Direção dos Bombeiros Afasta Comando e Avança com Ações Disciplinares a “Instigadores” - VIDA DE BOMBEIRO

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sexta-feira, 19 de março de 2021

Direção dos Bombeiros Afasta Comando e Avança com Ações Disciplinares a “Instigadores”

 


Órgão directivo refuta acusações e diz que situação é insanável. 2.° comandante “pede” auditorias às áreas financeira e operacional

 

A direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo anunciou ontem que decidiu afastar o comando da corporação.


“Vamos formatar um novo comando. Confirmamos que está em curso o ingresso de um novo comandante, como profissional, cuja remuneração não está ainda definida”, lê-se num comunicado emitido esta quinta-feira e assinado pelos membros do elenco directivo. A informação surge depois de cerca de 90% do corpo activo dos bombeiros ter rubricado uma carta – dirigida ao presidente da Câmara, Nuno Canta, e endossada ainda a várias entidades competentes – com denúncias graves sobre a gestão da direcção e a falta de meios para operacionalidade na cidade (conforme publicado em https://www.osetubalense.com/ultimas/2021/03/16/bombeiros-do-montijo-param-enquanto-direccao-nao-se-demitir-e-denunciam-casos-graves/).


Ao mesmo tempo, os bombeiros anunciaram inactividade até que todos os órgãos sociais se demitissem.


Ontem, a direcção veio repudiar as denúncias feitas pelos bombeiros e o conflito entre as partes agudizou-se, tornando-se insanável.


“Com base na avaliação que temos levado a cabo ao longo dos anos que já temos em exercício, optámos por não reconduzir o anterior comandante e agora, mais sustentados ainda, estamos conscientes de que não há a mínima hipótese de recondução da totalidade do elenco do comando actualmente em exercício”, anunciou a direcção, que vinca também que esta decisão “só peca por tardia”.


No mesmo comunicado, composto por quatro páginas, o órgão directivo deixa implícito que irá agir disciplinarmente sobre alguns elementos da unidade e aponta baterias ao 2.° comandante (que entretanto assumira o cargo de comandante interino). “Lamentamos que tenha optado por se ‘escudar’ nos bombeiros em vez de os fazer representar. Essa acção terá reflexos na sua continuidade, estendendo[-se] acções disciplinares a todos os instigadores do clima de instabilidade que veio a instalar-se. É clara a incompatibilidade tornada pública entre o 2.° comandante, restante elenco do comando, bombeiros instigadores e a direcção”.


Os responsáveis pelo órgão directivo negam ameaças a funcionários ou imposição de horários e passam para o comando a responsabilidade dos casos revelados pelos bombeiros. A direcção considera “inadmissível” que os operacionais coloquem em causa a idoneidade do corpo directivo em favor de “um comando que é responsável pela gestão operacional”. Ainda de acordo com a direcção, está “provado” que o comando ou não é respeitado pelos bombeiros ou negligencia a insurgência contra um direito [escolha de um novo comandante] que assiste à direcção”. Os membros da direcção negam ter dado ordem para a paragem da viatura INEM em detrimento de serviços de transporte de doentes e refutam também que elementos da EIP tenham sido instruídos para abandonarem os seus deveres para fazerem serviços não urgentes.


2.° comandante lança desafio


Em declarações a O SETUBALENSE, o 2. ° comandante Luís Silva lança um repto à direcção. “Que faça uma auditoria à área administrativa e financeira e uma outra à área operacional. Quem não deve, não teme”, desafia.


“Sou apologista de um diálogo franco, cordial e transparente. É importante dar a conhecer à população do Montijo que a gestão financeira é da responsabilidade da direcção. A espinha dorsal do corpo de bombeiros assenta essencialmente no seu núcleo de pessoal assalariado. Estas pessoas dependem da direcção, o que significa que o comando tem apenas ao seu dispor o que a direcção lhe dá e não aquilo que quer e que seria o ideal.”


Luís Silva reforça que “o escalonamento das pessoas assalariadas é da responsabilidade da direcção”. “O comando limita-se a gerir os recursos operacionais que lhe são dados. O comando anterior elaborou escalas de serviços, férias… que competia à direcção”, explica.


E lembra que vem há muito a alertar a direcção e até outras entidades. “Fiz várias cartas de chamada de atenção para a situação que hoje se vive. Em 2018 já os recursos humanos não eram suficientes para garantir o socorro à população. O comando fez modelos de funcionamento que foram ignorados e quando a direcção se sente pressionada com o volume de serviços rejeitados põe o 2.° comandante a conduzir uma ambulância em vez das funções que deveria estar a exercer”, faz notar. “É estranho que a direcção venha agora dizer que o comando nada fez, já que louvou publicamente este mesmo comando por três vezes entre 2018 e 2020”, atira ainda Luís Silva, que levanta algumas questões dirigidas ao elenco directivo.


“Em 2020, a mesma direcção que retirou as competências ao 2.° comandante voltou a atribuí-las em 2021, com a saída do comandante Américo. Sendo eu incompetente, por que o fizeram?”


Luís Silva recorda que a direcção abriu um concurso para admissão de pessoal em 2020 que “não teve candidatos e fechou”. “Hoje [ontem] abre-se novo concurso. Então, fazem falta ou não mais operacionais?”, questiona. E prossegue: “Sendo tão exemplar a gestão desta direcção, então por que é que o presidente teve de colocar dinheiro do próprio bolso para pagar vencimentos?”


A estas perguntas, o 2.° comandante junta uma outra. “As verbas de apoio da autarquia dirigidas aos piquetes de intervenção voluntária quando não aplicadas nestes devem ser usadas na compra de equipamento operacional, segundo minuta da direcção. Por que razão nunca o foi desde Janeiro de 2020?” E, a terminar, afirma que a direcção “nos últimos três anos limita-se a avalizar as decisões do seu presidente”. “Grande parte dos bombeiros só conhece o presidente, não conhece mais nenhum outro membro da direcção”, remata.


Fonte: O Setubalense

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