Bombeiros de Paço de Sousa Reclamam mais Meios e Verbas no 80.º Aniversário - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Bombeiros de Paço de Sousa Reclamam mais Meios e Verbas no 80.º Aniversário


O presidente da Direcção dos Bombeiros de Paço de Sousa, Felismino Madeira, o presidente da Câmara de Penafiel, Antonino de Sousa, o vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Marco Braga, e o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto, José Miranda, reclamaram um maior reconhecimento para os soldados da paz, no dia do 80.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paço de Sousa, que ficou marcado pela bênção de duas novas viaturas, uma de socorro e outra de transporte.

Durante a cerimónia foram ainda realizadas as habituais promoções e distinções, a entrega do crachá de ouro da Liga Portuguesa de Bombeiros Portugueses aos Bombeiros de Paço de Sousa e o reconhecimento das equipas de manobras da corporação pela sua participação em vários concursos quer a nível nacional quer a nível internacional.

O bombeiro de primeira classe, Belmiro da Rocha, foi agraciado com a medalha grau ouro.

Já o presidente da direcção dos Bombeiros de Paço de Sousa, Felismino Madeira, que se despediu das suas funções como executivo da direcção dos Bombeiros de Paço de Sousa, num discurso contundente, não poupou críticas à falta de apoio e reconhecimento por parte do poder político e do Governo em relação aos bombeiros.

“Cada vez mais é difícil a sustentabilidade das associações. Falo da minha, mas, também, das outras. Infelizmente o financiamento estatal é muito fraco. Há falta de  recursos, não temos outra opção que não seja pedir à sociedade civil. Conheço associações de bombeiros em que os directores já estão a atravessar-se na banca com dívidas e eu isso não faço”, disse, acusando algum desgaste e desânimo relativamente à falta de apoios com que os bombeiros têm sido brindados e justificando esta razão, assim como os seus 80 anos, como razões para não continuar à frente da direcção.

“Foram nove anos à frente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paço de Sousa e torna-se cada vez mais difícil gerir uma instituição como esta. Foram atribuídos apoios para a GNR, para a operadora da Rede Nacional de Emergência e Segurança, mas para os bombeiros não veio nada. O Estado e o poder político continuam a discriminar os bombeiros, mas aproveita-se deles de uma maneira estúpida porque os bombeiros voluntários trabalham sem horário. Os ditos profissionais têm férias, horários e outras regalias, os voluntários não têm férias”, retorquiu.

Felismino Madeira defendeu que o actual sistema e modelo faliram. “Este sistema faliu. É preciso alterá-lo. Se têm dúvidas que as associações desbaratam o dinheiro, fiscalize-se. Os bombeiros são auditados, têm que prestar contas. Somos controlados, não temos medo, não temos é dinheiro. Os bombeiros com a sua generosidade ajudam as associações a resolver problemas que são muito complicados. Não fora isso e a sociedade civil e já tínhamos fechado a porta e entregado a chave à câmara municipal”, disse. “Ninguém quer ser associado, os donativos são cada vez mais escassos, as empresas também se cansaram e, por isso, as dificuldades económicas são tremendas. Os transportes que nos dão alguma rentabilidade para manter os bombeiros  profissionais não chegam, os combustíveis estão ao preço que estão”, sustentou, sublinhando que a estas dificuldades acresce que as associações têm de pagar a segurança social dos bombeiros e os seguros.

“O que é que nos dão em contrapartida? Um PPC que é uma miséria e somos obrigados a ter aqui equipas de ambulâncias fixas para socorro”, acrescentou, avançando que a Liga dos Bombeiros Portugueses anda “entretida com o futebol”.

“Não vejo a Liga a pressionar o Governo na sustentabilidade das associações”, asseverou, referindo que as duas viaturas que foram benzidas hoje foram pagas pela corporação em parceria com a Câmara de Penafiel e uma empresa. “Uma das viaturas, a câmara deu-nos 20%, os restantes foram pagos a nossas expensas. A outra, a empresa JAP financiou-a em 75%, mas tivemos de pagar os restantes 25%. Mas o Estado não comparticipa as ambulâncias. E carros de combate a incêndios não há. Vieram cinco milhões, mas deu um carro para cada distrito. Como não temos amigos em lado nenhum não recebemos nada”, confessou.

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