Governo abre a porta aos privados na emergência pré-hospitalar - VIDA DE BOMBEIRO

______________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

domingo, 17 de maio de 2026

Governo abre a porta aos privados na emergência pré-hospitalar

 


Para evitar o caos dos últimos meses, em que muitas vítimas não têm resposta a tempo, e caso seja necessário, as situações menos graves vão poder ser socorridas em ambulâncias privadas. Uma opção que se pode ser usada pelo INEM no próximo inverno.


O Governo decidiu avançar com várias medidas para reorganizar o INEM e assim tentar evitar novos casos de rutura. E entre as alterações em marcha está a abertura da emergência pré-hospitalar aos privados. Num despacho do gabinete da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, publicado em Diário da República a 6 de maio, é definido que nas situações menos urgentes, que podem esperar 120 minutos, o socorro é feito em veículos com “avisadores luminosos sem avisadores sonoros”, o que vai permitir o recurso aos privados que não possuem veículos com sirene.


Esta alteração surge no âmbito de um conjunto de medidas que definem várias alterações. Segundo explica à CNN Portugal o presidente do INEM, Luís Cabral, não está previsto o recurso ao setor privado no imediato, mas admite-se essa possibilidade, caso seja preciso, por exemplo, no “próximo inverno”.


A opção de se usar ambulâncias de empresas privadas destina-se aos casos considerados “pouco graves” e com “com risco clínico baixo” e que estão no nível mais baixo de prioridade, segundo o documento. Nesse tipo de veículos há dois tripulantes de ambulância de transporte que têm formação em suporte básico de vida.


Ao todo estão fixados no INEM quatro níveis de prioridade: no primeiro (emergente) a chegada do socorro ao local tem de ser feita até oito minutos, no segundo (muito urgente) estão estipulados 18 minutos; no terceiro (urgente) o tempo máximo de espera são 60 minutos e depois há o quarto, em que são considerados episódios pouco urgentes e que podem implicar demoras de 120 minutos. Só neste último se exclui a obrigatoriedade de as ambulâncias andarem com “avisadores sonoros e luminosos”.


“É uma novidade. Nunca esteve previsto que as ambulâncias de emergência pré-hospitalar pudessem andar sem sirenes”, diz à CNN Portugal o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pre-Hospitalar, considerando que esta situação pode “contrariar o próprio código da estrada, uma vez que marcha de emergência nos termos da lei só se assinala com sinais luminosos e sonoros”. Por outro lado, Rui Lázaro sublinha que é sempre “um risco deixar emergências à espera ou mandar profissionais com pouca formação, pois a triagem telefónica será sempre um pouco falível e às vezes a situação pode agravar-se a meio do processo”


Os bombeiros também já anunciaram publicamente a sua oposição a esta possibilidade: “A Liga dos Bombeiros Portugueses manifesta-se frontalmente contra a possibilidade de as empresas privadas virem a fazer socorro pré-hospitalar”, avisaram em publicações nas redes sociais, explicando que esta posição foi “retomada na sequência das informações vindas a público sobre a refundação do INEM”.


Lembrando que “não é por acaso que os bombeiros são responsáveis por 95% do socorro pré-hospitalar no nosso país”, a Liga sublinha que são cumpridos “padrões de qualidade e competência”.


A direção do INEM, por seu lado, aposta tudo numa mega reorganização que está a fazer no instituto: passar a usar as ambulâncias dos bombeiros para os pedidos de socorro de todo o pais e reservar 40 viaturas do INEM para o transporte de doentes entre hospitais e para serem usadas em períodos críticos, entre outras medidas.


CNN Portugal

Sem comentários:

Enviar um comentário