Quantas vezes se clama, no verão, pelo que devia ser feito no inverno.
Parecemos um povo de cigarras com as estações ao contrário: só nos lembramos do que devíamos ter feito no frio quando o calor põe montes e vales a arder. As autarquias, o Estado central, e nós cidadãos, por omissão de exigência, todos somos culpados por este cíclico inferno de agosto. E todos sacudimos as cinzas do capote.
A defesa da vida nas florestas e nas aldeias, eis uma causa que deveria ser prioritária para os nossos ambientalistas de salão. Gente mais preocupada com a formiga da fábula – que não sabe nadar em urgentes barragens – do que empenhada na luta pelo equilíbrio florestal necessário à vida humana.
Octávio Ribeiro in CM
