Pois bem, dia 21/7/2015, por volta das 17H30 talvez, num momento de cabeça quente, após ouvir em directo na CMTV as palavras do repórter, ou apresentador Nuno Graciano, que subtilmente criticou o trabalho dos bombeiros, “proferi” palavras talvez um quanto agressivas.
Agora, depois de arrefecer e ter descontraído, venho igualmente, de uma forma subtil, dizer o seguinte:
Sr. Nuno Graciano,
Vamos então por partes, estava nervoso e acompanhado pelos seus filhos e outros moradores, alguns deles com dificuldades, que tentavam ajudar-se uns aos outros… certo… não faziam mais nada do que a vossa obrigação em ajudarem-se porque assim deve se viver em sociedade e caso não saiba, fica a saber, que protecção civil somos todos nós… questiono, fez o seu papel como protector civil?
Outra questão, se sentia que estava em perigo, porque se manteve no local, com os seus filhos e a filmar?
A GNR ajudou a retirar pessoas? Fez muito bem, também eles são protecção civil e muito bem cumpriram o seu papel! A isso chama-se trabalho em equipa!
Depois, impressionou-se com o tempo que os bombeiros levaram para chegar ao local, estavam noutros locais e não ali, que demoraram a desenrolar mangueiras… Meu querido, os bombeiros não possuem ainda nenhum portal que os tele - transporte para todos os pontos que ardem, prontamente equipados para caírem num local e começarem a combater… eles têm que se deslocar nos veículos que não andam a 200 kms/h, o material tem que ser montado e têm que coordenar-se à chegada ao local, para definir estratégias… não são deuses omnipotentes nem omnipresentes!
O seu amigo, campeão de vela, que conhece o vento como ninguém, deve ainda saber que o vento é o elemento mais traiçoeiro, mudando constantemente de direcção e intensidade e fico feliz pelo seu grande conhecimento não ter resultado no que tomou como certo acontecer, não tendo o fogo chegado a nenhuma casa.
Quanto às suas ultimas palavras, a demora dos bombeiros foi causadora das chamas estarem a por em perigo a sua casa? Não meu querido, o motivo foi porque decerto ou alguém foi negligente ou alguém foi criminoso ao atear as chamas.
Para terminar, Sr. Nuno Graciano, os bombeiros falham? Falham sim senhor! Mas falham a tentar dar o seu melhor por quem não conhecem... e às vez o seu melhor são as suas vidas...
Muitos podem já ter-se esquecido, mas eu não esqueço… e pelo menos duas das corporações que combateram hoje nesse incêndio, perderam cada um, ainda há bem pouco tempo, um operacional. E para que tal como hoje, o Nuno pudesse estar com os seus filhos, um desses operacionais era uma mãe, e ela, tal como muitos outros que deixam seus filhos, deixou a sua filha para trás, para ajudar outras famílias!
Não sei se se recorda mas essa mãe não voltou, para ter a sorte que o Nuno vai ter, em ver os seus filhos crescer.
Podem dizer-me as vezes que quiserem, “Ignora certas palavras, não vale a pena”… “Ai, foi em momento de aflição… “
Não posso ignorar, porque também os bombeiros sentem medo e aflição quando a pele queima, quando as botas derretem, quando não conseguem respirar com tanto fumo e tanto calor, quando passam sede e fome enquanto combatem durante horas, quando não sabem se vão voltar a ver os seus filhos, as suas famílias, os seus amigos… e sabe Sr. Nuno, não é por isso que não deixam de lutar e proteger o que não é deles e quem não conhecem.
Os bombeiros não precisam que os ponham num pedestal, não precisam que lhes chamem de heróis, precisam sim, que a população os respeite, os ajude e os incentive a continuarem a cumprir, de corpo e alma a missão a que se entregaram.
Cumprimentos desta mulher bombeiro e mãe
P.S. – As melhoras dos colegas que se feriram no combate de hoje, felizmente desta vez, não foi grave.
