Reflexão Sobre os Incêndios pelo Padre Rafel Rocha - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Reflexão Sobre os Incêndios pelo Padre Rafel Rocha


Cresci num quartel de bombeiros, grande parte dos valores enraizados em mim recebi-os lá. Lembro-me que usávamos um simples macaco listado, comprávamos um pouco de tecido para fazer um lenço de protecção do fumo, usávamos botas da tropa em segunda mão dadas pelo exército, os nossos carros de combate eram grande parte carros que tinham sido usados pelo exército, depois doados e transformados em veículos de incêndio, etc.. 

Na época de incêndios não tínhamos mais de 4 helicópteros +/_ por todo o País, se fosse um ano difícil quitavam-se os hércules C-130 da força aérea com baldes de 6000 litros de água. Claro que estou a falar à mais de 20 anos. Podemos dizer que nesse tempo tínhamos as matas mais limpas, existiam muitas pessoas que viviam, ainda, da agricultura e deste modo os campos mais bem tratados. 

Mas questiono-me: o fogo não muda é sempre igual, certo? Hoje deparamos-nos com um dispositivo de meios enormíssimo, "graças a Deus". Podemos dizer que as florestas e matas estão mais abandonadas e poluídas, mas não temos muitos mais meios? 

Antigamente quem coordenava um incêndio eram os comandantes dos corpos de bombeiros, homens com uma vasta experiência na matéria, grande parte geralmente não era doutor, mas sim homens de garra e coragem capazes de assumir riscos e tomar decisões dificílimas. 

Não faleciam mais bombeiros em combate, nem civis por desamparo, que nos dias hodiernos. Combatiam-se os incêndios com bravura, com menos equipamento, duravam menos tempo, o ideal era enfrentar e extinguir o inimigo; grande parte das vezes não havia rendições de homens porque não existiam mais.

Não quero culpabilizar ninguém, até porque nos dias correntes sinto-me um ignorante nesta matéria, ma custa-me ver a frustração dos nossos bombeiros, chamados de amadores por algumas pessoas, que não sabem que o nosso País têm e é assegurado por bombeiros voluntários à mais de 600 anos.

Não percebo o que se está a passar, mas acho que este sistema de combate utilizado pelos senhores formados e preparados academicamente para estas situações está a falhar e muito à bastante tempo. Penso que é necessário mudar e rever toda a estratégia, sobretudo dar voz a quem realmente sabe da matéria: os bombeiros, são eles que devem comandar um incêndio. Hoje deparamos-nos com tantas forças num terreno e cada uma segundo o seu comando que até se atrapalham.

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