Afinal Quem é o Chefe da Viatura? - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 30 de junho de 2015

Afinal Quem é o Chefe da Viatura?


Há uma cultura de base, uma prática consolidada, uma questão perfeitamente definida e sedimentada quando um grupo ou equipa de bombeiros entra numa viatura de bombeiros para responder a um pedido de socorro.

À frente, ao volante, vai o motorista, cujo papel está definido e é determinante, não só na mobilidade do veículo mas, também, como sabemos, como pivot, quer na operação com a bomba, controlo do funcionamento da mesma e das reservas de água recorrendo a apoio externo de outra viatura tanque ou ligação a hidrante, quer com outros equipamentos instalados na mesma viatura.

Ao lado do motorista, como também sabemos, vai o chefe da viatura, a quem cabe definir os termos e a estratégia da intervenção, incluindo cumprir e fazer cumprir as regras de segurança e da eficácia no socorro.

Atrás, vão os restantes operacionais, a quem cabe dar forma a essa estratégia executando todas as manobras necessárias ao êxito da intervenção, a partir do local onde a viatura seja posicionada pelo motorista por decisão do chefe da viatura.

Aqui, directamente, não há nem se vislumbram quaisquer interferências externas, salvo a interligação com outras equipas de bombeiros quando se trate de acção conjunta. De qualquer modo, trata-se de um “reino” onde não cabe nem tem lógica intervir de fora seja quem for.

Tudo isto parece óbvio, escorreito e perfeitamente legítimo. O que está em causa é o socorro e há estruturas próprias dos bombeiros para o executar.

Mas quando tentamos aplicar, decalcar este modelo tão simples, tão directo e lógico ao funcionamento e à articulação dos bombeiros com o Estado e, em especial, com a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) é que as coisas se complicam.

Nunca estará em causa a necessidade de articular, como é óbvio, esse funcionamento. Mas já subsistem sérias dúvidas que a articulação identificada como tal tenha precisamente esse sentido e significado.

Para que haja uma verdadeira articulação entre entidades, incluindo com os bombeiros, importa que resulte de um posicionamento em pé de igualdade numa lógica de confluência para um objectivo comum e com as ferramentas e as competências específicas de cada um. É assim que os bombeiros se querem posicionar na estrutura da proteção civil. Mas há uma lógica viciada, de curto-circuito, que faz deles os principais operacionais mas que não reconhece nem legitima uma verdadeira cadeia hierárquica, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a Direcção Nacional da PSP, o Comando-Geral da GNR, a Direção do INEM, a Direção da Cruz Vermelha, ou até as Forças Armadas.

Os Bombeiros são a única entidade que, no presente, concorre para o objectivo comum mas não consegue liderar operacionalmente as suas estruturas como acontece com as referidas entidades.

O comandamento autónomo dos bombeiros parece absolutamente lógico mas tarda em acontecer não obstante a defesa dessa legitimidade pela Liga dos Bombeiros Portugueses, sufragada em Congresso e repetida à exaustão, antes, e desde então, pelo presidente do conselho executivo.

A realidade está no facto dos Bombeiros pretenderem ter a primeira e a última palavra hierarquizada sobre a sua estrutura e funcionamento, qual organização de uma qualquer viatura de socorro. Mais simples será difícil de explicar.

Fonte: LBP