Os fenómenos climáticos estão a tornar o combate a incêndios e a outras emergências mais exigentes. O presidente da Liga dos Bombeiros diz que Portugal continua sem estar totalmente preparado para cenários complexos e defende a criação de um comando nacional de bombeiros, que dê mais autonomia aos profissionais.
Em entrevista à SIC Notícias, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses diz que as mudanças no clima deixaram de ser um problema que se vai resolvendo com o tempo e que Portugal continua sem estar totalmente preparado para enfrentar cenários complexos.
"Começámos a perceber que não é bem assim", afirma António Nunes, acrescentado que a meteorologia e a climatologia estão hoje a “dominar a perspetiva política e de resiliência dos territórios e das populações”.
Considera que a capacidade técnica existe, na medida em que é possível antecipar cenários e reunir capacidade operacional para responder às ocorrências, mas aponta falhas a aspetos essenciais “na fase de execução”, dando como exemplo a mobilização de mais meios aéreos no combate a incêndios de grandes dimensões.
Defende, por isso, que Portugal devia ter testado um comando nacional de bombeiros, que desse mais autonomia e capacidade de decisão às corporações, enquanto a Proteção Civil assumia um papel de coordenação e sensibilização. Até porque, como sublinha António Nunes, uma boa resposta às emergências passa por preparar melhor a população.
"Há comportamentos que temos de ter e essa é uma educação que nos faltou durante décadas", continua.
Embora reconheça que a população pode desempenhar um papel importante no combate aos incêndios, em particular, no acesso a terrenos e a pontos de água, o presidente da Liga dos Bombeiros avisa que a colaboração não deve colocar ninguém em risco.
"Também devemos saber defender-nos, não atrapalhar, não estacionar o carro mal, não ir para a frente do fogo", afirma.
Nesse sentido, alerta também para o perigo de os populares usarem fogo para travar o avanço das chamas, uma prática que continua a prevalecer em algumas regiões do país, nomeadamente, em concelhos do interior. Explica que se trata de uma técnica que deve estar reservada a profissionais, autorizada e utilizada em vários países, mas que só deve ser feita de forma planeada e coordenada.
“Esta técnica tem de ficar muito clara: onde se vai fazer e como se vai fazer”, explica.
Num período em que o país se encontra em situação de alerta, decretada pelo Governo até segunda-feira, é importante que a população esteja atenta aos avisos das autoridades, adverte António Nunes. Isso evita comportamentos de risco que, muitas vezes, sobrecarregam os bombeiros, num momento que já é de grande pressão.
SIC Noticias

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