"Não seria para pedir telhas nem lonas": Proteção Civil diz que não se justifica ativar mecanismo europeu - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

"Não seria para pedir telhas nem lonas": Proteção Civil diz que não se justifica ativar mecanismo europeu

 

 

O presidente da Proteção Civil disse esta segunda-feira que "não se justifica" pedir ajuda ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil para responder às consequências da tempestade Kristin, sustentando que tem regras e não serve "para pedir telhas nem lonas".


Em declarações aos jornalistas, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura considerou que "não se justifica, de todo", ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, uma vez que "Portugal ainda não esgotou a sua capacidade" de resposta à tempestade Kristin.


"O mecanismo tem regras de acionamento e equipamentos específicos que nós devemos ativar. Neste momento, todas as situações que foram solicitadas foram correspondidas. Não temos nenhum meio para dizer à União Europeia que precisamos desta tipologia ou daquela. Não seria para pedir telhas, não seria para pedir lonas, isso são materiais que o país naturalmente tem de ter capacidade de resolver", disse.


O presidente da ANEPC garantiu que Portugal "ainda não esgotou a sua capacidade" e está "muito longe disso", recordando que o país tem ao dispor mais de 30 mil bombeiros, além dos elementos das forças de segurança e militares.


"Não se justifica de todo o mecanismo para recrutar ou para solicitar ajuda em termos de pessoas para vir ajudar o país", disse, salientando que em relação às cheias não há "ainda nenhuma situação também a preocupar neste momento".


José Manuel Moura acrescentou que, ao longo desta semana, o país pode enfrentar um "problema significativo em termos de emergência" devido à "forte precipitação" prevista até domingo e esclareceu que "o mecanismo europeu pode ser ativado a qualquer momento".


"Não podemos ativá-lo por qualquer razão, para pedir um meio que pode estar ao nosso alcance e que não está esgotado naquilo que são as capacidades do país. O país não vai pedir telhas ao mecanismo europeu. Agora, nós temos é que ter a estrutura montada e preparada para que, a haver uma falência de um qualquer equipamento", se possa ativar, frisou.


Segundo o responsável, o mecanismo pode ser ativado caso nos próximos dias possam vir a ocorrer grandes cheias e o país não tenha as "bombas de grande débito ou de alta capacidade" suficientes.


José Manuel Moura salientou que o mecanismo europeu de proteção civil "de alguma forma já foi ativado através do Copernicus", o programa europeu de observação da Terra, que fornece imagens de satélite que ajudam na identificação zonas afetadas.


O presidente da ANEPC disse ainda que a resposta da Proteção Civil à depressão Kristin "foi ao mais alto nível", que acompanhou a situação "a par e passo" desde o dia 26 de janeiro, quando a formação da depressão foi sinalizada pelo IPMA.


Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.


A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.


Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.


O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.


Correio da Manhã

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