A vaga de fogos dos últimos dias já destruiu centenas de hectares de mato e floresta, ameaçou casas, cortou estradas, a Linha da Beira Alta, deixou populações em sobressalto e está a colocar o dispositivo à prova.
Um total de 985 incêndios deflagraram entre sábado e segunda-feira em Portugal, de acordo com dados da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).
Esta segunda-feira registaram-se 308 incêndios e no sábado 295. Até agora, domingo foi o dia do ano com mais trabalho para os bombeiros, com 382 fogos.
A vaga de incêndios dos últimos três dias já destruiu centenas de hectares de mato e floresta, ameaçou casas, cortou estradas, a Linha da Beira Alta, deixou populações em sobressalto e está a colocar o dispositivo à prova.
No sábado estiveram no terreno 6.042 operacionais, no domingo 7.845 e na segunda-feira 6.852 bombeiros e elementos da Protecção Civil, entre outros.
Os 45 meios aéreos do dispositivo para o actual período crítico de incêndios, conhecido como fase “Charlie”, não têm tido mãos a medir para ajudar a apagar tantos fogos.
Os helicópteros e aviões de combate a incêndios foram accionados 96 vezes no sábado, 125 no domingo e por 117 ocasiões na segunda-feira.
No conjunto dos três dias, o distrito do Porto foi o que registou mais ignições, num total de 308, seguido de Braga com 136, Viana do Castelo com 81 e de Viseu com 74.
Um dos maiores incêndios dos últimos dias deflagrou, esta segunda-feira, em Mangualde. Foi activado o plano de emergência municipal e o autarca João Azevedo fala em centenas de milhares de euros em prejuízos.
Risco de incêndio desce ao ritmo da temperatura
O risco de incêndio vai diminuir nos próximos dias nas regiões do litoral norte e centro e manter-se elevado no interior devido à descida da temperatura prevista já para terça-feira, indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
"A tendência é que o risco diminua nos próximos dias, principalmente no dia 12 [quarta-feira], onde já se prevê precipitação", afirmou à agência Lusa a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Joana Sanches.
Em relação às temperaturas, o IPMA prevê que comecem a descer na terça e na quarta-feira e que continuem até ao final da semana abaixo dos 30 graus em todo o território, com excepção das regiões do sul, onde as temperaturas vão chegar aos 30 graus. "No entanto, nas regiões do interior vai manter-se elevado", salientou.
Segundo o IPMA, o risco "diminui nas regiões do litoral norte e centro, onde há mais nebulosidade, mais humidades, o que ajuda a que o risco de incêndio diminua".
A ministra da Administração Interna disse esta segunda-feira que o dispositivo de combate a incêndios florestais tem "respondido adequadamente" à situação que se viveu nos últimos três dias, tendo actuado com "o grau de exigência operacional pedido".
Para Anabela Rodrigues, "Portugal está a enfrentar condições meteorológicas muito severas e favoráveis aos incêndios florestais", o que não acontecia há 15 anos.
A ministra destacou ainda os dados da GNR, que este ano já deteve 48 pessoas pelo crime de incêndio florestal, mais nove do que em igual período de 2014.
Fonte: Renascença
