Suspeito de Incêndios na Madeira Condenado a Três Anos de Prisão Efetiva VIDA DE BOMBEIRO: Governo Confirma que Bombeiro Ferido Andou às Voltas Durante Várias Horas

domingo, 6 de agosto de 2017

Governo Confirma que Bombeiro Ferido Andou às Voltas Durante Várias Horas


INEM tentou encaminhar bombeiro de Castanheira de Pêra ferido com gravidade para um hospital, mas por várias vezes foi impedido devido às condições de segurança causadas pelo incêndio. Ministério da Saúde explica condições de trabalho durante a tragédia.

Rui Antunes Rosinha foi um dos quatro bombeiros de Castanheira de Pêra que seguia no camião que teve um acidente na fatídica estrada nacional 236-1, na noite em que deflagrou o incêndio de Pedrógão Grande. O bombeiro, ferido com gravidade, andou por vários locais até chegar ao Hospital da Prelada, no Porto, no dia seguinte, às 6h da manhã — quase dez horas após o acidente. O Ministério da Saúde justifica as viagens da emergência médica com as dificuldades provocadas pelo incêndio.

Rui Rosinha está actualmente internado no Hospital de São João, no Porto, ainda com um estado de saúde reservado, depois de ter sido transferido do Hospital da Prelada, onde chegou no dia 18 de Junho. Mas até lá chegar, o INEM levou-o por duas vezes ao Centro de Saúde de Castanheira de Pêra, fez uma tentativa para o levar para Figueiró dos Vinhos e uma outra para o levar de helicóptero até à Prelada e primeiro teve de ir até à Lousã. As voltas deste ferido foram alvo de perguntas do PSD ao Governo, que agora responde.

As deslocações do INEM com o bombeiro fizeram-se ao compasso do fogo. O Ministério da Saúde (MS) justifica as voltas com as circunstâncias especiais do incêndio, que levaram à intransitabilidade intermitente de estradas e às dificuldades de visibilidade para os helicópteros de transporte de feridos. "Durante o transporte houve necessidade de circular muito devagar por falta de visibilidade (fumo) e mudar várias vezes de trajecto (estradas cortadas por incêndios, obstáculos nas vias)", esclarece o gabinete de Adalberto Campos Fernandes.

O destino inicial para os seis feridos que resultaram do acidente, quatro deles bombeiros, era Figueiró dos Vinhos, "mas, porque a via não estava transitável devido ao incêndio, houve a necessidade de alterar a rota para Castanheira de Pêra", lê-se. Ali “foram prestados os cuidados iniciais aos feridos e estabilizados" e decidido o transporte para Coimbra. Contudo, "durante o trajecto, a estrada por onde circulavam ficou intransitável pelo fogo" e foi decidido o regresso a Castanheira, para onde, garante o MS, o "INEM já tinha enviado meios diferenciados". É esta a razão para que Rui Rosinha tenha estado duas vezes no mesmo centro de saúde, com cerca de duas horas de intervalo.

Em Castanheira de Pêra, foi necessário esperar pelo helicóptero para fazer o transporte para o Porto. Primeiro, o helicóptero do INEM de Santa Comba Dão transportou uma criança para Coimbra, depois foi reabastecer e regressou para transportar o bombeiro. Daqui resulta nova complicação forçada pelo incêndio. "Porque não existiam condições de segurança na região de Pedrógão Grande, o helicóptero foi forçado a aterrar no aeródromo da Lousã, o que obrigou ao transporte terrestre (1 hora e 40 minutos)". O MS garante que durante toda a deslocação o bombeiro esteve sempre acompanhado por equipas médicas, não lhe tendo faltado o tratamento médico de que necessitava.

Da Lousã, Rui Rosinha foi para o heliporto do Hospital Pedro Hispano e depois de ambulância para o Hospital da Prelada, onde chegou às 6h de domingo, cerca de dez horas depois do acidente.

Na resposta ao PSD, o MS explica ainda que houve "condições muito adversas" para o trabalho das equipas de emergência médica pré-hospitalar, com dificuldades em deslocações e obrigando a "tomada de decisões clínicas que garantissem, ainda assim, que as vítimas, depois de devidamente estabilizadas, pudessem ser transportadas em condições de segurança".

No cenário daquele dia, ainda com o incêndio activo, o MS diz que não foi possível "a realização de 'rendez-vous' com meios diferenciados", uma prática usual, e que por isso foi sempre necessário "um reajuste dos pontos de encontro” e de “tomadas de decisão de forma a prestar o melhor socorro às vítimas". Apesar das dificuldades, o MS garante que "os cuidados iniciais exigidos para o tratamento de um doente queimado foram cumpridos" por todas as equipas médicas até aos internamentos nas diferentes unidades de queimados.

Fonte: Publico
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