Todos os anos surge uma nova Diretiva Operacional Nacional para o combate aos incêndios rurais. A de 2026, tal como a de 2025, apresenta números robustos: milhares de operacionais, milhares de veículos e dezenas de meios aéreos. À primeira vista, parece um dispositivo impressionante.
Mas há um detalhe que raramente é dito de forma clara: a maior parte desse dispositivo assenta nos bombeiros voluntários. São eles que garantem a presença permanente no território, que chegam primeiro na sua grande maioria das vezes aos incêndios e que compõem a maioria das equipas no terreno. Sem essa base voluntária, o país teria de criar uma força totalmente profissional com milhares de operacionais distribuídos por todo o território.
É aqui que as contas se tornam interessantes.
Se esses dez mil operacionais, contemplados na DON2 – 2026, fossem profissionais permanentes, com salários, encargos e toda a estrutura necessária para os manter operacionais, o Estado teria facilmente de suportar perto de mais 500 milhões de euros.
A verdade é que o dispositivo que aparece todos os anos nas diretivas parece gigantesco, mas só é possível porque grande parte dele assenta nos bombeiros voluntários.
A DON muda de ano para ano, ajustam-se números, afinam-se tabelas, acrescentam-se páginas, o que não muda é o pilar que sustenta tudo isto.
Portugal tem um dispositivo nacional de combate a incêndios que parece enorme, mas uma parte significativa dele continua a existir porque milhares de bombeiros não apresentam a fatura completa do que realmente custaria substituir o seu trabalho.
Sérgio Cipriano em Bombeiros.pt

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