Encurralados pelos incêndios na Austrália. Já é "tarde demais" para fugir no estado de Victoria - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Encurralados pelos incêndios na Austrália. Já é "tarde demais" para fugir no estado de Victoria


Os serviços de emergência emitiram um alerta para que milhares de pessoas em East Gippsland deixassem a área no fim de semana, mas muitos decidiram ficar. Agora já não há tempo para fugir às chamas, dizem as autoridades. Turistas e residentes estão a ser aconselhados a procurar abrigo.

O alerta de domingo não deixava dúvidas. Os milhares de turistas e residentes de East Gippsland tinham de sair da área até ao final do dia devido ao elevado risco de incêndio. Mas muitos optaram por ficar contrariando as indicações das autoridades. Agora é "tarde demais" para fugir às chamas, afirmou Andrew Crisp, responsável pelos serviços de emergência do estado de Victoria.

"Não viajem para esta área. Não é possível prestar apoio e ajuda médica a todos os visitantes que estão neste momento na região de East Gippsland", dizia o alerta, acompanhado por um mapa que indicava a área a ser evacuada. "Se pensa visitar East Gippsland hoje [domingo] ou segunda-feira, não o faça", reforçava o aviso.

As autoridades recomendam agora aos que ficaram na zona para que procurem um abrigo em locais fechados e longe de janelas e de estradas. Vários incêndios deflagram na região nas últimas horas.

Em East Gippsland, a leste do estado de Victoria, moram cerca de 80 mil pessoas e estima-se que estejam cerca de 30 mil turistas, de acordo com o site australiano da ABC.

Os incêndios na Austrália não têm dado tréguas desde setembro e esta segunda-feira está a ser um dos dias mais críticos. "O perigo extremo de incêndio, a previsão de fortes ventos e temperaturas elevadas" verificou-se, tal como as autoridades estavam à espera, referiu Andrew Tupper, do Instituto de Meteorologia de Victoria, durante uma conferência de imprensa, realizada esta manhã.

Nas próximas horas, o cenário não é animador. As condições meteorológicas mantêm-se adversas, com temperaturas que podem ultrapassar os 40º Celsius, ventos fortes e trovoadas, e originar novos focos de incêndios. Durante a noite, prevê-se que haja uma mudança da direção do vento e uma descida das temperaturas.

Populações de várias vilas e lugares do estado de Victoria, sobretudo na região de East Gippsland, estão a ser aconselhadas a não sair, uma vez que há o elevado risco de ficarem encurraladas pelas chamas. "Estão em perigo e precisam de agir imediatamente para sobreviver. A opção mais segura é refugiar-se em abrigos fechados. É demasiado tarde para sair", diz um dos avisos que o serviço Victoria Emergency tem publicado no Twitter.

Aos jornalistas, Andrew Crisp afirmou esta segunda-feira que East Grippsland "está em risco significativo" há mais de 24 horas. "Não devem ir para as estradas", aconselhou o responsável pelos serviços de emergência do estado de Victoria.

A situação "é muito intensa", afirmou o chefe dos bombeiros de Gippsland, Ben Rankin, referindo-se ao perigo iminente que se vive na região.

Melbourne. Autoridades pedem a cerca de 100 mil pessoas para fugirem
Cerca de 100 mil pessoas foram hoje alertadas pelas autoridades australianas para fugirem rapidamente de cinco subúrbios de Melbourne, a segunda maior cidade do país, devido aos incêndios que ameaçam uma zona habitada com cerca de 40 hectares.

Em Bundoora, cidade que fica a 16 quilómetros a norte de Melbourne e onde se situam dois grandes campus universitários, a propagação dos incêndios está fora de controlo, avisou o serviço de emergência deste estado.

A comunicação social australiana está a divulgar imagens da área, mostrando jatos de água a serem lançados em direção às casas e famílias a molharem as suas residências na esperança de impedir que ardam.

No estado da Austrália Meridional, mais a oeste, também se registam condições atmosféricas "catastróficas", de acordo com o chefe de bombeiros do estado, Brenton Éden.

Segundo o responsável, as trovoadas que se multiplicam na região já deram início a vários incêndios, principalmente na Ilha Kangaroo.

Incêndios fazem 11 mortos
Esta segunda-feira, um bombeiro morreu e outros dois ficaram feridos com queimaduras quando a carrinha onde seguiam capotou em Nova Gales do Sul, o estado mais afetado pelos incêndios. Aumenta para 11 o número de vítimas mortais.

Pelo menos 3 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas e mais de mil casas foram destruídas. Nova Gales do Sul é o estado australiano mais afetado pelo fogos, tendo sido decretado estado de emergência. Ainda estão ativos mais de 80 fogos.

Mantém-se fogo de artifício em Sidney
Em Sidney, a capital do estado de Nova Gales do Sul, a população está a ser afetada pela nuvem de fumo tóxico que cobre a região. E, apesar dos incêndios e de uma petição com quase 300 mil assinaturas para cancelar o famoso fogo-de-artifício da cidade na noite da passagem de ano - cujas imagens correm mundo -, as autoridades decidiram manter a tradição.

"O mundo olha para Sydney todos os anos e vê a nossa vitalidade, a nossa paixão, o nosso sucesso. Não consigo pensar numa altura melhor para mostrarmos ao mundo quão otimistas e positivos somos como país", afirmou o primeiro-ministro australiano Scott Morrison, citado pela Associated Press. Também a Câmara Municipal de Sydney deu luz verde aos fogos-de-artifício.

Prevê-se que Sidney chegue esta terça-feira, o último dia do ano, aos 44º Celsius.

No texto que acompanha a petição é recordado que são gastos no tradicional espetáculo pirotécnico milhões de dólares australianos, que seriam melhor utilizados no apoio aos bombeiros que combatem os incêndios e aos agricultores afetados pela tragédia.

Morrison que tem rejeitado propostas de pagamentos aos bombeiros voluntários voltou atrás e anunciou apoios financeiros para alguns destes bombeiros, que representam a maioria dos operacionais que combatem as chamas no país.

Milhões de animais mortos
Austrália é a casa de uma variedade de espécies animais, como cangurus e coalas. No terreno, vários voluntários lutam para salvar os animais das chamas. Não foi divulgado um número oficial de quantos animais já morreram devido aos incêndios, mas especialistas, citados pela Reuters, falam em milhões.

As autoridades temem que cerca de 30% de apenas uma colónia de coalas, entre 4500 a 8400, tenha desaparecido. "Não estamos a receber tantos animais para tratar. A nossa preocupação é que eles já não existam", afirmou Tracy Burgess, voluntária da WIRES Wildlife Rescue, uma organização sem fins lucrativos que resgata e reabilita animais selvagens em toda a Austrália.

Fonte: Diário de Noticias

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