Novo Comandante Interino dos Bombeiros de Baltar quer Unir Corporação - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Novo Comandante Interino dos Bombeiros de Baltar quer Unir Corporação


O fascínio pelos soldados da paz, a disponibilidade para ajudar os outros e o sentimento de entrega fazem parte do ADN do novo comandante interino dos Bombeiros de Baltar, António Ferreira, que assumiu, no dia 1 de Janeiro, a gestão do corpo activo, na sequência da saída do anterior comandante da corporação, Delfim Cruz.

António Ferreira confessa que foi a sua ligação aos bombeiros e à Associação Humanitária que o levou a aceitar o desafio lançado pela actual direcção e a querer continuar com o rumo que foi traçado em prol de uma missão nobre e que representa um desafio para qualquer ser humano.

Com um currículo ligado aos bombeiros e apesar de estar ainda a exercer funções de comandante interino, António Ferreira deverá ver o seu processo para ascender definitivamente a comandante, a curto prazo, após parecer final do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS). Na corporação já é tratado como comandante.

Admirador do espírito de coragem, da abnegação e de disponibilidade dos soldados da paz, o comandante interino afirma ser uma pessoa exigente, um bombeiro entre muitos que tem como prioridades unir a corporação, garantir a operacionalidade do corpo activo e servir a comunidade.

“Fui convidado pela direcção no dia 27 de Dezembro do ano passado. Pedi um período de reflexão, reuni depois com os bombeiros e aceitei o convite para exercer as funções de comandante interino. Estou consciente dos desafios, a responsabilidade do que é ser comandante, mas a experiência acumulada ao longo dos anos, o facto de ter estado no quadro de comando durante 12 anos e de conhecer a parte operacional dão-me algum conforto na assumpção das minhas novas responsabilidades. Até costumo dizer que não é nada que não tivesse feito antes e para o qual não estivesse preparado. Conheço esta casa há muitos anos, tenho um bom relacionamento com todos e venho para ajudar”, afirmou. 

Ao Verdadeiro Olhar, o comandante interino, o oficial mais graduado do corpo activo, assumiu que a vontade de fazer parte dos Bombeiros de Baltar começou a ganhar raízes quando ainda era muito novo.

O facto de viver próximo do antigo quartel dos bombeiros e de frequentar o café da corporação, facilitaram a aproximação aos soldados da paz e ajudou a cimentar a paixão que já tinha pela missão.

“Comecei a frequentar as instalações do antigo quartel muito cedo, vivia atrás do quartel e como tal respirava o ambiente da corporação. Vinha frequentemente ao bar dos bombeiros tomar café. Quando fiz 21/22 anos, o comandante à data, Hipólito de Sousa, fez-me o convite para ingressar como motorista auxiliar, arrastou-me, digamos, de alguma forma para esta causa e há 30 anos que estou na corporação”, adiantou, sustentando que depois fez a escola de bombeiro de terceira, tendo sido convidado por Delfim Cruz para integrar o quadro do comando, função que ocupa desde 2008.

Questionado sobre as suas novas funções, António Ferreira, parco em palavras, manifestou querer continuar o legado que o anterior comandante dos Bombeiros de Baltar, Delfim Cruz, lhe deixou. “A saída de qualquer comandante é sempre uma perda para as corporações, assim como foi a saída do comandante Hipólito Sousa. Não pretendo substituir ninguém. Apenas vou dar continuidade ao trabalho que vinha sendo realizado. 

Reconheço que o comandante Delfim foi um grande comandante que marcou o corpo activo e a instituição. Foi sempre o meu comandante”, avançou, optando por não comentar as razões que precipitaram a à saída do anterior comandante. 

“Não gostaria de abordar esse tema. Assumi e aceitei o convite que me foi feito porque gosto dos bombeiros, partilho dos valores e do sentido de missão que lhes estão subjacentes e tenho como metas unir o corpo activo, assegurar o espírito de equipa que sempre norteou a corporação assim como cumprir com a prestação do socorro e as missões que me estão confiadas no âmbito do serviço operacional”, adiantou, afirmando estar convicto que irá encontrar a mesma entrega e compromisso por parte dos bombeiros.

“Os bombeiros de Baltar sempre foram uma família, sempre evidenciaram entrega, dedicação, profissionalismo. Como disse compete-me dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido e conto, para isso, com o apoio dos meus pares, dos bombeiros, pois só garantindo a união e a convergência de esforços poderemos obter resultados e garantir as missões que hoje nos estão atribuídas”, esclareceu.

No quadro daquilo que são os seus objectivos, António Ferreira, apontou, também, a aposta na formação como sendo uma das metas que irá prosseguir. A este propósito, o novo comandante reconheceu que os soldados da paz estão, hoje, confrontados com novos desafios e novas solicitações, operam em diferentes cenários e contextos e têm de estar devidamente preparados para dar resposta e fazer face a essas solicitações com prontidão, eficácia e eficiência.

“Quero apostar na formação, nos equipamentos e na protecção individual. Quando se trata de pessoas não podemos facilitar. Temos uma escola que terminou no final do ano e queremos dotar esses elementos dos respectivos equipamentos de protecção individual”, asseverou, sublinhando que a corporação dispõe de cerca de 90 efectivos e cerca de 30 viaturas, estando devidamente equipada e preparada para intervir em qualquer cenário. “

O parque automóvel está dotado dos meios necessários, temos uma área densa com uma significativa mancha florestal e urbana que integra as localidades de Gandra, Vandoma, Vila Cova, Recarei até ao Salto, sendo a margem direita que liga Recarei a Aguiar de Sousa da responsabilidade dos Bombeiros de Baltar. 

Em caso de necessidade, estamos próximos de Paredes e dispomos de quatro corporações no concelho e rapidamente conseguimos reunir os meios necessários”, esclareceu, defendendo que mesmo em termos de incêndios industriais, a corporação dispõe de meios para intervir em qualquer contexto.

“Sou empresário, venho da área da panificação, e verifico que além da formação dos bombeiros os próprios empresários têm, hoje, uma maior sensibilidade. Houve uma evolução significativa neste domínio”, assegurou, confirmando que nos bombeiros de Baltar não acontece o que acontece noutras corporações quando toca a sirene e os soldados da paz têm que deixar os seus empregos.

“Sabemos que a saída de um bombeiro tem sempre um custo para as entidades empregadoras e por isso não temos bombeiros empregados. Sei que nem sempre é fácil porque também sou empresário e a saída de um bombeiro, sobretudo, se esta situação se repetir sistematicamente, tem um custo associado”, afiançou.

Como voluntário que é, António Ferreira concordou que o bombeiro tem de estar preparado para intervir, ajudar o próximo e na sua missão e no exercício da sua actividade profissional, encontra adversidades, sendo que o risco está sempre presente a essa actividade.

“Recordo-me de um acidente, fomos chamados para prestar assistência e quando chegamos ao local fomos confrontados com um sinistrado que tinha entrado em paragem cardio-respiratória. Após várias tentativas de reanimação, felizmente conseguimos trazê-lo para o lado de cá. São estes e episódios que nos motivam, fazem a diferença e valorizam a nossa missão. Na altura, senti que tinha cumprido com o meu dever”, referiu, recordando um outro episódio de uma menina, de Vandoma, que entrou também em paragem cardiorespiratória no dia de Natal, há cerca de três quatro anos, em que a intervenção dos bombeiros foi igualmente determinante. 

“Mais tarde, a criança veio cá numa formatura agradecer aos bombeiros. Já estava a ser seguida no hospital, entrou em paragem e os bombeiros de Baltar agiram de imediato, tendo sido depois transportada depois para o S. João”, sustentou, apontando, também, uma outra situação de uma outra criança que os pais tiveram um acidente na auto-estrada, esta mais recente.

“A criança fez questão de vir agradecer pessoalmente aos bombeiros. É sempre gratificante ver que o nosso trabalho e a nossa missão são reconhecidos”, afiançou, contrapondo a esta realidade uma outra, a falta de apoio aos soldados da paz.

“Os Bombeiros deveriam ter mais benefícios. Os voluntários não têm praticamente nada. Beneficiam da taxa moderadora nos centros de saúdes e nos hospitais se estiverem de serviço, caso se desloquem a título pessoal já não beneficiam da isenção. Acho que as autoridades deveriam estar mais próximas dos bombeiros até porque são um dos pilares da protecção civil”, considerou.

A par da falta de benefícios sociais, António Ferreira concordou, também, que outros dos problemas com que as corporações se vêem confrontadas é a falta de voluntários, reconhecendo que os sacrifícios da vida pessoal, são obstáculos a ter em conta. “A vida mudou. As pessoas nem sempre estão disponíveis e aquelas que estão acabam por abandonar porque efectivamente não conseguem dar continuidade”, declarou, admitindo ser o voluntariado tem menos custos para as corporações, embora o tema do profissionalismo seja, admitiu, uma questão que tem estado igualmente em debate.

“Não sei o que irá acontecer. Só o futuro o dirá”, concretizou.

Miguel Sousa, Verdadeiro Olhar

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