Três dias, três mortes à espera de socorro. INEM garante "transparência" - VIDA DE BOMBEIRO

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Três dias, três mortes à espera de socorro. INEM garante "transparência"

 


Só nesta semana, morreram três pessoas por alegadamente não terem sido socorridas dentro do tempo necessário. INEM nega falhas mas garante transparência na investigação ao sucedido. Bombeiros invocam a necessidade de mudanças e já se fala (novamente) em falhas do SNS.


É um início de ano infeliz para a Saúde em Portugal. Se 2025 já ficou marcado pela crise nas urgências, com enfoque particular para a situação das grávidas a dar à luz em ambulâncias, 2026 começa com números preocupantes no que diz respeito à falta de socorro urgente.


Em apenas três dias, morreram três pessoas. Todas elas, alegadamente, sem a prestação de cuidados de saúde dentro do tempo que seria expetável.


O presidente do INEM considera que, pelo menos no primeiro caso, houve uma triagem correta, estando o problema relacionado com a falta de ambulâncias e os seus trabalhadores recusam ser "bode expiatório de falhas do Serviço Nacional de Saúde".


Entretanto, já foram abertas investigações para apurar as circunstâncias destas três fatalidades.


Três dias, três mortes cujo socorro urgente ficou aquém


Homem esperou 3 horas no Seixal


A primeira morte aconteceu na terça-feira, quando um homem, de 78 anos, terá estado, alegadamente, 3 horas à espera de ser socorrido.


A vítima, de 78 anos, ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 11h20 de terça-feira, tendo esta situação sido classificada como prioridade 3 - que prevê o acionamento de meios em 60 minutos. Contudo, a viatura médica foi enviada pelas 14h09, quase três horas depois.


Tudo indica que a Cruz Vermelha do Seixal não tinha ambulâncias e só conseguiu enviar um meio para o local já depois de a vítima estar em paragem cardiorrespiratória. O homem não sobreviveu.


Bombeiros de Carcavelos accionados para Sesimbra


Esta quarta-feira, os bombeiros de Carcavelos decidiram denunciar através das suas redes sociais situação semelhante. A corporação do concelho de Cascais foi ativada para uma ocorrência na Quinta do Conde, em Sesimbra. Apesar da sua ação ter sido célere, devido à distância a percorrer, os bombeiros já nada conseguiram fazer.


O responsável por esta corporação fez saber que foram "acionados às 14h" e chegaram ao local "às 14h44”, altura em que encontraram a vítima em “paragem cardiorrespiratória" e deram início às "manobras de reanimação". Segundo o Comandante António Canento, o óbito acabou por ser declarado no local pela equipa médica do INEM, que entretanto também já tinha sido acionada.


Uma hora à espera de auxílio em Tavira


Um homem de 68 anos morreu na quarta-feira em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro. Segundo a fonte, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e consumido um xarope.


A fita do tempo desta ocorrência, a que a Lusa teve acesso, regista uma primeira chamada pelas 18:07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios.


A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18:47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.


Bombeiros admitem que algo não está bem


O presidente da Liga dos Bombeiros, António Nunes, acredita que "a aplicação universal de um sistema que poderá funcionar em situações de emergência pode não ser o sistema ideal para o dia-a-dia nalgumas regiões do país".


"Há momentos durante o ano em que picos provocam ruturas. Nós já chegámos à conclusão [...] que é preciso melhorar todo este sistema. As ambulâncias não podem ficar paradas nos hospitais, como tem vindo a acontecer em situações de pico, por falta de macas ou de um sistema de resolução dos problemas dos hospitais", defendeu, salientando que a "direção executiva [do SNS] tem de resolver o problema das urgências, o INEM tem de resolver o problema da triagem e nós, bombeiros, temos de corresponder aos pedidos e solicitações do INEM".


Investigações em curso


Na sequência do sucedido, tanto o IGAS como a Procuradoria Geral da República decidiram apurar os contornos destas mortes.


Ontem, a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) anunciou que abriu um inquérito para apurar os pormenores relacionados com a morte do homem de 78 anos, no Seixal, com vista a analisar a "qualidade dos serviços prestados ao utente na perspetiva da prontidão".


Já hoje, a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaurou um inquérito à morte do mesmo homem e determinou a realização de uma autópsia médico-legal ao corpo.


O INEM abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde.


"Não haverá aqui qualquer ocultação por parte do INEM"


O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, garantiu hoje que o instituto será "transparente" na averiguação das responsabilidades dos casos que vieram a público nas últimas horas e que dão conta de atrasos no socorro de doentes.


"A última vez, por motivos de greve, em que houve esta falha no INEM, essas averiguações foram feitas e depois foi-se concluindo, em algumas alturas que não havia uma responsabilidade direta do INEM nessas situações. Nós seremos sempre muito transparentes neste processo. Seremos muito claros quanto aquilo que se passou. Em relação aquilo que são os tempos que foram as diferentes ambulâncias e viaturas com médicos envolvidas. Não haverá aqui qualquer ocultação por parte do INEM", assegurou o responsável aos jornalistas, depois de ter estado reunido com a Liga dos Bombeiros.


Apesar de ainda haver muitos pontos por esclarecer, já há várias informações a reter, e tudo indica que estamos a assistir a mais um passa-culpas ligado ao INEM que se prevê não fique por aqui.


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