Assalariados? Profissionais? - VIDA DE BOMBEIRO

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Assalariados? Profissionais?


Ainda as reivindicações, ou o que não foi reivindicado, não sei…..

Há dias, tive conhecimento de uma carta que o Sr. MAI enviou aos Senhores Presidentes de Direcção, ao que parece também enviou aos Senhores Comandantes, eu não sabia, às vezes assim de longe há coisas que escapam, são contingências e já agora, deixem-me dizer isto uma falha de comunicação da Liga, que a vejo muito renitente em se associar às “novas tendências informativas tipo Facebook e Twitter, de forma a informar com notícias rápidas e em cima da hora estas coisas, porque não é disto que os Jornalistas se alimentam, mas que petiscam muito, não tenham duvidas. Já no meu tempo, e já foi há uns anos me ensinaram que ou nós “alimentamos” os OCS ou eles procuram o “alimento”.

Dito isto, e ainda em relação ao tal post, o Senhor Presidente que assina “ Zé da Fisga” fez um pertinente comentário o qual me aguçou o apetite, vamos ver o engenho também, para comentar e dar a minha opinião sobre as “lebres” aí levantadas.

É mais que sabido que hoje, que eu saiba, e já há muitos anos, as Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários, já não o são na realidade, as exigências hoje e cada vez mais são maiores e o que hoje temos, com ou sem legislação são no máximo “Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários – Mistos”, digamos assim, porque hoje já nenhuma funciona simplesmente com voluntários, não é possível, ou então não funciona, é a minha visão da coisa. E então quem são estes “voluntários” que fazem disto vida? Há dois tipo. Os “Assalariados” e as EIP’s. Dentro dos “Assalariados há uma panóplia de “categorias” mais ou menos chamados ao sabor e tradição de cada Associação/CB, estou a falar dos “motoristas”, “centralistas”, “maqueiros” etc, na verdade são Operacionais que são bombeiros profissionais dentro de uma estrutura que tem a sua génese no voluntariado. E, na minha opinião, é mais que tempo, já o dizia na minha altura, de se criar uma carreira para esta gente, com regras de progressão e vencimentos de acordo com essas regras, no fundo clarificar. Mas atenção estes não poderão nem deverão ser só profissionais, essas mesmas regras têm que prever que devem e têm que ser e fazer a sua parte de voluntariado. Este é o seu emprego como outro qualquer e depois fazem o voluntariado como outro qualquer. E sim dar incentivos para esse voluntariado.

Falou também o Senhor Presidente “Zé da Fisga” que há EIP’s que são formadas por “Assalariados” com uma simples adenda aos contratos existentes e que assim passam de “Assalariados” a profissionais. Pois assim parece, mas em meu entender o problema não estará aí. Como sabem as EIP’s resultam de um protocolo tripartido entre a Associação, a Câmara Municipal e a ANPC, numa das alterações a esse protocolo foi introduzida uma alteração que diz que a entidade que acabar com o protocolo assume o pagamento das indemnizações, até aqui tudo certinho. Agora digam-me como fica isto num hipotético cenário desta natureza: O “Assalariado” tem 15 anos de contrato, faz uma alteração ao vinculo e passa para a EIP e integra-a durante 5 anos, entretanto a ANPC ou a Câmara Municipal, chateiam-se e acabam com o protocolo como fica esse “Assalariado”? A entidade que se chateou vai-lhe pagar a indemnização desses 5 anos e ele é despedido e os 15 anos que ficaram para trás? Pois vão um dia contar para a reforma. Penso ser incontestável que as EIP são uma mais valia para a prestação para do socorro, mas também é certo e sabido que uma EIP em cada CB é curto, por isso é que eu dizia no tal post da carta do Sr. MAI que poderiam ter sido criadas mais que as 120 que foram criadas se a verba não tivesse sido “desviada” para reforçar forças que não têm nada a ver com isto.

É que o protocolo deixa talvez a pior parte para as Associações, que é o garantir 16 horas do dia mais sábados domingos e feriados com voluntários. Isto é que é a “parte de Leão” e que as Associações aceitam e têm que aceitar, porque tem que se escolher o mal menor.

Meus senhores, ontem na SIC notícias ouvi um conhecido Arquitecto Paisagista (Henrique Pereira Dos Santos) dizer que se devia apostar na profissionalização, com bombeiros florestais que depois seriam complementados com os voluntários, mas que isso não era feito porque não há dinheiro. Exactamente. O que defendo é uma inversão daquilo que temos hoje, ou seja, hoje temos Voluntários complementados com Profissionais e devia ser Profissionais complementados com Voluntários. Pois, como ontem ouvia dizer, só não é feito porque não há dinheiro e aí é que entra a minha “veia” de “economista”, é verdade não se deve é desperdiçar recursos com outras forças para fazerem o que deve ser feito pelos Bombeiros e já tinha-mos aí uma boa fatia para apostar na profissionalização dos Bombeiros.

Resumindo: Ver a questão da carreira para os Assalariados; Maior profissionalização (EIP’s e porque não criação de Equipas de Bombeiros Florestais/sapadores e incentivos ao voluntariado), não descurando outras reivindicações, como Comando Autónomo. Dir-me-ão que isto é refundar os Bombeiros. Não diria tanto mas aproxima-los da realidade e das exigências, só não dêem cabo desta ENORME Instituição.

Bom fim de semana

Martins Andrade

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