A situação interna na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sever do Vouga agravou-se nas últimas horas e ameaça ter impacto direto na resposta de emergência no concelho. Um total de 58 bombeiros do corpo ativo formalizou, junto da Direção e do Comando, um pedido de passagem à inatividade que produzirá efeitos a 16 de março, caso a atual Direção não apresente a demissão.
O documento, a que o nosso jornal teve acesso, assume a forma de ultimato e poderá traduzir-se numa saída em bloco de cerca de 80% dos operacionais atualmente no ativo, num universo aproximado de 75 elementos. A confirmar-se este cenário, a estrutura operacional da corporação ficará reduzida a um número residual de bombeiros, colocando em causa a capacidade de resposta às ocorrências no concelho.
Na comunicação enviada, os signatários invocam uma “incompatibilidade com a orientação e decisões da atual Direção”, referindo que a posição assumida resulta de uma reflexão ponderada face à “realidade institucional” vivida. Sustentam ainda que o contexto atual tem dificultado o alinhamento interno, afetando a motivação e o compromisso considerados essenciais ao bom funcionamento da corporação e à qualidade do serviço prestado à população.
Os bombeiros admitem assegurar os serviços mínimos durante o período de transição, mas deixam claro que o pedido de inatividade será automaticamente retirado caso a Direção avance para a demissão.
Contactado pelo nosso jornal, o presidente da Direção, Joaquim Macedo, optou por não prestar declarações sobre o conteúdo da carta.
A tensão na corporação não é recente. No final de 2025, o então comandante Miguel Matos apresentou a demissão, tendo a chefia operacional passado a ser assegurada pelo 2.º comandante, Telmo Asensio. Já em janeiro, um grupo de bombeiros tornou pública uma carta aberta onde denunciava alegadas falhas ao nível dos equipamentos de proteção individual, condições degradadas no quartel, falta de investimento no parque automóvel — descrito como envelhecido e com avarias frequentes — e interferência da Direção em matérias da competência do Comando.
A Direção respondeu posteriormente através de comunicado, rejeitando as acusações. No final desse mês, os bombeiros realizaram uma vigília silenciosa junto ao quartel, ação que contou com o apoio de alguns populares.
Perante a eventual concretização da passagem massiva à inatividade, poderá caber à Câmara Municipal de Sever do Vouga e à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil desencadear medidas de contingência para garantir a continuidade do socorro e evitar falhas graves na proteção civil do concelho.
Os próximos dias serão decisivos para o desfecho de uma crise que ameaça afetar diretamente a segurança da população severense.
sapo.pt

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