Procura das urgências caiu 45%. Onde estão os enfartes e os AVC, perguntam os investigadores - VIDA DE BOMBEIRO

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Procura das urgências caiu 45%. Onde estão os enfartes e os AVC, perguntam os investigadores


A procura dos serviços de urgência dos hospitais está a diminuir substancialmente. Em Março, as idas às urgências decresceram globalmente 45%. Mas não foram apenas os doentes pouco ou não urgentes que desapareceram destes serviços. Também se observou uma redução significativa no número de doentes em que o recurso às urgências se justifica: os que são triados com pulseiras amarelas (urgentes) e laranja (muito urgentes).

São conclusões de um estudo realizado por investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa nesta sexta-feira divulgado. Os investigadores foram analisar a procura dos serviços de urgência/emergência hospitalar em Março, o primeiro mês de resposta à covid-19 em Portugal, comparando-a com as médias da série histórica de episódios de urgência entre 2014 e 2019. Em Março, o total de atendimentos ascendeu a 295.451, menos 45% do que seria de esperar.

Uma parte desta redução é natural, porque há menos acidentes rodoviários e de trabalho, gripes e constipações com sintomatologia pouco grave. Mas o decréscimo é demasiado expressivo para poder ser explicado apenas por estes motivos. “Há aqui um fenómeno brusco que claramente influencia o recurso aos serviços de urgência. As pessoas não têm confiança e têm medo de ser contagiadas. Não sabem que os circuitos e as equipas [que tratam os pacientes com covid-19 e sem a doença] estão separados”, observa Rui Santana, subdirector da Escola Nacional de Saúde Pública.

Se esta redução é positiva, por um lado, por libertar recursos para o combate à covid-19 e corrigir o fenómeno de procura inadequada destes serviços altamente complexos e caros (“Portugal é o país onde se utiliza mais a urgência/emergência hospitalar per capita no espaço da OCDE”), também fica claro que o decréscimo da procura poderá resultar no adiamento de “situações que se tornarão mais graves no futuro”, sublinham os investigadores do Departamento de Políticas e Gestão de Sistemas de Saúde e do Centro de Investigação em Saúde Pública da ENSP que assinam o estudo.

Em Março passado, a procura de doentes pouco urgentes (triados com pulseira verde) diminuiu 47% (101 mil observados contra 193 mil esperados). Mas, ao mesmo tempo, houve cerca de 120 mil episódios de urgência triados como amarelos, quando o total esperado, tendo em conta as médias desde 2014, seria o dobro; e triados como laranja foram 31 mil, contra os cerca de 53 mil esperados. “São doentes que desapareceram das urgências. Onde estão os enfartes e os AVC's?”, pergunta, a propósito, Rui Santana.

Um dos objectivos dos investigadores é justamente o de chamar a atenção para este problema. “Neste contexto, não sei se é moral fazer isto, porque estamos focados no combate à covid-19, mas possivelmente já devia estar a ser pensado o planeamento do período pós-pandémico”, defende.

Fonte: Publico

Sem comentários:

Publicar um comentário

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________