Retardante de Ataque a Fogos Fica na Gaveta - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Retardante de Ataque a Fogos Fica na Gaveta


A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) deu um parecer positivo ao uso de um retardante - cedido a título experimental em 2015 - para combater os fogos florestais, e na altura os comandantes de bombeiros mostraram-se "bastante agradados" com os efeitos do 'Firelimit'. 

Mas até hoje, este produto não foi adquirido pelo Estado. "Não dá para perceber porquê. Tinha-se evitado a destruição de tanta floresta e de casas", diz ao CM Jorge Mendes, da Associação de Comandantes dos Bombeiros Portugueses, confrontado com a conclusão do relatório de 2016 a que o CM teve acesso. Assinado pelo ex-presidente da ANPC, Francisco Grave Pereira, no documento, datado de 17 de maio, pode ler-se que num dos testes efetuados "o produto evidenciou um enorme potencial para uma utilização, em ataque ampliado preventivo, pelos Fireboss - avião médio anfíbio -, nomeadamente se utilizado nos primeiros 30 minutos do incêndio". 

"Este produto é amigo do ambiente, não é tóxico, e tem um efeito de quinze dias. O produto ao ser derramado cria uma barreira ao fogo e impossibilita reacendimentos", segundo Jorge Mendes. "Certamente, tem de haver um investimento para adquirir o retardante, mas poupam-se milhões na destruição de bens", diz o responsável. Os testes também foram feitos em viaturas dos bombeiros e em extintores, tendo os resultados também sido animadores. "Isto foi falado várias vezes com a ANPC antes do início da época de fogos, mas ninguém percebe porque é que não foi adquirido" pelo Estado, diz. 

PORMENORES 
4,2 euros por litro 

Foi uma empresa espanhola sedeada em Pontevedra que cedeu o produto para que as autoridades portuguesas o experimentassem. O retardante testado custa, por litro, 4,2 euros. 

Defende casas 

No relatório da ANPC conclui-se que o produto "poderá revelar--se interessante para utilização na defesa de património, atrasando a propagação do incêndio e facilitando o ataque de meios terrestres". 

Espumífero 

Ao CM, a Proteção Civil diz ter estreado este ano um espumífero no combate aos fogos. Diz ainda estar a avaliar o uso de produtos em fase de testes nos aviões Fireboss. Decisões só a partir de outubro.

Fonte: Correio da Manhã

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