Este texto é uma reflexão pessoal. Acredito que muitos colegas se irão rever nestas palavras, porque momentos de incerteza fazem parte de qualquer percurso humano e profissional.
Hoje acordei com a consciência de que algo pode estar a ser decidido sobre mim sem que eu esteja presente.
Continua a ser apenas uma possibilidade. Nada formal. Nada concreto. E mesmo assim já ocupa espaço suficiente para alterar o dia inteiro.
A incerteza não faz barulho, mas consome. Não é o processo que desgasta. É o intervalo. É esta sensação de estar suspensa enquanto tudo à volta segue normal.
E há uma ideia que me atravessou hoje, às vezes é mais fácil ajustar elementos do que questionar estruturas.
Não como acusação. Como reflexão. Como leitura possível de dinâmicas que existem em muitos contextos organizacionais.
Talvez seja apenas a forma como os sistemas funcionam. Técnicos. Regulados. Impessoais.
Quem está deste lado sente o impacto. Sente o peso de ser avaliada. Sente o risco de ser reduzida a um número, a um procedimento.
Enquanto isso, a vida continua. E essa diferença de percepção é difícil de ignorar.
Hoje não me senti forte. Nem fraca. Senti-me exposta.
Exposta ao julgamento.
Exposta à interpretação.
Exposta a decisões que ainda não conheço.
E isso obriga a um exercício interno.
Não deixar que esta possibilidade me diminua.
Não permitir que um momento de avaliação se transforme numa definição permanente.
Se houver processo, enfrentarei com respeito pelas regras e pelo direito de defesa que a todos assiste.
Se não houver, continuarei,mas uma coisa é certa, eu não sou uma peça de substituição, não sou um problema a resolver,não sou um ajuste de conveniência.
Sou pessoa. Com percurso. Com entrega. Com consciência.
E isso não se altera por despacho.
Ariana Ribeiro

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