Amigos, quantas vezes na nossa vida, em especial vida de bombeiros, nos vemos na necessidade de nos safarmos por nós próprios. Quando estamos num teatro de operações com quem é que contamos? Contamos com os companheiros com quem estamos e com quem temos que resolver o que for necessário para levar a água ao moinho e resolver a situação, seja um fogo florestal que temos que atalhar ali, um incêndio urbano numa casa onde temos que entrar em busca de alguém, uma operação de salvamento em grande ângulo onde a missão de cada um faz depender a segurança de todos e o êxito da mesma, uma ação de desencarceramento onde o espírito de equipa é fundamental.
Se formos a ver, em tudo o que fazemos o sucesso da intervenção depende do saber fazer e, acima disso, saber fazer em conjunto.
Quando entramos nos bombeiros essa é uma das regras básicas. Isto não é para artistas mas para gente que sabe o que quer e sabe fazê-lo em conjunto.
E quando se trata de fazer um cortejo de oferendas, como aqui temos feito, ou fazer outras coisas que no fundo acabam por ter o mesmo sentido, ou seja, obter apoios para comprar equipamentos, viaturas ou outras coisas importantes para a nossa missão, aí está novamente a importância de fazer tudo isso em grupo.
Quando cá chegou a primeira ambulância foi uma festa. O que suámos a pedir de porta em porta nas aldeias para a conseguir. E conseguimos. Depois vieram outras viaturas para as quais também tivemos que lutar. Há anos os governos civis iam dando algumas ajudas, os benfeitores também, a Gulbenkian chegou a dar ambulâncias e o Estado, quando havia só duas inspeções, Norte e Sul, também dava qualquer coisa. Mas o esforço principal ficava sempre para nós.
Depois veio o SNA e a seguir o INEM, que foram distribuindo ambulâncias por algumas associações. E o então SNB entregava também ambulâncias a quem não recebia do INEM. Aconteceu muitas vezes e até ainda cá temos uma dessas ambulâncias vermelhas. Depois deixaram de entregar. Foram-se os planos de re-equipamentos, como na altura lhes ouvi chamar, veio o SNBPC e a ANPC e mais próximo o QREN. Mas ambulâncias para quem não recebida do INEM nada. Ouvi dizer que o QREN não aceitava candidaturas para ambulâncias e até acredito que seja assim. Então que se arranje outra solução.
O INEM diz que agora a principal ideia é haver um PEM em cada concelho e ainda não há. Por isso, a esperança de outras associações conseguirem ambulâncias vai ser menor. Nós até conseguimos agora mais uma cá para a associação mas para a conseguir tivemos que voltar á fórmula do passado, ou seja, de casa em casa, de aldeia em aldeia. Não me importei de o fazer mas pensei sempre que não seria necessário voltar a isso. Também nisto temos que nos safar por nós próprios.
Crónica do bombeiro Manel
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