Ainda Pedrogão e Outros Que Possam Aparecer!!!! - VIDA DE BOMBEIRO

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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Ainda Pedrogão e Outros Que Possam Aparecer!!!!


Tenho-me abstido de comentar o despacho de Pronuncia que decidiu levar a julgamento o Comandante Augusto Arnaut dos Bombeiros Voluntários de Pedrogão Grande, na sequência do incêndio de 17 de Junho de 2017, mas hoje, até por que a LBP, já se pronunciou, apeteceu-me dizer algumas coisas.

Concordo com algumas coisas que a LBP diz no seu comunicado e não me revejo noutros, mas isso são opiniões e não estamos aqui para as discutir. Acho muito bem a LBP que está e reitere que vai prestar todo o apoio Jurídico ao Comandante Augusto Arnaut.

Agora deixem-me perguntar umas coisas que me parecem importantes, se é que ainda me lembro e eu penso que sim.

Quem, consegue sair para um incêndio, com “meia dúzia de gatos pingados” e ter como primeira prioridade a montagem de um posto de comando? É dito, ao que parece, que o Comandante atrasou a implementação da fase III do SGO. Já disporia de meios humanos e técnicos suficientes para isso?

É que, agora que a coisa aperta, toda a gente se lembra do SGO, das suas fases e o que se deve fazer em cada uma delas. O problema é que os meios técnicos e humanos não estão em cada quartel, têm que se deslocar, por vezes de muito longe, mesmo que solicitados e despachados “ao minuto” demoram tempo a chegar. Quer porque estão, geralmente, longe, quer porque só quem não conhece o Interior e não conhece as vias rodoviárias. Por cá não temos que fazer grande esforço para escolhermos o percurso, geralmente é um e esse mesmo mau e moroso.

Depois, parece-me que é dito que não autonomizou o outro incêndio que se juntaria ao de Escalos Fundeiro. Não autonomizou? Pareceu-me ouvir na altura dizer que mandou para lá uma equipa, que eu saiba qualquer equipa é autónoma até aparecer outra e nessa altura têm que se articular sob as ordens do elemento mais graduado, parece-me.

O Grande problema disto é que aquilo fruto das condições que se verificaram, correu muito mal e parece-me que tem que haver culpados. Depois, já sem fumo, entra em cena uma CTI que em grande parte do relatório afirma “Incontrolável, independentemente dos meios envolvidos”, mas deu um rebuçado a quem de direito ao afirmar que o incêndio deu duas horas ao combate, seja lá isso o que for. O incêndio não dá tempo ao combate, o combate é que dependendo dos meios dá ou não dá tempo ao incêndio para se desenvolver. Portanto é exactamente ao contrário daquilo que foi escrito, e pelo que tenho ouvido os meios eram escassos.

Depois digam-me, se souberem, onde havia forças de segurança para cortar estradas e fazer evacuações.

Acredito que a culpa não deve “morrer solteira” mas a culpa a existir é do sistema, é do ordenamento político e das prioridades que se têm tomado em termos de PC.

Os Bombeiros falharam. Aí está o que é preciso fazer passar para a população.

Pareceu-me ter ouvido há tempos que o INEM teve ou tem uma grande percentagem dos veículos parados, ou avariados ou por falta de tripulação. Será que já alguém fez um estudo para saber quantas vidas isso custou ou custa? Não se sabe. Sabem qual a razão de não se saber? Porque essa falha foi coberta pelos Bombeiros Voluntários, todos desde o Bombeiro de 3ª Classe até ao Comandante. Pareceu-me ouvir dizer, já mais que uma vez, que o Grupo de Intervenção Protecção e Socorro (GIPS da GNR) não podiam combater incêndios porque não tinham EPI. Já alguém fez um estudo para aquilatar das consequências disso? Não, sabem porquê? Porque os Bombeiros Voluntários estavam lá com bons ou maus EPI, mas estavam lá.

Sabem porque é que falhamos mais que os outros? Se é que falhamos. Porque vamos, porque reagimos ao primeiro minuto, porque a nosso ADN nos leva a estar e a não deixar para mais tarde em vez de reclamarmos.

Não, não foi o Comandante de Pedrogão Grande que falhou. Não, o responsável não é o comandante de Pedrogão Grande.

A grande falha é mesmo do sistema e das políticas adoptadas. Se tivesse-mos, País, investido na profissionalização dos CB, talvez o Comandante de Pedrogão Grande tivesse tido hipótese de ter tido outra actuação, pois poderia ter forças muito mais próximas e não ter que esperar por elas e aí hoje não estávamos a discutir de quem é a culpa.

A culpa é do sistema que falhou, mas não é com as terapêuticas que lhe estão a aplicar que vai melhorar, nada disso esqueçam, pois a distância a que as forças vão sendo estacionadas é cada vez maior, a concentração continua a crescer e a perder-se um factor essencial nesta problemática da PC, que é a proximidade.

Quem falhou? Falhamos todos e ninguém em particular………

Digo eu

Martins Andrade

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