Dez comandantes de bombeiros do Médio Tejo reagem a críticas e defendem atual modelo de proteção civil - VIDA DE BOMBEIRO

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Dez comandantes de bombeiros do Médio Tejo reagem a críticas e defendem atual modelo de proteção civil

 


Os comandantes de Corpo de Bombeiros da Sub-região do Médio Tejo voltam a manifestar-se sobre o modelo organizativo da proteção civil e corpos de bombeiros. Numa nova carta aberta, publicada cerca de um ano depois de uma missiva semelhante, dizem não entender a insistência em nivelar o sistema por baixo, preferindo olhar para o que correu mal sem analisar o que correu bem.


“Continuamos a não conseguir compreender o porquê de se continuar a insistir em “nivelar por baixo” o sistema de proteção e socorro em Portugal continental (isto tendo por base algumas referências ao que “correu mal” em alguns territórios, ou do próprio funcionamento da Autoridade Nacional de Proteção Civil).


Porque não explorar e analisar onde possa ter corrido bem, o porquê de ter corrido dessa forma, e o que pode ser feito para replicar por outros locais do País (onde poderá ter corrido menos bem)”, começam por questionar.


Na carta aberta enviada ao Presidente da República, Ministro da Administração Interna, Secretário de Estado da Proteção Civil, Presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, com conhecimento aos presidentes das câmaras municiais dos concelhos do Médio Tejo, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e presidentes das entidades detentores dos corpos de bombeiros, os subscritores dizem que é tempo de, quando se critica, “chamar os bois pelos nomes”, acabando com críticas sem rosto.


“No que diz respeito a falhas de «comando e coordenação» em operações de proteção e socorro, ou na sua componente preventiva e preparatória, ou mesmo entre articulação entre agentes de proteção civil, proferidas por algumas entidades que se apresentam como sendo «representativas do setor» (e como sendo estas as únicas «donas da verdade», merecendo «tempo de antena» em todos os «palcos públicos» e, também, a serem ouvidas pelos Governantes do setor), importa reforçar que onde algo corre (ou correu) mal, ou as pessoas/comandos não cumpriram/desempenharam corretamente as suas funções, que estas Entidades «representativas» tenham a coragem de fazer as referências «pelos nomes e locais»”.


“Os visados, por certo, não terão qualquer problema em assumir tal responsabilidade das decisões que foram, ou não, tomadas”, reforçam.


Na carta, a que a Rede Regional teve acesso, os responsáveis dos bombeiros do Médio Tejo dizem ainda que não compreendem “como alguns elementos de comando de corpos de bombeiros, espalhados pelo País, aceitam que alguém tente imputar culpas únicas «ao homem de azul», quando sabem que são eles próprios a assumir a quase totalidade das decisões e responsabilidades técnico-operacionais pelo que foi (ou não foi) feito nos territórios e nas ocorrências”.


“Na realidade, todas estas críticas, nesses casos e a serem verdade, deveriam ser assumidas por eles, ou, porventura ao serem falsas ou infundadas, virem a público criticar quem os criticou a eles (designadamente os ditos «representantes»)… Ainda mais sabendo que essas críticas apenas têm como objetivo «deitar abaixo» o Sistema atual, para que eles próprios (os ditos «representantes»), com o eventual suporte dos atuais responsáveis governativos, possam criar e ocupar um «novo» Sistema”, completam os comandantes.


Assinam a carta aberta os comandantes André Teodoro (Abrantes), Nuno Mendes (Caxarias), Francisco Barbosa (Entroncamento), Joaquim Gonçalves (Fátima), Vítor Carvalho (Ferreira do Zêzere), Sérgio Henriques (Minde), Jorge Gama (Barquinha), Paulo Silva (Alcanena), Nuno Morgado (Sardoal) e Humberto Morgado (Tomar).


EM DEFESA DO ATUAL MODELO


Em anexo à carta aberta, os comandantes juntam o documento enviado em fevereiro de 2025, onde dizem ser sua opinião que “desde a sua implementação, em janeiro de 2023, estes comandos sub-regionais têm desempenhado um papel crucial na coordenação eficaz entre os corpos de bombeiros, autarquias e as comunidades intermunicipais, fortalecendo a resposta a emergências e a proteção das populações”.


“A ação conjunta, musculada e articulada dos nossos corpos de bombeiros, maximizada neste modelo de “proximidade” adotado através dos CSREPC, tem permitido promover e potenciar a partilha de meios e recursos (materiais e humanos) entre todos os seus agentes (designadamente os Corpos de Bombeiros), com claros benefícios para todos e, no «fim de linha», para as suas populações”, acrescentaram na altura.


Os comandantes salientam ainda o papel da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, que consideram “um exemplo notável desta colaboração bem-sucedida”, destacando o investimento de cinco milhões de euros na aquisição de onze veículos operacionais e uma embarcação, de entre outras obras em infraestruturas e aquisição de equipamentos destinados às diversas corporações de bombeiros da região.


“É fundamental lembrar que a proteção civil não se resume apenas a incêndios rurais, como muitos que defendem esta mudança organizativa parecem acreditar. A proteção civil abrange um vasto conjunto de situações que exigem uma resposta coordenada e eficaz e que, salvo melhor opinião, é claramente maximizada e potenciada através da atual organização do sistema de proteção civil, através das sub-regiões”, afirmam os dez comandantes.


“Reverter esta estrutura pode comprometer os avanços alcançados, enfraquecer a cooperação entre as entidades envolvidas na proteção civil (socorro e salvamento) e pôr em causa todo o trabalho de proximidade com os autarcas e as suas comunidades”, concluem.


Rede Regional

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