Oposição interna denuncia “crise profunda” nos Bombeiros de Sever do Vouga e pede substituição da Direção - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Oposição interna denuncia “crise profunda” nos Bombeiros de Sever do Vouga e pede substituição da Direção

 


Um grupo de bombeiros do Corpo de Bombeiros de Sever do Vouga tornou público um extenso documento onde denuncia aquilo que considera ser uma “situação crítica” vivida na corporação, apontando responsabilidades diretas à atual Direção da Associação Humanitária. O texto, dirigido aos associados e à população severense, elenca múltiplas falhas ao nível do funcionamento interno, [...]

Um grupo de bombeiros do Corpo de Bombeiros de Sever do Vouga tornou público um extenso documento onde denuncia aquilo que considera ser uma “situação crítica” vivida na corporação, apontando responsabilidades diretas à atual Direção da Associação Humanitária. O texto, dirigido aos associados e à população severense, elenca múltiplas falhas ao nível do funcionamento interno, da gestão operacional, dos recursos humanos e do parque de veículos, concluindo com um apelo à mobilização da sociedade civil para a substituição do atual elenco diretivo.


No documento, os subscritores afirmam que a Direção “não promove o diálogo nem ouve os operacionais”, tomando decisões que interferem diretamente com a dinâmica e organização do Corpo de Bombeiros. Referem ainda a ausência, nos últimos anos, de qualquer gesto formal de agradecimento ou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos bombeiros, apesar de missões consideradas exigentes e de elevada responsabilidade.


Entre as críticas apontadas estão também as más condições de conforto no quartel, nomeadamente a inexistência de climatização nas áreas comuns e a falta de investimento em camas, colchões e equipamentos adequados ao descanso, apesar de alegadamente terem existido mecenas disponíveis para apoiar essas melhorias. A situação agrava-se, segundo o documento, com a falta total de armários para o crescente número de bombeiros, obrigando ao transporte de fardamento em viaturas particulares.


Os bombeiros denunciam ainda carências graves ao nível do equipamento de proteção individual, com parte do efetivo sem EPI adequado para incêndios estruturais e outra parte a utilizar material considerado obsoleto e degradado, colocando em causa a segurança dos operacionais. O recrutamento de funcionários é igualmente criticado, por ser realizado externamente, sem dar prioridade ou oportunidade a bombeiros interessados.


No plano organizacional e de gestão, o texto acusa a Direção de ingerência direta em matérias operacionais, incluindo ordens dadas diretamente a bombeiros, interferindo na resposta ao socorro e na cadeia hierárquica instituída. É igualmente referida a avocação, pela Direção, da gestão da central de telecomunicações, decisão classificada como “visionária” mas que, segundo os operacionais, gerou instabilidade, confusão nos procedimentos e foi agravada pela nomeação de uma funcionária administrativa para essa função.


Outra das críticas incide sobre a contratação de funcionários civis não bombeiros para funções operacionais, contrariando aquilo que os subscritores dizem ser a prática generalizada no país, onde as associações privilegiam bombeiros com formação, experiência e custos acrescidos reduzidos. Acresce que esses funcionários civis necessitam, posteriormente, de formação básica, considerada de eficácia duvidosa e com encargos financeiros relevantes para a associação.


O documento aponta ainda falhas na política de motivação e compensação, nomeadamente a inexistência de suplementos salariais simbólicos para funcionários com carta de pesados e/ou TAS, bem como a ausência de uma data fixa para pagamento de salários e gratificações, situação que oscila de mês para mês. São também criticadas a falta de iniciativas sociais, culturais ou de angariação de fundos e a inexistência de campanhas de captação de novos associados, consideradas essenciais para a sustentabilidade financeira da associação.


No que respeita aos veículos e equipamentos, o diagnóstico traçado é particularmente severo. Os bombeiros consideram que o parque de viaturas de socorro é dos mais obsoletos do país, sem investimento direto da associação nos últimos anos. Denunciam avarias frequentes, sobretudo em veículos de combate a incêndios florestais, que permanecem meses inoperacionais, inclusive em períodos críticos, sem que exista comunicação clara sobre prazos de reparação, comprometendo o planeamento operacional.


É ainda referido que existem veículos já abatidos ao efetivo operacional que permanecem parados no exterior do quartel, expostos à degradação, quando poderiam ainda ter valor de mercado. Relativamente à aquisição de novas viaturas, os bombeiros sublinham a necessidade urgente de reforço do parque de ambulâncias de socorro, devido ao envelhecimento das atuais, às exigências do INEM e à frequência com que todas as ambulâncias ficam simultaneamente empenhadas, deixando o socorro desguarnecido.


O documento questiona igualmente a inscrição, no Plano de Atividades para 2026, de um veículo de transporte de doentes não urgentes financiado pela Câmara Municipal, considerando tratar-se de um erro, uma vez que este tipo de serviço está reservado às associações humanitárias de bombeiros e a empresas privadas do setor. São ainda levantadas dúvidas sobre a inexistência de estudos custo-benefício relativamente à renovação da frota de TDNU, através de soluções de aluguer mensal, prática comum noutras associações.


Perante este conjunto de críticas, os subscritores defendem que é tempo de dotar a Direção da Associação de pessoas com “dinamismo, visão de futuro e compromisso com o Corpo de Bombeiros”, apelando aos associados e à comunidade severense para que se mobilizem na construção de uma alternativa diretiva que responda às necessidades identificadas e reforce a sustentabilidade, a segurança e a eficácia do socorro prestado à população.


sapo.pt

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