Ao longo de quase 30 anos como bombeiro, tenho observado algo que diz muito sobre Portugal: é um país extraordinariamente rico em “especialistas”. Um país pequeno, mas cheio deles. Especialistas sentados em secretárias, em cadeiras confortáveis de gabinetes, nos estúdios de televisão, sempre prontos a debitar teorias e opiniões para o povo engolir.
O que nunca vi foi esses mesmos especialistas no terreno. Nunca os vi a puxar mangueiras, a comer seja lá o que houver no meio do mato, a trabalhar debaixo do sol ou da chuva. Nunca os vi de motosserra na mão, a montar uma motobomba para retirar água, a transportar feridos para uma ambulância ou a levá-los ao hospital.
Vejo muito paleio, muita conversa bem ensaiada, mas trabalho… zero. E são estes senhores que aparecem como os “heróis” de Portugal, apenas porque sabem falar bem, enquanto passam o verão no ar condicionado e o inverno com os aquecedores ligados.
Enquanto isso, é o Zé Bombeiro — e tantos outros como ele — que carrega o país às costas, longe das câmaras, longe dos aplausos, muitas vezes sem reconhecimento.
Já chega de tanto especialista que nunca faz nada. O país não precisa de mais comentadores — precisa de quem esteja disposto a sujar as mãos e trabalhar quando é preciso.
Autor: Paulo Reis – Editor Bombeiros.pt

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