Os chamados desportos radicais e muitos outros exercícios associados ocupam um lugar muito importante nas actividades de ar livre, de lazer, permitindo a fruição de ambientes especiais, de paisagens, em lugares remotos, de difícil acesso e experiências fora do comum em meio natural.
Mas o que é belo, deslumbrante até, e muito saudável, contudo, pode esconder um conjunto de riscos que devem ser especialmente acautelados, desde logo, e em especial, pelos praticantes dessa panóplia de actividades.
Está em causa a salvaguarda da sua integridade física mas, também, a daqueles que muitas vezes são chamados a intervir na sua busca e socorro.
Entre uns e outros haverá muitas diferenças. Ambos terão gosto e apetência pelo meio natural mas encaram-no de modo diverso.
Os primeiros, falo dos praticantes, assumem os riscos sem que se vejam obrigados a isso, com total gratuitidade, livremente, por sua iniciativa, com o simples objectivo da diversão e do prazer.
Os segundos, os bombeiros, assumem os riscos em reacção, sem qualquer objectivo de diversão ou prazer, mas numa lógica de missão, de serviço à comunidade, voluntariamente.
No caso dos desportos radicais e práticas associadas, mais uma vez, os bombeiros jogaram por antecipação e, na maior parte dos casos, para não dizer sempre, agiram às suas próprias custas.
Cientes dos riscos inerentes àquelas actividades, e às condições em que muitas vezes são praticadas, os bombeiros cedo perceberam que teriam que preparar-se para novas missões, tão ou mais arriscadas que as das vítimas que são chamados a procurar, a socorrer e a resgatar em circunstâncias e condições particularmente difíceis.
Perante a necessidade de acautelar os riscos que correm e salvaguardar a eficácia da sua intervenção, os bombeiros perceberam também que importava obter ferramentas próprias e formação adequada.
Os bombeiros buscaram a formação e as ferramentas, e obtiveram-nas. Sabe-se lá com que dificuldades, por que o material é caro, e com que esforço, por que a formação exige conhecimentos e prática noutras vertentes e domínios onde antes os bombeiros não navegavam.
Hoje todos contam que os bombeiros dominem essas especialidades. Não lhes importa saber como lá chegaram, quanto custou, o esforço que representou, os riscos acrescidos que elas acarretam e somam às que eles já enfrentam.
Na sociedade, esta mudança profunda e complexa na intervenção dos bombeiros parece ter passado ao lado. Pensarão até que se chegou lá por simples rotina, naturalmente, sem que para tal tenha sido necessário trabalhar, desenvolver novas dinâmicas e obter meios próprios.
Até as estruturas associativas de desportos radicais, organizações congéneres sua promotoras, inclusive em termos comerciais, têm-se mantido à margem. Salvo, honradíssimas excepções que tendo significado local pouco ou nada contam ou valem para o panorama global.
Tudo isto dá que pensar. Como é possível a prática destas actividades sem que os promotores e os praticantes, no fundo, no ponto de vista dos bombeiros, tantas vezes não garantam as necessárias condições de segurança?
Este problema tem-se desenvolvido em crescendo com muito boa gente a assobiar para o ar. Excepto, mais uma vez, os bombeiros com os seus continuados alertas para os riscos dessas actividades e a falta de condições para o seu exercício.
É bom que os cidadãos possam fruir o ar livre e o meio natural. Mas façam-no com consciência e em condições, ou seja, acautelando até à exaustão as normas de segurança.
Os bombeiros agradecem e recomendam.
LBP
