A mediocridade também tem trono
Há uma espécie de miséria humana que não nasce da falta de inteligência, mas da ausência de carácter.
É aquela que aprende a subir sem crescer, a mandar sem saber, a exigir respeito sem alguma vez o ter merecido.
Há quem confunda a posição que ocupa com o valor que possui. Quem acredita que um título lhe acrescenta aquilo que a personalidade nunca conseguiu construir.
E depois há os outros. Os que assistem, os que aplaudem, os que se calam por conveniência. Porque a mediocridade raramente chega ao poder sozinha. Precisa de mãos que a empurrem, de consciências que se vendam e de cobardias que se disfarcem de lealdade.
O problema nunca foi existirem pessoas pequenas em lugares grandes. O verdadeiro problema é haver estruturas inteiras dispostas a ajoelhar-se perante elas.
O mérito incomoda porque não se compra. A competência assusta porque não se improvisa. E a integridade é perigosa porque não aceita coleiras.
Por isso, em certos lugares, não se promove quem mais vale. Prefere-se quem menos questiona, quem melhor obedece e quem nunca ameaça a confortável mediocridade instalada.
Mas há uma verdade que nenhum título consegue apagar: A autoridade pode ser atribuída. O respeito, nunca.
E quando a história finalmente fizer as contas, não perguntará quantos degraus alguém subiu, mas quantas vezes teve de baixar a cabeça, vender os princípios ou pisar os outros para lá chegar.
Porque há quem chegue ao topo por mérito.
E há quem apenas prove que até o topo pode ficar abaixo da dignidade de quem nunca precisou de se ajoelhar.
Nem toda a ascensão é uma conquista. Algumas são apenas a prova de que o sistema deixou de ter vergonha.

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