E Se Fosse Comigo? Não Consigo Deixar de me Colocar nos Sapatos dos Outros - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

E Se Fosse Comigo? Não Consigo Deixar de me Colocar nos Sapatos dos Outros


Hoje faço 34 anos.
É dia de Alegria!
É dia de Gratidão!
É dia de Reflexão!
É dia abençoado!
A vida corre alegremente, tenho tido algumas notícias boas nos últimos dias, projectos que estavam meio parados que tiveram novos impulsos. A minha família está óptima, os amigos juntam-se na terrinha onde nascemos para passar o verão e temos festas e revisitações dos filhotes uns dos outros.

Visto assim, está tudo bem!
Só que não!

Há 5 dias que tenho o quintal, o carro e a roupa pendurada salpicados de cinzas. O céu tem um capacete de fumo. As notícias são horríveis, Monchique está debaixo de fogo há 5 dias sem parar.
Eu ao invés de me sentir extremamente feliz e leve, só me sinto grata e triste.

Nos últimos dias só consigo olhar para as imagens e para as notícias e pensar “ E se Fosse Comigo?”.

Tenho andado nos “sapatos” daqueles que estão em Monchique. E se fosse a minha casa ou o meu local de trabalho? E se tivesse que recomeçar de novo a minha vida?

Bem sei que não somos as coisas que temos, mas imagino como seria se não tivesse mudas de roupa para mim ou para o meu filho. E se me faltasse a comida ou as fraldas? Como me sentiria se tivesse que dormir num pavilhão gigante cheio de gente com o meu filho ao colo?
E se o meu companheiro, irmão, filho ou filha fossem bombeiros e estivesse na frente de fogo? Não são os meus, mas são os de alguém.
Hoje, fui entregar águas, cremes e bolachas ao quartel de Bombeiros aqui da cidade e envergonhada não contive as lágrimas (aliás, estou a segurá-las neste preciso momento). Aqueles homens de caras cansadas  agradeceram vezes sem conta a mim e aos que lá estavam pelo mesmo que eu. Disse-lhes de voz embargada “Eu é que agradeço!”.

AGRADEÇO MESMO, DO FUNDO DO CORAÇÃO.

São também eles que me permitem o sentimento de gratidão pela minha segurança, porque sei que se alguma coisa acontecer, alguém me virá socorrer.
Sinto-me grata por ver que tantos se juntam espontaneamente para ajudar. Alguns juntam-se pelos animais, outros para recolher comida e mantimentos que fazem falta, há quem se ofereça para transportar e carregar o que se reúne, há os que emprestam máquinas dos seus negócios.
Sinto-me triste porque mais uma vez muitos morreram (os animais, as plantas e todo o biota local). Alguém não cumpriu com o seu dever e há quem fique sem casa, sem local de trabalho. O pulmão (floresta) colapsou e eu não consigo deixar de me entristecer.

Hoje não escrevo sobre meditação ou uma nova perspectiva da escola. Hoje partilho os meus sentimentos, estou emocionada. Hoje escrevo sobre como é me colocar nos “sapatos” do vizinho.

Por Juliana Barroso

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