devidamente anotado pelas estatísticas e talvez passe no fim de um noticiário, dando um nó na garganta a quem perdeu os seus amados nos fogos e nunca os esquecerá. Sei disto porque os especialistas não-instantâneos (ou, como lhes deveríamos chamar, os especialistas) têm dito muitas coisas sensatas e implementáveis. Quanto aos especialistas instantâneos (ou, para ser preciso, não-especialistas) deveriam talvez ouvir mais. Para não dizer, como é costume deles, que podem sempre ir limpar matas.

Rui Tavares in Publico

LBP enaltece e agradece o esforço dos Bombeiros Portugueses


Neste momento particularmente difícil em que choramos a morte de um dos nossos bombeiros, que se junta ao universo de muitos outros que no passado também foram vítimas do seu esforço e abnegação;

Neste momento em que acompanhamos com preocupação outros bombeiros hospitalizados, desejamos que rapidamente possam voltar restabelecidos ao seio das suas famílias e Associações;
Neste momento de Luto Nacional, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) não pode deixar de enaltecer e realçar o esforço titânico desenvolvido pelas bombeiras e bombeiros de todo o país na luta contra as chamas, na defesa de pessoas e de bens.

Perante esta inquestionável realidade a LBP saúda e enaltece as Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários, enquanto entidades detentoras dos corpos de bombeiros, pela forma eficiente, solidária e digna como estão a apoiar as bombeiras e bombeiros que combatem em todas as frentes, na certeza do dever cumprido sob o lema “Vida por Vida”.

Estas Associações são, sem dúvida, exemplos claros e inequívocos da organização e solidariedade da sociedade civil, no seio da qual continuam a demonstrar ser o expoente máximo dos valores do altruísmo e da solidariedade.

Apesar do comandamento das operações não competir aos Bombeiros, os seus dirigentes, comando e corpo activo têm garantido exemplarmente as condições para a operacionalidade, colocando meios ao dispor, para o êxito da sua missão. É a conjugação de todos esses factores que torna possível a luta para debelar os enormes danos pessoais e materiais causados pelo fogo.

Bem-Haja a Todos
Honra e Glória aos Bombeiros Portugueses

O Abraço dos Bombeiros que Salvou Várias Pessoas


João Oliveira é médico e faz parte dos corpos sociais dos bombeiros de Castanheira de Pera. Em entrevista no Jornal das 8 da TVI, contou como, mesmo feridos, os colegas conseguiram salvar outras pessoas.

O grupo de cinco bombeiros estava a regressar do combate ao fogo em Figueiró dos Vinhos para Castanheira de Pera, quando “houve uma colisão com um carro civil”.

Neste grupo, estava o bombeiro Gonçalo Conceição, que não resistiu aos ferimentos e na quarta-feira foi sepultado. 

“Eles pararam para socorrer essas pessoas, mas penso que não terão conseguido salvar as pessoas que estavam nesse carro.”

Como o carro dos bombeiros ficou impedido de circular, os bombeiros “tiveram de fugir a pé”, mas, entretanto, “aperceberam-se que havia civis no local e tentaram socorrê-los”.

Ainda deram de caras com um carro que estava a fazer inversão de marcha no local, viatura que acabou por dar boleia à bombeira que se encontra ferida, mas os outros quatros ficaram para trás.

“Abraçando-se uns aos outros, e com uma placa de localização de trânsito, com as pessoas no meio deles, conseguiram safar essas pessoas. Muitas delas chegámos a tê-as no centro de saúde e outras estão bem e nem ao centro de saúde foram.”

TVI 24

SIRESP funcionou "sem qualquer problema" no incêndio de Góis


No balanço desta sexta-feira sobre o incêndio de Góis, o comandante operacional Pedro Nunes confirmou que o fogo está agora em fase de rescaldo. Quanto às comunicações, o responsável descartou qualquer problema com o SIRESP na fase inicial do fogo.

No primeiro balanço desta sexta-feira, o comandante operacional do combate ao incêndio de Góis, Pedro Nunes, assegurou que o sistema de comunicações entre os bombeiros funcionou com normalidade entre sábado e domingo. "Em Góis não tivemos qualquer problema nas comunicações ao nível do SIRESP", referiu o responsável. 

Em relação ao incêndio de Pedrógão Grande, Pedro Nunes diz não ter conhecimento, uma vez que não participou nesse teatro de operações em concreto. O Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal tem estado no centro da polémica, uma vez que não terá funcionado em condições normais no último sábado no incêndio em Pedrógrão Grande, onde morreram 64 pessoas.

Sobre a situação atual do incêndio em Góis, que não provocou quaisquer vítimas mortais, mas chegou a ameaçar algumas aldeias da região, o responsável explicou aos jornalistas que o fogo florestal se encontra agora em fase de rescaldo e vigilância em todo o perímetro. O incêndio ainda não foi extinto e por isso esta sexta-feira será um dia de consolidação do rescaldo, embora com menos meios humanos e materiais, de forma a evitar reacendimentos. 

Vão estar no terreno 600 operacionais, apoiados por 140 veículos e quatro máquinas de rasto, com o apoio de seis pelotões do Exército português. Apesar do cenário mais favorável, não se espera para esta sexta-feira uma redução gradual dos meios depois de uma noite com boas condições para o combate aos incêndios. Ainda sem dados concretos quanto à totalidade de área ardida em Góis, o comandante Pedro Nunes remeteu essa informação para mais tarde. Na quinta-feira, o comandante operacional Carlos Tavares estimava uma área ardida de cerca de 20 mil hectares, afetando três diferentes concelhos da região: Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra.

RTP
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