Bombeiros de Amares Vivem "Fase Muito Difícil" com Pagamentos em Atraso - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

Bombeiros de Amares Vivem "Fase Muito Difícil" com Pagamentos em Atraso

 


Os Bombeiros Voluntários de Amares, distrito de Braga, estão a "viver uma fase muito difícil" com pagamentos a funcionários e fornecedores em atraso e "grande temor pelo que aí vem", disse hoje à Lusa o presidente daquela instituição.


Segundo José Gonçalves, a quebra de receita resultante da pandemia "está agora a sentir-se em força" e a corporação já teve de recorrer à banca para fazer face ao pagamento de vencimentos dos 23 funcionários da instituição.


José Gonçalves adiantou estarem em atraso o pagamento dos subsídios de férias e de Natal, habitualmente pago em novembro, bem como pagamentos a fornecedores, dando como exemplo o atraso de cinco meses no pagamento de combustível.


"Estamos numa fase muito difícil e sentimos um grande temor pelo que aí vem", disse.


O responsável referiu que "para fazer face a algumas despesas mais urgentes, como vencimentos", foi necessário recorrer à banca: "Contraímos um empréstimo de 50 mil euros a cinco anos com o aval pessoal da direção".


O presidente da corporação reconheceu que os efeitos da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, "estão agora a sentir-se em força com a paragem de transportes de doentes e serviços".


"Em tempos normais faturávamos [com o transporte de doentes e serviços] entre 15 a 20 mil euros por mês, isto até março. Neste momento não estamos a faturar sequer metade daqueles valores. Na primeira fase da pandemia não sentimos tanto, porque estávamos a receber os pagamentos dos meses anteriores, mas agora já não", disse.


A situação, adiantou, "só não é pior porque os empréstimos que tínhamos feito para adquirir viaturas estão a beneficiar de moratórias, mas estas ajudas não são eternas e as viaturas têm que ser pagas".


Para José Gonçalves, a autarquia "também podia ajudar mais" a corporação.


"Pedimos ajuda já em março, não nos foi dada. Pedimos que a câmara desse o aval necessário para o empréstimo bancário, não deu e ainda deixou de pagar os seguros de trabalho que pagavam há anos. Só isto representa mais 10 mil euros de despesas anuais para a corporação", apontou.


José Gonçalves lamenta a "falta de ajuda da câmara", mas realça as ajudas das juntas de Freguesia: "Felizmente quase todas as juntas têm ajudado com pequenos subsídios que não chegam mas vão ajudando", referiu.


"Nós não somos uma associação como outra nem uma empresa. Os bombeiros, pela natureza da sua atividade, não podem fazer 'lay-off', nem deixar de funcionar, o socorro às populações não poder ser posto em causa", lembrou.


Fonte: Noticias ao Minuto

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