"Viver o Covid em Cima do Joelho" - VIDA DE BOMBEIRO

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

"Viver o Covid em Cima do Joelho"

 


Hoje digo que felizmente não sou médica nem enfermeira, e quando eu digo isso não entendas mal considero ambas as profissões muito nobres mas já lá vai o tempo em que as mesmas eram de estabilidade ou reconhecedoras de mérito.


Vivo com um médico , mas também já estive na linha da frente covid-19 mas nada do que eu vi nos últimos 2 anos se assemelha ao caos instalado neste momento, ainda hoje vamos em quarta-feira e eu tenho visto um homem chegar a casa completamente derrotado, em que a presença dele umas míseras horas com a família é uma presença meramente física porque o psicológico já pouco existe e o que ainda existe está perdido nos doentes que deixou no último turno , chora por dentro de exaustão por um SNS que não protege utentes nem profissionais, um sistema que os abandonou a eles na mercê de uma pandemia que consideraram todos estar a estabilizar não preparando equipas e serviços para uma nova vaga que já todos sabíamos que iria existir  por esta altura .


Quando a pandemia começou era normal que nada nem ninguém tivesse preparado para este cenário , no entanto isto já se prolonga o suficiente para não se continuarem a cometer erros de principiantes,não quero a cabeça no cepo de ninguém, mas existe muito trabalho de bastidores / superiores que não foi feito atempadamente,  e a prova disso é que metade da população não sabe distinguir critérios de uma ida ao centro de saúde de uma ida ao serviço de urgência e os que  conseguem entender esses critérios são barrados em centros de saúde por falta de profissionais ou por não existir capacidade de resposta para tantos que la se dirigem, continuamos a empurrar com a barriga uma situação complemente caótica de norte a sul do país , ao mesmo tempo que somos invadidos por noticias constantemente  ao logo do dia de ordens que se queixam e alertam para a sobrecarga de trabalho em profissionais de saúde e o risco que essa mesma sobrecarga trás para utentes no presente e para estes profissionais no futuro, um alerta que não se resolve com uma tigela  ''resiliência ''  ao pequeno-almoço.


A fraca capacidade de respostas no SNS mostra uma falência organizacional que não vem de agora, não podemos nem devemos continuar a disparar para todos os lados quando sabemos que o sistema já apresentava problemas muito antes da pandemia e que foram sempre ignoradas apesar dos inúmeros alertas que foram sempre dados nos últimos anos pelos mais diversos profissionais de saúde, estamos num belo país à beira mar plantado que só se prepara para a crise quando já esta a viver nela deixando na mão dos respectivos profissionais os milagres que nem em Fátima podemos esperar .


Termino este desabafo a dizer-te que estou curiosa com o que vai acontecer a alguns profissionais contratados em cima do joelho para fazer frente ao covid-19 quando o mesmo abrandar ou desaparecer , talvez tenham o mesmo fim que a minha equipa teve no inicio da primavera passada,fomos os maiores durante  3 vagas quando os números desceram passamos  de '' bestiais a bestas '' saindo pela porta do fundo porque segundo alguns '' Já não eramos necessários '' .


A todos os profissionais  de saúde sejam auxiliares médicos ,enfermeiros , assistentes sociais , empregados da limpeza, INEM e bombeiros eu só consigo dizer que '' Deus vos proteja e dê resiliência " não é que eu seja muito católica simplesmente  estou numa fase em que já acredito mais em Deus que no SNS ou em cargos superiores para vos protegerem da M* onde vos meteram. 


Ariana Ribeiro

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