Há Quem Teime em Inventar Outra Vez a Roda - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Há Quem Teime em Inventar Outra Vez a Roda

A sociedade está em constante mudança. São muitas as razões que levam a isso, por influência directa ou indirecta, por motivos fundados e planeados, ou fortuitos e apenas fruto das circunstâncias.

Em si, a mudança deverá ser algo de positivo, se partirmos do princípio que acrescenta, que valoriza, sublima até as capacidades das pessoas e dos recursos ao dispor em prol do bem-estar, da felicidade e da segurança da respectiva comunidade.

No domínio da protecção civil, porém, nos tempos que correm, fica-me a dúvida se estamos à beira de mais uma mudança ou apenas perante o anúncio e o resultado falhado de apenas mais uma. A dúvida é-me suscitada pelas posturas que tem sido tomadas e que, influenciam ou não, condicionam ou não, limitam ou não, qualquer mudança que, depois de anunciada, se venha de facto a concretizar.

Irritantemente para alguns, os bombeiros são e serão sempre parte da solução como o têm demonstrado à saciedade. Mas essa atitude, essa postura, contudo, não é assumida a qualquer preço e de qualquer modo, longe disso. Razão pela qual, qualquer mudança é para os bombeiros uma coisa a levar a sério e a encarar com a atenção e o rigor que se exige. Ora as coisas nem sempre lhes são apresentadas de tal modo.

Os bombeiros são uma instituição secular, são uma cultura, ainda mais, mas são também uma vivência com e para as populações. E é o sentido de responsabilidade e respeito para com os cidadãos que os leva, não a estar contra a mudança, mas a encará-la sempre com os cuidados que essa responsabilidade e esse respeito implicam e justificam.

O processo de mudança nos bombeiros é latente, mesmo se nem sempre, e contra sua vontade, evolui de forma continua.

Esse processo permitiu nos últimos anos, com muito trabalho e muito debate com a tutela, muitas vezes até musculado, alcançar muitas etapas, uma vezes bem sucedidas e outras adiadas ou escalonadas no tempo. Mesmo assim, foi possível alterar muita da legislação relativa aos bombeiros e ao voluntariado. Há ainda muito por alcançar, nomeadamente nos incentivos ao voluntariado, ou seja, na criação de condições e estímulos que viabilizem a disponibilidade que, longe de estar em crise, de facto, está é cada vez mais difícil de praticar e concretizar.

Tudo isso decorre num processo dinâmico de mudança, nem sempre bem sucedido mas que os bombeiros pretendem manter sempre em carga.

Não deixa por isso de estranhar-se que alguém, da própria tutela ou com o seu beneplácito, venha agora dizer que se torna imperioso criar uma suposta unidade de missão para fazer mudanças de fundo nos bombeiros. Soa obviamente a falso, mesmo a pouco sério, já que parece querer fazer crer que nada foi feito ou nada está a ser feito. Mais, há ainda muitas outras coisas para fazer que, contudo, nem dependem nem terão ganho de causa apenas por que agora se decidiu criar essa unidade. Melhor será que corrija a posição admitindo ter partido de uma mera distracção. Se assim não for, quem o anuncie e defenda estará a sair-se muito mal. Andarão a tentar enganar alguém, apenas.

Anunciar a dita unidade, como se até agora nada tivesse sido feito ou, fazendo assim tábua rasa, não houvesse compromissos assumidos com os bombeiros e ainda por cumprir, é um mau caminho que abre porta a abordagens redondas e simplistas tão ao jeito de alguns. São abordagens que só confundem e intoxicam a opinião pública, alimentando interesses conhecidos mas estranhos aos bombeiros e ambições de contornos sombreados e mal esclarecidos mas, apesar disso, bem conhecidas.

Este ano, não se espantem, corremos o risco de ver no terreno técnicos e especialistas em maior número que os próprios bombeiros. Nada de que já não se tivesse ouvido falar.

Teimosamente, há ainda quem queira fazer crer que acabou de inventar a roda. Esquece-se, porém, que ela foi inventada há muito e que os seus registos mais antigos datam de 3500 anos antes de Cristo.

LBP

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