Bombeiros de Mirandela confirmam que devolução de subsídio era prática comum - VIDA DE BOMBEIRO

______________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Bombeiros de Mirandela confirmam que devolução de subsídio era prática comum

 


Dois bombeiros da corporação de Mirandela confirmaram, esta terça-feira, em tribunal, que devolviam parte do montante que recebiam por integrarem, nos meses de verão, as equipas do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF). Afirmaram ainda que a devolução de cinco euros por dia era uma prática aceite pelos operacionais, porque lhes era dito que esse dinheiro servia para "fazer melhoramentos no quartel" ou para pagar água e luz. O atual comandante da corporação, Luís Soares, negou a prática de qualquer crime.


As declarações foram feitas no início do julgamento em que o ex-comandante dos Bombeiros de Mirandela, Edgar Trigo, o seu então adjunto e atual comandante, Luís Soares, bem como a própria Associação dos Bombeiros, estão acusados dos crimes de peculato, abuso de poder e falsificação de documentos.


Segundo um dos bombeiros, cada um dos cinco elementos das equipas do DECIF recebia 45 euros por dia, mas, no final do mês, todos devolviam cinco euros desse montante, sendo-lhes passado um recibo de "donativo".


As devoluções, explicou, eram feitas por transferência bancária das contas pessoais para a da associação.


No depoimento prestado em tribunal, outro operacional confirmou que a indicação para devolver a verba lhe foi transmitida pelo então presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Mirandela, Marcelo Lago, que faleceu em 2024.


Comandante sem acesso às contas


Também nesta terça-feira, o atual comandante, Luís Soares, negou qualquer crime. Aos juízes, explicou que, à data dos factos que estão a ser julgados, era adjunto de comando e não tinha responsabilidades relacionadas com o funcionamento das equipas de DECIF. Garantiu também que "não tinha acesso às contas bancárias, nem aos mapas de pagamento", frisando que as questões financeiras são tratadas pela direção da associação humanitária.


Luís Soares sublinhou que os mesmos mapas eram enviados para o comando operacional distrital de Bragança, entretanto extinto, que depois transmitia os dados à Autoridade Nacional de Proteção Civil, responsável pelos pagamentos.


O depoimento de Luís Soares foi feito depois de o outro arguido, Edgar Pires, ter-se ausentado da sala de audiências.


Mas de 121 mil euros recebidos indevidamente


O Ministério Público está convicto de que, entre 2014 e 2017, os dois comandantes, em conluio com Marcelo Lago, "obtiveram, em benefício da associação, verbas monetárias pagas pela Autoridade Nacional da Proteção Civil, a título de subsídios de DECIF, em montantes superiores àqueles que efetivamente eram devidos e que foram por aquela associação apropriados".


Nos quatro anos em análise, os Bombeiros de Mirandela terão recebido "indevidamente" 121.524,99 euros.


JN

Sem comentários:

Enviar um comentário