Se tutelasse o pelouro dos Bombeiros e tivesse a responsabilidade de definir o rumo do setor, começaria por duas medidas estruturais. Duas medidas que considero fundamentais para garantir a sustentabilidade dos corpos de bombeiros, valorizar os seus profissionais e voluntários e, acima de tudo, proteger melhor as populações.
1️⃣ Dimensionar os corpos de bombeiros de acordo com os riscos e as necessidades de cada município.
Não podemos continuar a pensar o sistema de socorro sem uma visão integrada do território e das suas necessidades reais.
Cada município deve ter um dimensionamento adequado, tendo em conta critérios objetivos, como:
🔹 Número de habitantes e densidade populacional;
🔹 Área florestal e risco de incêndio rural;
🔹 Dimensão da área urbana;
🔹 Existência de zonas industriais e riscos tecnológicos;
🔹 Características geográficas e tempos de resposta necessários.
Deste diagnóstico resultaria a definição de rácios mínimos de capacidade operacional para cada município, incluindo o número de bombeiros profissionais e voluntários, as viaturas e respetivas valências, os equipamentos, os meios técnicos e as infraestruturas necessárias.
Este modelo permitiria estabelecer responsabilidades claras e garantir um financiamento do Estado aos municípios ajustado às necessidades identificadas, assegurando que os meios de socorro correspondem efetivamente aos riscos existentes.
Porque a proteção das populações não pode depender apenas da capacidade financeira de cada município ou do esforço extraordinário dos seus bombeiros.
2️⃣ Criar uma carreira profissional valorizada e um modelo de benefícios estruturais para os bombeiros voluntários.
Não há futuro para os bombeiros sem valorização de quem está na linha da frente.
É fundamental estabelecer uma tabela salarial justa e uma carreira profissional robusta, com progressão, formação, especialização e reconhecimento das responsabilidades assumidas.
Mas é igualmente necessário construir um modelo de benefícios para os bombeiros voluntários que seja claro, consistente e duradouro.
Um modelo em que a disponibilidade, a competência, a formação e o compromisso operacional sejam reconhecidos de forma proporcional, com benefícios concretos e estruturais, associados a critérios transparentes e às responsabilidades assumidas.
Ser voluntário não pode significar viver permanentemente na incerteza quanto ao reconhecimento do seu contributo. O voluntariado deve continuar a ser valorizado, mas precisa de condições que permitam atrair, motivar e reter pessoas, conciliando a missão de servir com a vida profissional e familiar.
Não basta agradecer aos bombeiros quando há incêndios, cheias ou outras catástrofes. É necessário criar condições para que possam continuar a servir com dignidade, segurança e motivação.
🚨 O FUTURO DOS BOMBEIROS EXIGE PLANEAMENTO, INVESTIMENTO E CORAGEM PARA REFORMAR.
Estas duas medidas seriam o ponto de partida para um sistema mais equilibrado, sustentável e preparado para os desafios do futuro.
Um sistema em que os meios acompanham os riscos, o financiamento acompanha as necessidades e a valorização acompanha a responsabilidade.
Porque investir nos bombeiros não é uma despesa supérflua. É investir na segurança das pessoas, na proteção do território e na capacidade de resposta do País.
“A grandeza de uma sociedade mede-se não apenas pela forma como agradece a quem a protege, mas sobretudo pelas condições que lhe proporciona para continuar a fazê-lo.”
O futuro dos bombeiros constrói-se hoje. Com visão, compromisso e respeito por quem está sempre pronto a ajudar. 🚒🇵🇹
Comandante Jacinto Reis Oliveira
Comandante dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz

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