Bombeiros Temem Efeitos Financeiros do Covid-19 - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 21 de abril de 2020

Bombeiros Temem Efeitos Financeiros do Covid-19


A pandemia de coronavírus 19 veio trazer enormes problemas financeiros em todos os sectores económicos, e os bombeiros não são excepção. Sem mais de metade dos serviços que garantiam algum fundo financeiro, e com o preço exorbitante dos equipamentos de proteção, as Associações Humanitárias enfrentam tempos difíceis na gestão dos quartéis.

Depois de Palmela, Seixal, Barreiro e Moita, o Diário do Distrito publica as preocupações dos presidentes das duas Associações do concelho do Montijo.

«TEMOS DE ANDAR A MENDIGAR O QUE É NOSSO POR DIREITO»

Amável Pires, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo refere que “custa muito olhar para o nosso parque automóvel e ver os carros de transporte de doentes parados.

Os serviços que fazíamos em alta escala, são desmarcados pelos doentes ou pelos médicos, e mesmo as urgências, quando somos chamados, a maior parte das pessoas recusa depois o transporte aos hospitais, e são estes quem paga os serviços de urgência.

E depois temos esse problema, dos pagamentos a 90 e mais dias por parte dessas entidades. Tenho facturas a receber do ano passado… enviamos emails, pedem-nos documentação para comprovar que temos tudo em dia com a Segurança Social, e depois ficam em silêncio. Se pagassem a tempo e horas, facilitava todas as nossas finanças. Temos sempre de andar a mendigar o que é nosso por direito.”
O transporte de doentes não urgentes “era onde íamos buscar algum rendimento, e esse está quase parado, fazemos apenas cerca de 20 por cento do que fazíamos, e dos transportes de urgência, cerca de 50 por cento.

Se antes da pandemia isto não estava fácil, agora ficou muito pior, porque as despesas fixas mensais de ordenados, água, luz e Segurança Social não deixam de ser pagos, além de outras despesas com o combustível e manutenção dos veículos, que têm um grande desgaste. E por vezes quem também fica para trás são os nossos fornecedores.”

Amável Pires lamenta que “quando aqui entrei consegui equilibrar as contas, temos uma situação muito mais regularizada e a parte humana também está encaminhada, com mais operacionais do que tínhamos, mas agora cai-nos a pandemia em cima, com os custos extra de equipamentos de proteção e a diminuição das receitas”.

Acerca dos apoios o presidente da AHBVM salienta que “da parte do Estado, os subsídios são diminutos e tudo isto torna esta situação muito complicada e não nos podemos queixar dos apoios da Câmara Municipal, que tem comprado veículos de que precisamos.

Agora temos também a oportunidade de pagar a Segurança Social faseadamente, vamos ter de estudar isso, porque se não pagarmos agora, teremos de pagar para diante, ou como se diz no Alentejo, «se não comeres em verde, comes em seco». Mas eu agora sei qual é a minha situação e em Junho até poderá tudo ter melhorado, não sabemos o dia de amanhã, se teremos dinheiro ou não.”

Afirma que “o Governo, através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil devia aumentar a verba que é entregue, inteiramente, aos bombeiros voluntários à parte da escala de serviço, porque a Associação não fica com nada, ainda gasta dinheiro na limpeza das fardas e na manutenção dos veículos.”

Apesar de tudo, Amável Pires não coloca em cima da mesa a hipótese de dispensar operacionais. “Isso não me passa pela cabeça, tenho esperança de que isto melhore e em Maio ou Junho voltemos a ter mais serviços e depois preciso deles. O que me sobra hoje, fará falta amanhã, até porque depois teremos a época de férias dos operacionais e chega também a época dos fogos. Mas acho que algumas corporações vão ter de recorrer ao lay off e isso será ainda mais complicado, porque terão de pagar parte dos ordenados com os bombeiros fora do quartel.”

Considera-se um “optimista, e acredito que, não em Maio, mas em Junho, as coisas tenham melhorado. Os médicos já se aperceberam de que os doentes precisam de ajuda e têm de voltar aos tratamentos. Até lá teremos de aguentar o barco, porque os bombeiros têm de continuar a salvar vidas e apagar fogos.”

«NÃO PODEMOS RECORRER AO LAY OFF SE QUEREMOS CONTINUAR A PRESTAR SOCORRO ÀS POPULAÇÕES»

Salvador Herculano, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Canha afirma que “os problemas financeiros dos bombeiros não são de agora, já há vários anos que vimos a lutar para manter as corporações a funcionar.

Temos despesas correntes que passam pelos ordenados até à manutenção das viaturas, e mesmo o processo de legalização destas, que chegam a levar três meses, e depois as despesas de água, luz e combustível, além dos impostos que pagamos como qualquer empresa, bem como a Segurança Social.

Agora temos outro cenário, que são os equipamentos de proteção pessoal que temos de comprar, porque não podemos enviar para a rua os nossos operacionais sem estarem protegidos, e isso custa muito dinheiro, embora a Câmara nos esteja a doar máscaras e gel desinfectante.”

Relativamente à diminuição dos serviços, considera que “quando uma corporação tem a sua saúde financeira dependente do serviço de transporte de doentes não urgentes, neste momento está com mais dificuldades, porque estes diminuíram radicalmente, uma vez que os serviços de fisioterapias e outros tratamentos estão suspensos.

Por outro lado, os serviços de emergência, a outra área em que trabalhamos, também diminuíram porque os hospitais estão sem capacidade para receber esses doentes, e há também algum receio das pessoas em irem aos hospitais.”

Embora funcionando quase como empresas ao nível dos encargos financeiros, as corporações de bombeiros “não podem recorrer ao lay off como essas empresas, porque precisamos de todos os operacionais, ou torna-se impossível continuarmos a prestar o socorro às populações.

Além disso, estamos a chegar à fase crítica dos fogos e todas as pessoas que temos ao serviço são indispensáveis.

Em Canha temos alguma dificuldade em conseguir o número de operacionais que necessitamos, porque é uma freguesia algo envelhecida e nem sempre as pessoas têm disponibilidade para este serviço de voluntariado e cada vez precisamos mais de assalariados.”

Salvador Herculano reconhece “o apoio que temos tido da Câmara Municipal do Montijo, na compra de viaturas de combate a incêndios e de socorro, além de apoios mensais para os gastos. Tivemos também um protocolo para a criação das Equipas de Intervenção Permanente (EIP) mas estas não podem estar de serviço 24 horas.”

Em relação ao que poderia auxiliar as corporações neste momento de pandemia, o presidente da AHBVC refere que “o Governo poderia aumentar os apoios, para não lutarmos todos os meses com as despesas e podermos garantir mais operacionais”.

Fonte: Diário do Distrito

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