Enfermeira Portuguesa Emigrada Envia Carta Aberta à Ministra da Saúde - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Enfermeira Portuguesa Emigrada Envia Carta Aberta à Ministra da Saúde

 


Uma enfermeira portuguesa que emigrou para o Reino Unido há cinco anos partilhou nas redes sociais uma carta aberta à ministra da Saúde, Marta Temido, onde deixa duras críticas à gestão do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da carreira dos enfermeiros.


Na publicação, partilhada na semana passada na sua página de Facebook, Bárbara começa por explicar que, viu-se obrigada a emigrar, em 2015, para um país que não é o seu porque Portugal pagava “2,7 euros/hora” aos enfermeiros e aconselhava, frequentemente, os seus jovens a “sair e procurar oportunidades lá fora”.


Apesar de ter sempre “a mente no regresso”, a profissional de saúde conta que nestes cinco anos subiu sempre de escalão e foram-lhe dadas “oportunidades de formação e crescimento, inclusive pós-graduações oferecidas pelo hospital” onde trabalha.


“Fiquei [no Reino Unido] porque em cinco anos era team leader e conseguia ver a minha carreira transformar-se em algo. Ponderei ser especialista em uma qualquer especialidade e tornou-se difícil escolher porque tenho a oportunidade de escolher qualquer uma das especialidades para trabalhar e mudar quando quero”, revela ainda.


Entretanto, não obstante de se considerar realizada a nível profissional, veio a Covid e o que Bárbara mais queria era fazer o trabalho que está a fazer, como enfermeira de Cuidados Intensivos, mas em Portugal. “Ser útil em Portugal”, atira.


Contudo, apesar da necessidade, dos aplausos, frisa a profissional de saúde, “não veio a carreira, não vieram os contratos, não veio o convite para regressar” e o Governo chamou os enfermeiros reformados, em vez dos emigrados.


“E aqui estou eu e tantos outros, prontos a remar ao nosso querido paraíso à beira mar plantado, assim que nos disserem: ‘Estamos prontos, venham’. E você [ministra da Saúde] pede aos reformados para ajudar? Por acaso já fez um turno de enfermagem num hospital? Digo-lhe, às vezes mal aguento com 30 anos, nem imagino como será com 65. Ah! Pois, não somos uma profissão com alto risco de desgaste... ”, ironiza.


Na mesma publicação, Bárbara questiona ainda o pedido de ajuda ao estrangeiro. “Pede ajuda ao estrangeiro? Esse estrangeiro a aproveitar a mão de obra dos enfermeiros portugueses? A esse estrangeiro que nos valoriza e apoia? Não basta tomar conta da sua população, agora tem de tomar conta da vossa população doente. Eu não sou de intrigas, mas algo vai mal no nosso Portugal”, sublinha, acrescentando que quando os doentes portugueses chegarem aos hospitais estrangeiros “terão um tratamento de excelência, por profissionais de excelência e, como sorte, ainda lhes falam em português”.


“Costumam dizer que o problema dos países são as pessoas que neles vivem, eu digo que são esses rabos (que um dia nós enfermeiras vamos limpar) que se sentam em cadeiras de ouro e mandam dicas tão levianamente. Seguiam o exemplo da Nova Zelândia, cortem os vossos ordenados em 1/3. E cortem as cadeiras parlamentares pela mesma ordem. Cortem nos apoios à TAP. E invistam na saúde e bem estar da população, é para isso que aí estão”, finaliza a enfermeira portuguesa.


Fonte: Noticias ao Minuto

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