De motorista auxiliar a comandante: José Carlos Aires à frente dos Bombeiros de Lousada - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 3 de junho de 2019

De motorista auxiliar a comandante: José Carlos Aires à frente dos Bombeiros de Lousada


A ligação aos bombeiros é quase umbilical e o gosto pelo socorro cresceu com a experiência no terreno acumulada em vários anos de serviço na corporação da terra que o viu nascer, Baltar, primeiro como motorista auxiliar, depois bombeiro e também adjunto de comando. Agora, aos 53 anos, José Carlos Aires assume um novo desafio, o de comandar pela primeira vez uma corporação.

Tomou posse como novo comandante dos Bombeiros Voluntários de Lousada na semana passada. Entre as prioridades estão criar uma relação de confiança, lealdade e respeito” com os bombeiros, dar mais formação, reorganizar a parte operacional e a estrutura do quadro activo e conseguir mais equipamentos de protecção individual.

“SEMPRE FOI UMA PAIXÃO SER BOMBEIRO. TODOS OS DIAS PASSAVA NO QUARTEL, DE MANHÃ, À TARDE, À NOITE… ERA UM RITUAL”

José Carlos Aires tinha 22 anos quando se juntou aos Bombeiros Voluntários de Baltar. “A ligação aos bombeiros vem de família. O meu pai foi presidente da associação humanitária e um tio também. Já estava no sangue da família a veia de bombeiro”, acredita.

Tinha acabado de cumprir o serviço militar e já trabalhava na empresa do pai, também em Baltar, indústria que ainda hoje gere.

O irmão tinha ingressado nos Bombeiros de Baltar dois anos mais cedo. Ele entrou como motorista auxiliar, supostamente apenas para conduzir, mas os tempos eram outros e era “um autêntico bombeiro”, não esconde. A sua função era levar os outros bombeiros para incêndios e acções de socorro. A formação inicial havia de fazê-la mais tarde. “Só fiz a Escola de Bombeiros por volta dos 40 anos”, conta.

A aprendizagem tinha-a feito com a experiência. Entre muitos acidentes e incêndios que o marcaram nessa fase, a marca maior foi a de uma realidade que antes desconhecia. “Uma coisa que me marcou nessa entrada para os bombeiros foi ver a pobreza que nos rodeava e de que não tinha conhecimento. Quando íamos buscar doentes víamos situações de autêntica pobreza, material e de mentalidade. Não tinha a noção que naquela altura ainda viviam pessoas com chãos de terra e divisões feitas de lençóis. Muitas vezes, no regresso do hospital passávamos pela farmácia, para os doentes aviarem receitas, e já nessa altura muitos não tinham dinheiro para os remédios. Eu e os meus colegas muitas vezes custeávamos os medicamentos, sobretudo quando havia crianças envolvidas”, relata José Carlos Aires.

Ainda assim, apesar das situações nem sempre fáceis enfrentadas, o amor aos bombeiros instalou-se rapidamente. “Sempre foi uma paixão ser bombeiro. Todos os dias passava no quartel, de manhã, à tarde, à noite… Era um ritual. Havia camaradagem e já que lá estávamos, e éramos quase todos voluntários, estávamos sempre prontos a sair”, dá como exemplo o natural de Baltar.

Fonte: Verdadeiro Olhar

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