Temos Que nos Safar por Nós Próprios - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 3 de março de 2015

Temos Que nos Safar por Nós Próprios


Amigos, quantas vezes na nossa vida, em especial vida de bombeiros, nos vemos na necessidade de nos safarmos por nós próprios. Quando estamos num teatro de operações com quem é que contamos? Contamos com os companheiros com quem estamos e com quem temos que resolver o que for necessário para levar a água ao moinho e resolver a situação, seja um fogo florestal que temos que atalhar ali, um incêndio urbano numa casa onde temos que entrar em busca de alguém, uma operação de salvamento em grande ângulo onde a missão de cada um faz depender a segurança de todos e o êxito da mesma, uma ação de desencarceramento onde o espírito de equipa é fundamental.

Se formos a ver, em tudo o que fazemos o sucesso da intervenção depende do saber fazer e, acima disso, saber fazer em conjunto.

Quando entramos nos bombeiros essa é uma das regras básicas. Isto não é para artistas mas para gente que sabe o que quer e sabe fazê-lo em conjunto.

E quando se trata de fazer um cortejo de oferendas, como aqui temos feito, ou fazer outras coisas que no fundo acabam por ter o mesmo sentido, ou seja, obter apoios para comprar equipamentos, viaturas ou outras coisas importantes para a nossa missão, aí está novamente a importância de fazer tudo isso em grupo.

Quando cá chegou a primeira ambulância foi uma festa. O que suámos a pedir de porta em porta nas aldeias para a conseguir. E conseguimos. Depois vieram outras viaturas para as quais também tivemos que lutar. Há anos os governos civis iam dando algumas ajudas, os benfeitores também, a Gulbenkian chegou a dar ambulâncias e o Estado, quando havia só duas inspeções, Norte e Sul, também dava qualquer coisa. Mas o esforço principal ficava sempre para nós.

Depois veio o SNA e a seguir o INEM, que foram distribuindo ambulâncias por algumas associações. E o então SNB entregava também ambulâncias a quem não recebia do INEM. Aconteceu muitas vezes e até ainda cá temos uma dessas ambulâncias vermelhas. Depois deixaram de entregar. Foram-se os planos de re-equipamentos, como na altura lhes ouvi chamar, veio o SNBPC e a ANPC e mais próximo o QREN. Mas ambulâncias para quem não recebida do INEM nada. Ouvi dizer que o QREN não aceitava candidaturas para ambulâncias e até acredito que seja assim. Então que se arranje outra solução. 

O INEM diz que agora a principal ideia é haver um PEM em cada concelho e ainda não há. Por isso, a esperança de outras associações conseguirem ambulâncias vai ser menor. Nós até conseguimos agora mais uma cá para a associação mas para a conseguir tivemos que voltar á fórmula do passado, ou seja, de casa em casa, de aldeia em aldeia. Não me importei de o fazer mas pensei sempre que não seria necessário voltar a isso. Também nisto temos que nos safar por nós próprios.

Crónica do bombeiro Manel
o.bombeiromanel@gmail.com