Vereador, bombeiros e polícias vacinados com as sobras dos lares de Lisboa - VIDA DE BOMBEIRO

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Vereador, bombeiros e polícias vacinados com as sobras dos lares de Lisboa

 


As 126 doses que sobraram da administração de vacinas nos lares de Lisboa, nos últimos sete dias, foram dadas ao vereador da Proteção Civil, Carlos Castro, à diretora de Higiene Urbana, a 56 bombeiros voluntários de várias corporações, ao comandante e subcomandante do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e a 42 elementos da Polícia Municipal, incluindo também o comandante e subcomandante.


A autarquia explicou ao JN que "em cada dia de vacinação foram levantadas nos centros de saúde as doses de vacina correspondentes unicamente a 80% das pessoas previstas vacinar em cada um dos dias".


"Esta prática de segurança resulta das regras estritas quanto ao uso e conservação das vacinas. Uma vez saídos dos centros de saúde, e mesmo conservados em frio em embalagem que monitoriza o seu estado de conservação, os 'frascos não perfurados devem ser usados nesse dia' e 'os frascos já perfurados não podem ser transportados', cita o município a DGS.


No entanto, apesar de essa prática impedir o desperdício, a Câmara explica que há sempre sobras. "Há circunstâncias só conhecidas ao longo do próprio dia de vacinação que impedem a vacinação da pessoa prevista. São exemplos novos casos positivos (individuais ou surtos), doença, tratamento médico ou medicamentoso por causas diversas, hospitalizações, óbitos etc", explica a autarquia.


O município garante ainda que contactou as autoridades de saúde para saber que destino dar às doses que sobraram e as determinações foram no sentido de "garantir o aproveitamento total das doses existentes", vacinando em primeiro lugar "todos os profissionais da linha da frente envolvidos na operação de vacinação", grupo onde se inserem, segundo a Câmara, o vereador da Proteção Civil e a diretora de Higiene Urbana, uma vez que têm acompanhado os processos de vacinação desde o início da pandemia. Findo esse conjunto, tiveram indicações para "vacinar os grupos da primeira fase de prioridade como os bombeiros e polícias".


As 126 vacinas, avança ainda, foram administradas "a elementos das equipas envolvidas diretamente da operação de inoculação nos lares, designadamente 15 enfermeiros e 8 elementos da proteção civil municipal presentes no local da vacinação, entre os quais o vereador com a pasta respetiva, e também três elementos da higiene urbana, entre os quais a sua diretora, envolvidos no processo de recolha das seringas utilizadas na vacinação". As restantes 100 foram administradas a profissionais dos grupos constantes na primeira fase de prioridade definida pela DGS, bombeiros voluntários e elementos da Polícia Municipal.


PSD pede demissão do vereador


Vários partidos políticos da oposição reagiram à notícia. O PSD Lisboa expressou "a sua indignação perante a atitude do vereador Carlos Castro, que se fez vacinar com sobras de vacinas destinadas aos grupos prioritários definidos pelas autoridades de saúde" e sugeriu mesmo "a demissão" de Castro. "É o mínimo que este executivo deveria exigir ao seu vereador", diz em comunicado.


"Numa altura em que o país se depara com vários escândalos relativos ao plano de vacinação nacional, em que o Governo e todas as estruturas governativas deveriam ser o garante da proteção de todos os cidadãos e liderarem pelo exemplo, a Câmara de Lisboa brinda-nos com mais um episódio de desconsideração pelos lisboetas, em particular, e por todos os portugueses de forma geral, que aguardam com responsabilidade e seriedade que chegue a sua vez de serem vacinados", critica.


Para o PSD Lisboa, "esta não é uma questão de critérios, mas sim de um vereador ser conivente e beneficiário de uma decisão errada e irresponsável", "não só relativa à sua própria vacinação, mas também à decisão da vacinação da sua Diretora Municipal de Higiene Urbana e a do Comandante da Polícia Municipal". O PSD Lisboa considera que estes "profissionais não se encontram nas linhas da frente". "É apenas mais um exemplo do mau planeamento desta Câmara Municipal cujas prioridades se encontram evidentemente baralhadas", conclui.


O JN enviou questões ao gabinete de comunicação do coordenador do Plano de Vacinação, vice-almirante Gouveia e Melo, para perceber o que se está a fazer no sentido de se evitar o desperdício de vacinas, que senão fossem tomadas iriam para o lixo, entre outras questões, mas até ao momento não obteve resposta.


Fonte: JN

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