Suspeito de Incêndios na Madeira Condenado a Três Anos de Prisão Efetiva VIDA DE BOMBEIRO: Bombeiros de Portimão são Chamados a 900 Ocorrências Mensais

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Bombeiros de Portimão são Chamados a 900 Ocorrências Mensais


Numa altura em que a Associação dos Bombeiros Voluntários de Portimão celebra os seus 90 anos de existência, o Algarve Marafado entrevistou o comandante da corporação, Richard Marques.

Algarve Marafado (AM) – Que meios humanos tem a corporação nesta altura? 

Richard Marques (RM) – Neste momento, temos 120 operacionais, sendo que 80 são voluntários e 40 profissionais. Há dois anos tínhamos um total de 80 pessoas no quadro activo, tendo-se verificado um aumento de 40 ao longo deste período, fruto de duas campanhas de recrutamento. Este acréscimo operacional fez com que a corporação passasse para o Tipo 1, estatuto que é dado às que têm maior dotação de recursos humanos. Apesar disso, não vamos parar com as campanhas.

AM – Não vão parar porque os meios humanos que têm ainda são insuficientes?

RM – Os nossos meios são suficientes para responder à procura operacional. Mas, ano após ano, há bombeiros que atingem a idade da reforma. Portanto, esta questão de alimentar o voluntariado é algo que não pode parar porque necessitamos sempre de bombeiros. Isto, apesar de, nesta altura, estarmos numa fase de adaptação das nossas instalações, do nosso quartel, que está dimensionado para 80 operacionais e tem de ser redimensionado para 120.

AM – Foi também criada uma escola de cadetes, em que os potenciais futuros bombeiros dão os primeiros passos. Tem sido fácil chegar às crianças e jovens?

RM –  Tem sido mais fácil do que esperávamos. Quando lançámos o programa “90 anos, 90 actividades dos Bombeiros Voluntários de Portimão”, um dos projectos foi criar uma escola de cadetes e infantes, que não tínhamos.

Achávamos que iam aparecer cerca de 10 ou 15, no máximo, aí uns 20 miúdos. Neste momento, são 30 e não temos condições de aceitar mais inscrições, apesar de haver interessados. Mas tem sido muito interessante e esta é também uma forma de motivar as crianças para que, mais tarde, possam ingressar nos quadros dos Bombeiros.

AM – E atrás das crianças e jovens surgem, imagino, também os pais e avós que passam a dar mais atenção ao que se passa nos bombeiros, não?

RM –  Sim, é verdade. Sobretudo, desde que criámos a escola – apesar de já sentirmos isso na Fanfarra – tem sido uma coisa fora do normal. Os pais querem colaborar, querem contribuir, têm desenvolvido uma série de projectos, até de angariação de fundos, para que a escola possa evoluir.

AM – Como está a corporação, em termos de meios materiais? As viaturas que têm chegam para as necessidades ou precisam de mais?

RM –  O nosso parque automóvel sofreu uma requalificação, nos últimos dois anos. Tínhamos alguns problemas e, com o apoio de algumas entidades, nomeadamente da autarquia, foi possível fazer a sua recuperação, mas, naturalmente que nunca podemos dizer que estamos satisfeitos, queremos sempre estar melhor equipados, queremos sempre ter aquilo que é a vanguarda do equipamento operacional. Nos próximos tempos, teremos de pensar em substituir alguns veículos, que já têm um período de vida útil bastante avançado.

AM – Os bombeiros têm maior visibilidade pública quando há grandes incêndios, mas a sua actividade operacional é muito mais do que combater fogos…

RM –  Isso, de facto, é verdade. É no Verão, ou quando temos uma ocorrência mais expressiva que sentimos que a população está mais desperta para a existência dos bombeiros. Nós tentamos inverter isto, pois a culpa não é da população, será nossa, porque, se calhar, não abrimos suficientemente as nossas portas para dar a conhecer todo o trabalho que desenvolvemos ao longo do ano.

Por isso é que desenvolvemos uma série de actividades com a população, no âmbito do nosso programa comemorativo dos 90 anos. Fizemos mais de 30 rastreios de saúde, fizemos demonstrações práticas, acções de sensibilização, convidámos a população a vir muitas vezes ao nosso quartel, tem sido muito interessante esta interligação, esta proximidade com os portimonense.

AM – Quis são as principais ocorrências a que são chamados, ao longo do ano?

RM –  O tipo de ocorrências mais frequente é a emergência médica, mas isso é transversal a qualquer corpo de bombeiros. Temos, depois, aquele período crítico de incêndios florestais que, este ano, se manifestou de forma mais expressiva no concelho de Portimão. Para além disso, os incêndios urbanos e os acidentes fazem parte dos primeiros indicadores da procura operacional.

AM – Tem ideia a quantas ocorrências os Bombeiros de Portimão são chamados, mensalmente?

RM –  Neste momento, estamos com uma média de 900 ocorrência mensais, em várias áreas de intervenção, desde protecção e socorro, salvamento animal, abertura de portas, abertura de elevador, queda em falésia, enfim, uma panóplia de ocorrências.

AM – Em termos de incêndios, este ano foi o mais complicado, desde que está em Portimão?

RM –  Desde 2003, foi o ano que mais exigiu, do ponto de vista da resposta, no concelho de Portimão. Felizmente, as coisas foram muito diferentes do que se viveu em 2003, o que também resulta daquilo que foi a evolução do próprio sistema e dispositivo de resposta. Mas, de facto, exigiu, do ponto de vista operacional, de todos os bombeiros e bombeiras de Portimão, um acréscimo de esforço e empenhamento.

AM – O que aconteceu vai levar a algumas alterações, ao nível do vosso sistema ou que existe é o indicado para atacar este tipo de incêndios?

RM –  A nossa função é no final da linha, nós estamos no combate. Agora, ano após ano, e esta é a vantagem do nosso conceito, da nossa forma de estar, temos sempre lições que aprendemos, há sempre qualquer coisa que podemos fazer melhor. O que é preciso é termos capacidade de perceber onde é que podemos melhorar.

Hoje em dia, a resposta, em termos de combate a incêndios florestais, é regional, tem a intervenção simultânea de vários corpos de bombeiros, logo no ataque inicial. Portanto, este conceito tem-se verificado ser muito positivo porque resolve logo 90 e muitos por cento das ocorrências. Portanto, na minha opinião, é um conceito que deve continuar a ser aplicado.

Fonte: http://www.algarvemarafado.com/
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