A falta de bombeiros nos Bombeiros Municipais de Coruche, deixa, sobretudo no período noturno e fim de semana, os 17 mil habitantes do concelho em risco, isto porque em caso de um incêndio ou uma ocorrência grave, o auxílio poderá estar a mais de 30 minutos.
O último caso, de um homem que este sábado morreu, depois de ter estado à espera de socorro mais de uma hora, em Santana do Mato, veio colocar novamente na ordem do dia a falta de operacionais nos Bombeiros de Coruche, que sobretudo durante o período noturno e fim de semana não têm a guarnição, de cinco elementos, para que possa sair um carro de combate a incêndio.
O atual corpo de bombeiros tem 22 elementos, cerca de um terço do que seria “desejável”, que entre si têm que responder aos turnos, fazer formações, gozar férias, havendo ainda a possibilidade de algum poder ter que necessitar de baixa médica, o que reduz ainda mais o número de bombeiros disponíveis para o socorro.
O caso do passado sábado, ocorreu depois dos bombeiros de Coruche terem já “dado recusa” a alguns pedidos, que foram sendo suprimidos por outras corporações, como Salvaterra de Magos, que há hora da ocorrência tinha duas ambulâncias no concelho de Coruche, e Mora, que apesar da disponibilidade, chegou tarde a Santana do Mato.
Nuno Coroado, Comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche, contactado pelo NS, lamentou o desfecho da ocorrência, escusando-se a mais comentários, referindo apenas que gere os bombeiros que tem disponíveis.
O responsável salientou ainda que o recrutamento de novos bombeiros está sob a alçada da Câmara Municipal de Coruche.
Entre a população corre já uma “normalização” do atraso do socorro, como um caso verificado 10 de setembro de 2025, em que um sinistrado em estado grave, na freguesia de São José da Lamarosa, esteve 50 minutos à espera da equipa de desencarceramento dos Bombeiros de Coruche.
A acrescer à falta de bombeiros, há ainda o vasto território do concelho de Coruche, cerca de 1.120 quilómetros quadrados, o que muitas vezes agrava os atrasos verificados. Em caso de um incêndio grave ou outra ocorrência de grandes dimensões, a ocorrência pode tomar proporções de maiores e graves.
Atualmente, e contrariando aquilo que existe em outros concelhos, como Mora, Benavente e Salvaterra de Magos, não existe em Coruche uma política de incentivos aos bombeiros e agentes da Proteção Civil, o que dificulta o processo de recrutamento, que no último processo aberto apenas teve um candidato admitido.
Nos concelhos onde existem o programa de incentivos, os bombeiros, elementos da GNR e demais agentes da Proteção Civil são compensados com a isenção de IMI e outras taxas municipais, gratuitidades em equipamentos municipais, entre outros incentivos.
Em Coruche, a população começou já a “normalizar” o atraso no socorro, sendo que ao tempo da demora da chegada dos bombeiros, acresce o transporte ao Hospital de Santarém, que em alguns pontos do concelho pode chegar aos 45 minutos.
O NS remeteu este domingo um conjunto de questões ao Presidente da Câmara Municipal de Coruche, Nuno Azevedo, responsável máximo da Proteção Civil de Coruche e gestor do corpo de Bombeiros, sendo que até à publicação desta notícia não obtivemos qualquer resposta, ainda que tenhamos solicitado, e sensibilizado, para a urgência do tema.
sapo.pt

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