Dezenas de Comandantes de todo o País Preparam Uma Lista Alternativa à Liga dos Bombeiros Portugueses - VIDA DE BOMBEIRO

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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Dezenas de Comandantes de todo o País Preparam Uma Lista Alternativa à Liga dos Bombeiros Portugueses

 


‘Há mil por cento de razões para mudar’

Dezenas de comandantes de todo o país preparam uma lista alternativa à Liga dos Bombeiros Portugueses. Jaime Marta Soares, presidente histórico da instituição, lança chamas sobre o atual, António Nunes, em declarações exclusivas ao Nascer do SOL


O modelo organizativo do combate aos incêndios florestais abriu uma cisão irreparável entre os bombeiros portugueses. Dezenas de comandantes de corporações de bombeiros, de todo o país, preparam uma candidatura para substituir o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, no congresso a realizar em Alcobaça, a 15 e 16 de novembro. O antecessor, Jaime Marta Soares, que presidiu 12 anos à instituição, não será candidato, mas dá inteira razão ao movimento de revoltosos. «Reconheço-lhes 100 por cento de razão. Na realidade, há mil por cento de razões para mudar os órgãos sociais», afirma este dirigente histórico. 


A atual época de incêndios foi o detonador da revolta. As críticas de António Nunes ao mau funcionamento do dispositivo de combate incendiaram os ânimos de muitos comandantes no terreno. «A morte de um cidadão é uma linha vermelha, que foi ultrapassada», declarou ele à CNN Portugal, em 16 de agosto. O presidente da LBP defendeu a criação de um comando nacional de bombeiros, com autonomia operacional em relação à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). «Os bombeiros estão sob a tutela da ANEPC, não são autónomos, e isto tem condicionado o combate», criticou António Nunes. «A falta de coordenação estratégica e de pré-posicionamento de bombeiros no terreno é bastante grave», acrescentou, num momento crítico, em que havia incêndios por controlar em Arganil, Sátão, Trancoso, Lousã, Freixo de Espada à Cinta e Guarda.


O movimento alternativo critica, desde logo, a oportunidade das declarações. «As pessoas deviam ponderar bem antes de falar», comenta Jaime Marta Soares. «O combate aos incêndios não pode ser pé na tábua e fé em Deus», acrescenta, para passar à divergência de fundo: a estrutura organizacional e de comando de combate aos fogos rurais. «Tem de haver um órgão coordenador, uma autoridade nacional, como em todo o mundo civilizado», defende o ex-deputado e antigo presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares.


Na próxima semana, estão previstas reuniões em vários distritos, «com vista a definir uma estratégia e a nomear um líder que una os bombeiros portugueses», informa um comandante recentemente envolvido no combate aos fogos. Amanhã, sábado, em Loures, haverá uma reunião na qual está prevista a participação de dezenas de comandantes. Os distritos de Lisboa e de Braga, respetivamente com 58 e 22 corporações, são identificados como ‘pontos fortes’ da geografia do movimento.


A mesma fonte refere que o poder de comando ao combate dos fogos rurais pertence aos bombeiros, até ao limite de 380 operacionais envolvidos. Só a partir daí, passa a ser da ANEPC, ou de um comandante de bombeiros por ela nomeado. Os revoltosos defendem o restabelecimento de boas relações institucionais com esta entidade, cujo atual e anterior presidentes são, eles próprios, ex-comandantes de corporações de bombeiros.


«Bem-vindos ao congresso», reage António Nunes, confrontado pelo Nascer do SOL. A simpatia é apenas a cama onde quer deitar a censura contundente. «É um mau serviço que prestam aos bombeiros portugueses. Podem fazer igual, melhor não fazem de certeza», considera o atual presidente da LBP, eleito em 2021. «À data de hoje», está «disponível para uma recandidatura». Contraria é a existência de motivos para um debate de fundo no congresso. «Não há alternativa programática, isso não faz sentido», defende. O atual presidente da LBP clarifica que não pretende a extinção da ANEPC, mas sim maior autonomia para os bombeiros. «Queremos tarefas-missão, como os outros. Porque é que a ANEPC há de mandar nos bombeiros e coordenar a GNR?», pergunta. «Se não diz à GNR como cortar o trânsito, porque há de dizer aos bombeiros como extinguir o fogo?», concretiza.


Nascer do Sol

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