Bombeiros das Taipas acusam comandante de “disseminar o medo e o terror” - VIDA DE BOMBEIRO

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sábado, 10 de janeiro de 2026

Bombeiros das Taipas acusam comandante de “disseminar o medo e o terror”

 


Os bombeiros chefe António Manuel Silva, Manuel Ribeiro, João Paulo Gomes e Luís Andrade, da corporação de Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas (BVCT) foram suspensos pelo comandante Hermenegildo Abreu, soube-se no passado dia 3 de janeiro, na véspera da tomada de posse da nova direção, para o triénio 2026-2028, presidida por Miguel Sousa. Não é de agora que há problemas de relacionamento de elementos do corpo ativo dos BVT com o comandante. Já houve queixas anónimas dirigidas à direção da Associação Humanitária dos BVCT e à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). Os chefes suspensos queixam-se de terem sido alvo desta sanção por darem voz às queixas dos seus subordinados. 


Sempre a coberto de anonimato, com medo de sofrerem represálias, um grupo de bombeiros da corporação de Caldas das Taipas afirma que a sanção disciplinar aplicada aos quatro chefes, “além de abusiva e despida de qualquer fundamento legal, é apenas mais uma tentativa do comandante Hermenegildo Abreu de disseminar o medo e o terror no Corpo de Bombeiros”. Segundo relatos recolhidos pelo O MINHO, há queixas de vários bombeiros, por condutas desrespeitosas do comandante, desde 2024. Os chefes terão recebido estas queixas e tentado, junto de Hermenegildo Abreu, mediar a situação, mas sem sucesso.


Os bombeiros terão apresentado várias queixas de assédio moral que terão chegado, de forma anónima, à direção da Associação Humanitária dos BVCT e à ACT. Os denunciantes não terão querido revelar a sua identidade com medo de represálias. Em dezembro de 2024, os quatro chefes pediram à direção da Associação Humanitária dos BVCT que fizesse uma intervenção para ajudar a dirimir o conflito.


Direção tentou ajudar a resolver conflito


Foi marcada uma reunião entre a direção da Associação Humanitária, o comandante e os chefes agora suspensos, em maio do ano passado. Os testemunhos dessa reunião referem que os chefes expuseram os problemas que sentiam e que os elementos do corpo ativo lhes faziam chegar, mas o encontro acabou por ser inconclusivo, em virtude de Hermenegildo Abreu não se ter pronunciado. “Sou eu que convoco o corpo ativo e não convoquei estes bombeiros”, terá dito o comandante nessa reunião.


Processo disciplinar só veio depois do verão


A partir desta altura, segundo os relatos de elementos dos BVCT,  “atos persecutórios do comandante em relação à generalidade dos bombeiros do corpo ativo, e em particular em relação aos chefes suspensos, agravou-se”. Contudo, os chefes continuaram a prestar serviço, durante todo o verão, a época crítica dos fogos. Foi só em outubro que os chefes souberam que estavam a ser alvo de um processo disciplinar, quando foram convocados para serem ouvidos pelo instrutor do processo, o comandante de uma corporação no centro do país.


Impedidos de entrar nas instalações


O resultado desse procedimento disciplinar foi conhecido no início deste mês, com os chefes a serem suspensos durante 30 dias, com efeitos imediatos. Em resultado desta sanção, os quatro bombeiros, todos eles com muitos anos de serviço, não puderam participar na cerimónia de tomada de posse da nova direção da Associação Humanitária dos BVCT, no dia 4 de janeiro. Os quatro castigados fizeram questão de marcar presença, na rua, na hora do evento, e foi ali que receberam cumprimentos de vários camaradas e do presidente da Câmara, Ricardo Araújo. “O corpo de bombeiros é fundamental para assegurar a proteção, o apoio e o auxílio à nossa comunidade, por isso eu sei bem que posso contar com todos os bombeiros, para que esse serviço possa ser sempre prestado”, disse-lhes o autarca, depois de os ouvir.


“Não tem as competências necessárias , a legitimidade, a capacidade de liderança e o respeito”


Os bombeiros descontentes, um grupo que vai para além dos quatro suspensos, prometem continuar a lutar. Para estes bombeiros, “o comandante Hermenegildo Abreu não tem as competências necessárias , a legitimidade, a capacidade de liderança e o respeito, para o exercício das funções de comandante”.


Contactado para se pronunciar sobre este assunto, o comandante dos BVCT não quis prestar declarações.


O Minho

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