A Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Silves divulgou um comunicado para “esclarecer a população com verdade e transparência” sobre a crise que se vive há um mês nesta corporação.
No seu comunicado, a Direção confirma que está a decorrer um processo de nomeação de um novo comandante, o comandante Armando Batista, que é atualmente o responsável pelos bombeiros de Sacavém.
A crise que afeta a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Silves saltou para a praça pública no passado dia 15 de dezembro, quando 45 bombeiros “60% do quadro ativo”, exigiram, em Assembleia Geral, a demissão da Direção.
Mas, “dado que aquele pedido de demissão foi recebido com menosprezo e desvalorização por parte da Direção em exercício” entenderam os bombeiros proceder a um “protesto simbólico sob a forma de deposição coletiva dos capacetes no solo, na frente do Quartel”, explicaram os mesmos, em comunicado dirigido à população.
No comunicado, os subscritores falam de “desrespeito e falta de consideração institucional”, “ausência de articulação” entre a Direção e o Comando, bem como da “tentativa de nomeação de comandante em desconformidade legal”. Nesse contexto, os bombeiros que aderiram ao protesto, pediam que fosse convocada uma assembleia geral, com “caráter de urgência” que apreciasse e formalizasse a demissão da Direção, que tem como presidente José Ilídio Santos, pessoa experiente na área, fundador dos Bombeiros Voluntários de Lagoa.
Como o Terra Ruiva apurou junto de várias fontes, as queixas de falta de material, por parte do Comando, e a saída de vários elementos, agravaram o descontentamento dos bombeiros em relação à atual Direção, que tomou posse no início do mês de julho de 2025. Outro factor de instabilidade tem sido a situação de André Gonçalves, comandante em suplência, (em exercício temporário das funções), que, no entender de muitos, se arrastou demasiado tempo.
No entanto, outras fontes garantem ao Terra Ruiva que a situação financeira dos Bombeiros de Silves é estável e que todas as necessidades identificadas pelo Comando, receberam autorização para a sua aquisição, pelo que não faz sentido algumas das queixas referidas.
No “diz que disse” contraditório, para a população e entidades locais, a maior preocupação resultante desta situação é que estas divergências não ponham em causa a segurança da população. A esta preocupação, os bombeiros garantiam, logo no seu comunicado, que o seu protesto em nada iria comprometer o socorro à população.
Comunicado da Direção
Hoje, dia 16 de janeiro, um mês depois do início dos protestos, a Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Silves entendeu vir “prestar esclarecimentos à população sobre a situação interna recentemente tornada pública, reafirmando que a sua principal prioridade é, e continuará a ser, o socorro às pessoas e a defesa da Instituição.”
No seu comunicado, a Direção afirma que “desde o início” procurou resolver “todas as divergências com diálogo, responsabilidade e discrição.”
No entanto, acrescenta, “perante a divulgação pública de informações incompletas e versões adulteradas dos factos, entende ser necessário esclarecer a população com verdade e transparência.”
No que respeita ao pedido de demissão, expresso por alguns elementos dos bombeiros, a Direção considera que “essa posição não tem efeitos legais”, pelo que se mantém em funções “de forma absolutamente legítima”.
Relativamente às acusações que têm circulado, a Direção “rejeita qualquer atuação ilegal, desrespeitosa ou de falta de acompanhamento.”
No comunicado, aborda-se também a nomeação de um novo comandante, sem dúvida uma das questões que está no centro desta divergência entre Direção e Bombeiros.
Afirma a Direção que “a nomeação de um novo comandante está a ser conduzida dentro da lei e com o conhecimento das entidades competentes. Foi proposta a nomeação como comandante do Exmo. Sr. Comandante Armando Baptista, profissional experiente e reconhecido, cuja escolha visa reforçar a liderança, a disciplina e a estabilidade do Corpo de Bombeiros.”
Para a Direção, “a instabilidade verificada resulta sobretudo de fragilidades na coordenação e no exercício do comando operacional, situação que a Direção pretende ultrapassar, criando condições de normalidade, disciplina e melhor organização interna”.
A Direção manifesta “preocupação com ações de protesto que afetam a imagem da Instituição e com a saída recente de alguns bombeiros, lamentando profundamente estas situações. Reitera, no entanto, que não promove interesses pessoais, nem conflitos, trabalhando exclusivamente para o bem da Associação e da comunidade.”
No final do seu comunicado, a Direção dirige-se à população de Silves garantindo que “apesar das dificuldades internas” a prontidão operacional e o compromisso com a proteção de pessoas e bens mantêm-se”, e o “socorro está assegurado”.
A Direção “apela à serenidade, à confiança e à denegação de informações falsas ou desvirtuadas” e diz que “sempre que necessário, continuará a prestar esclarecimentos públicos, com responsabilidade e transparência.”
“Os Bombeiros Voluntários de Silves, uma Instituição quase centenária merece respeito e a população de Silves merece segurança, confiança e tranquilidade”, conclui o comunicado.
Fonte: Terra Ruiva

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