Bombeiro Herói que Morreu a Combater Fogo na Lousã Traído por Nuvem de Fumo - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Bombeiro Herói que Morreu a Combater Fogo na Lousã Traído por Nuvem de Fumo


O chefe dos Bombeiros da Corporação de Miranda do Corvo, José Augusto Dias Fernandes, de 55 anos, terá morrido intoxicado com o fumo intenso que se concentrou e alastrou com o vento na zona onde a sua equipa combatia o incêndio, ao final da tarde de sábado, junto ao acesso a Trevim, na Lousã. O Ministério Público e o Ministério da Administração Interna já abriram inquéritos para apurar as circunstâncias em que ocorreu a morte do operacional.

Segundo o CM apurou, José Augusto foi encontrado numa zona que ardeu antes do bombeiro morrer. O corpo e o equipamento não tinham marcas do fogo. A autópsia, prevista para hoje, vai também clarificar outros contornos, como por exemplo se o bombeiro sofreu algum problema do foro cardíaco naquele momento. O incêndio feriu ainda quatro bombeiros de Miranda do Corvo e dois dos municipais da Lousã.

A equipa liderada por José Augusto estava em vigilância na serra da Lousã porque havia a previsão de condições propícias a incêndios florestais. Além do chefe, esta era constituída por Amílcar Cardoso, bombeiro de 1ª e condutor da viatura, e pelos bombeiros de 3ª classe Tiago Guiomar, João Dias e Alfredo Lopes, com idades entre os 25 e 45 anos. A equipa foi a segunda a chegar ao local do incêndio, que terá sido provocado por uma trovoada seca, e era comandada pelo comandante dos Bombeiros da Lousã.

A morte de mais um bombeiro em combate terá sido provocada por uma conjugação de fatores que fazem de um incêndio um autêntico inferno: calor, vento forte em constante mudança de direção, descarga magnética provocada pelos relâmpagos e também queda de granizo. Terá sido o granizo que, trazendo humidade em excesso, fez com que o fumo deixasse de circular de forma vertical para horizontal, segurando-o junto ao solo. 

O fenómeno atmosférico terá sido fatal para o chefe José Augusto, que não conseguiu fugir da nuvem de fumo que se formou no local onde liderava o combate ao fogo. A zona onde deflagrou o incêndio é de fraca cobertura de redes de comunicações, mas este domingo o CM contactou vários operacionais que estiveram no terreno e nenhum se queixou de falhas do SIRESP. "Os raios provocaram interferências e apagões momentâneos de poucos segundos, mas as comunicações nunca falharam", garantiu um operacional para quem a morte de José Augusto foi "um infeliz episódio".

"Perdemos um herói que tombou em serviço"
"Perdemos um herói que tombou em serviço". Foi assim que ontem o comandante dos Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo descreveu José Augusto Dias Fernandes, de 55 anos, vítima mortal do incêndio na serra da Lousã.

Na noite de sábado, o comandante chamou os seus homens e mulheres à corporação para lhes dar alguma força. Ontem, no quartel, respirava-se um ambiente pesado, prova da ferida profunda sofrida por esta comunidade. "É uma perda irreparável para nós", lamentou o comandante Fernando Jorge. "Era um colega nosso, um homem da minha escola de bombeiros", acrescentou.

Sobre as circunstâncias em que ocorreu o acidente mortal, Fernando Jorge remeteu mais esclarecimentos para o processo do Ministério da Administração Interna, que já decorre. Recordou, no entanto, que toda a experiência e preparação possível podem não ser suficientes para dar resposta a mudanças bruscas do estado do tempo.

Meios aéreos com dificuldade em atuar
O tenente-coronel Sérgio Trindade, da ANPC, reconheceu que, devido ao estado do tempo, os meios aéreos foram afetados. "Houve dificuldade no início porque as condições atmosféricas não permitiram", disse.

Foi árbitro de futsal e agora observador
José Augusto foi árbitro de futsal e era agora observador de juízes da modalidade. "Foi com enorme pesar que tomei conhecimento da morte", diz Fernando Gomes, da FPF.

Incêndio foi extinto pouco tempo depois
O incêndio na serra da Lousã foi extinto pouco tempo depois de se ter registado a morte do bombeiro José Augusto. O socorro aos operacionais e o ataque ao fogo foram feitos em simultâneo.

Bombeiros assistidos com alta hospitalar
Os dois bombeiros de Miranda do Corvo, que tiveram necessidade de receber assistência médica, receberam alta ontem de manhã do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Dezenas de focos dominados este domingo
Os bombeiros foram ontem mobilizados para apagar dezenas de focos de incêndio que deflagraram por todo País, mas nenhum terá atingido grandes dimensões e fugido ao controlo.

Fonte: Correio da Manhã

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