Eis que surgem os incêndios de Sexta e Sétima geração, havemos de chegar aos de décima, tal é a necessidade de se justificar o injustificável, potenciados pelas “alterações climáticas “ do isqueiro e dos interesses instalados.
Falo-vos dos incêndios que combinam velocidade extrema, comportamento errático, capacidade de gerar fenómenos atmosféricos próprios (como pirocúmulos e ainda outros mais fenomenos atmosféricos) e que escapam aos modelos clássicos de combate.
Mas em Portugal, insiste-se em combatê-los com estratégias do século passado, como se estivéssemos a lidar com fogueiras.
A insistência em separar os meios de ataque inicial dos meios de ataque ampliado é uma falácia operacional. O tempo de reação é crítico. O fogo não espera que se reunam protocolos ou se mudem fases. Quando um incêndio começa, tem de ser combatido com tudo o que existe e com eficácia. Insistir em hierarquias lentas, mobilização lentíssima de grupos de combate a centenas de km de distância e estruturas rígidas é típico de quem não aprendeu nada em meio século de erros, relatórios e tragédias.
A verdadeira prevenção começa muito antes do verão: na gestão florestal, na ocupação do território, na educação das populações e na capacidade de deter sem qualquer receio os incendiários e puni-los de forma exemplar!
Mas quando falha a prevenção, como tantas vezes falha, só a deteção precoce aliada a uma resposta musculada fará a diferença.
Estamos num tempo em que os incêndios precisam de ser combatidos como fenómenos complexos e dinâmicos, que exigem integração tecnológica (drones, satélites, inteligência artificial), decisões DESCENTRALIZADAS e formação contínua de operacionais.
O combate ao fogo já não é apenas físico; é estratégico, técnico, cultural e infelizmente Político.
A mudança continua travada por um modelo com demasiados mosaicos, burocrático extremamente politizado e muitas vezes mais preocupado com o parecer do que com o fazer.
Sem comentários:
Enviar um comentário