Património Efectivo e Também Afectivo - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Património Efectivo e Também Afectivo


Ao dar os primeiros passos para a candidatura das Viaturas Antigas de Bombeiros a Património da Humanidade, no âmbito da UNESCO, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) está a corporizar o sentir e a homenagear os milhares de bombeiros que há anos nos seus poucos tempos livres têm dedicado muitas horas à recuperação desse património móvel.

Simultaneamente, a LBP pretende homenagear as associações e corpos de bombeiros, os dirigentes e comandos que têm incentivado e patrocinado o restauro, a manutenção e o acondicionamento em condições especiais desse numeroso acervo museológico que marca, por um lado, o percurso histórico de cada uma das associações e corpos de bombeiros, e por outro, no seu conjunto, uma memória colectiva dos Bombeiros de Portugal que enriquece a comunidade e testemunha um longo e rico passado.

Ao lançar a candidatura à UNESCO, o presidente do conselho executivo da LBP, comandante Jaime Marta Soares, lembrou que “estamos todos convocados para um objectivo que, em nosso entender, deve servir de pretexto, não só para aumentarmos a nossa auto-estima mas, também, e sobretudo, o orgulho que nos assiste, desde sempre, enquanto Bombeiros de Portugal e do Mundo”.

Cada Associação tem sempre muitas histórias associadas às suas viaturas antigas que, agora, quais guerreiros em repouso, permanecem como testemunho de outros tempos.

No final de Dezembro do ano transacto, e por ocasião do 81º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Águeda, o seu presidente da assembleia-geral, Paulo Sucena, lembrou durante a sessão solene que, “na memória de aluno da Escola do Adro guardo a imagem de um estranho veículo a que chamávamos Fargo que por vezes víamos com um olhar atravessado de espanto a descer a Rua Ferraz de Macedo, com um badalo a tocar em tom heróico sacudido por mão firme e decidida”. E lembrou também “a figura do Manuel Chapeleiro, do Gil Brinco, do Alberto da Joana”, sublinhando que “eram aguedenses que na Fargo se transmudavam em heróis na minha imaginação sob os brancos capacetes e a mancha azul das suas fardas de bombeiros”.

Paulo Sucena lembrou ainda quando “o vermelho da Fargo que sempre me fascinara ensinou-me naquela tarde o que é o vermelho – tristeza”. Recorda a propósito o dia em que o mesmo veículo, em marcha lenta levou o caixão do seu avô, sócio nº 44 da Associação.

Quantas histórias como estas, e outras, conhecemos associadas às nossas antigas viaturas, nossas parceiras e até confidentes de outros tempos. Memórias a que também juntamos as dos homens e mulheres que habitualmente as conduziam.

São todas essas memórias que com esta candidatura, se pretendem sublimar e perpetuar globalmente como um património que sendo, à partida, material, também o é em termos sentimentais. No fundo, um património que sendo efectivo, também é muito afectivo.

LBP

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