As comemorações dos 246 anos de existência da companhia de bombeiros sapadores de Viana do Castelo ficaram marcadas, este domingo, por um apelo do presidente da câmara local ao Governo para a "discriminação positiva" dos 25 municípios do país que possuam corpos de bombeiros profissionais.
O autarca Luis Nobre (PS) defendeu que estes deveriam beneficiar de "financiamento direto" do Estado, frisando que a atividade da corporação aniversariante, registou um crescimento da sua atividade, num acumulado nos últimos dois anos (2024 e 2025), de "50 por cento", com suporte financeiro da câmara municipal de "cerca de três milhões de euros".
"Não é uma despesa, é um investimento que 25 municípios do país fazem no país e que depois não vem reconhecido", referiu, considerando que, hoje em dia, os sapadores "estão altamente preparados para intervir com mais eficácia e eficiência" em eventos e solicitações "mais complexos", resultantes do desenvolvimento dos territórios e também das alterações climáticas. "A nossa companhia e as outras 24 profissionais, estão preparadas para esse efeito e isso tem custos. E acho que o Estado tem de ser solidário com esta capacidade técnica instalada no território", disse, defendendo que o apoio estatal pode ser feito "por duas vias: ou mecanismos de discriminação positiva ou financiamento direto". "Acho que objetivamente o que deveria acontecer é financiamento direto, deste esforço que é assumido pelos municípios e por portugueses desses municípios. Há, efetivamente, uma resposta a duas velocidades que tem que ser revistada e revista", acrescentou.
No seu 246.º aniversário, o corpo de sapadores de Viana do Castelo foi agraciado pela sua "participação nas ações de socorro, desde a primeira hora, na zona Centro", atingida pela tempestade Kristin.
Aquela companhia é a terceira mais antiga do país, a seguir a Lisboa e Porto, e é composta por um total de 76 elementos, dos quais 74 operacionais. Apenas três são mulheres. Desde 2024, presta serviço com "14 operacionais por turno".
Na sexta-feira, foi aberto concurso para preenchimento de 15 novas vagas, seguindo-se o processo de formação e seleção de recrutas.
Segundo o comandante dos sapadores de Viana do Castelo, Ricardo Fernandes, as novas realidades que os bombeiros profissionais enfrentam têm exigido "diversificação da formação técnica".
Indicou que a atividade da companhia sofreu em 2025 "um aumento de 20 por cento, somando a um aumento de 30 por cento em 2024", o que representa "um crescimento de 50 por cento só em dois anos". Destacou como "aspecto positivo" a "redução dos incêndios urbanos", em resultado de ações de sensibilização pública, em que a corporação tem apostado. "Isso quer dizer que estamos a conseguir transmitir a mensagem, mas não conseguimos contornar outras realidades. Fruto do crescimento do território, temos mais pessoas a circular, mais veículos na estrada e pessoas a ocupar o território, e temos um aumento significativo da emergência médica", indicou, sublinhando que "as alterações climáticas também vieram trazer muitos fenómenos, com inundações e quedas de árvores em massa". "Infelizmente, ainda não conseguimos contornar a sinistralidade rodoviária. Continuamos com valores muito elevados", notou o Comandante Ricardo Fernandes, sublinhando o apelo do autarca local: "Temos de ter investimento. Sem investimento, não vamos conseguir, com esta linha de crescimento, com esta linha de resposta que a sociedade precisa".
JN

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