Fogo na Serra da Estrela: 90% do perímetro dominado. Frente de Orjais é a que mais preocupa - VIDA DE BOMBEIRO

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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Fogo na Serra da Estrela: 90% do perímetro dominado. Frente de Orjais é a que mais preocupa

 


O  Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil, André Fernandes, adiantou esta quarta-feira que 90% do perímetro do incêndio da Serra da Estrela se encontra dominado, com 10% ainda por dominar.


“Neste momento 90% do perímetro do incêndio encontra-se dominado, sendo que existem 10% por dominar. O incêndio tem uma frente ativa no distrito de Castelo Branco, na Covilhã, entre a Quinta da Atalaia, Teixoso e Orjais, sendo a frente que nos preocupa mais”, disse André Fernandes, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras (Lisboa).


De acordo com o comandante, é nesta frente que existe “a maior concentração de meios”.


Desde o início do incêndio na Covilhã, as chamas estenderam-se ao distrito da Guarda, nos municípios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, e atingiram ainda o concelho de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.


Num ponto de situação realizado pelas 12:00, André Fernandes adiantou também que a frente no concelho da Guarda “apresenta vários pontos quentes, com oportunidades de abertura de incêndio caso haja reativações”.


Por isso, alertou, existe uma “grande atenção e monitorização dos meios” para evitar reativações e “janelas de oportunidade para o fogo progredir”.


Para o dia de hoje a Proteção Civil enumera três prioridades: primeiro, a "contenção da frente junto à Quinta da Atalaia, sendo que esta frente tem 4,5 km extensão, o que vai exigir grandes esforços dos operacionais da parte da tarde"; depois a "ancoragem efetiva na frente no distrito da guarda, que vamos ter de consolidar para efetivar que não haja probabilidade de reativações" e, por fim, "garantir os trabalhos de consolidação, vigilância ativa e rescaldo em todo o perímetro do incêndio".


O perímetro deste incêndio é já de 160 quilómetros, notou o comandante André Fernandes, pelo que tal vai exigir "uma grande atenção na disposição dos meios".


Neste fogo estão mobilizados 1249 operacionais, 393 meios terrestres e 14 meios aéreos. No total, foram registadas 70 ocorrências, com 21 feridos ligeiros, 3 feridos graves, que já tiveram alta hospitalar, e 41 assistências no local.


O dispositivo, referiu ainda André Fernandes, já foi reforçado com 18 grupos de combate dos corpos de bombeiros, três equipas da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR, além de 14 máquinas de rasto do Instituto de Conservação da Natureza, bombeiros e autarquias envolvidas.


Das 45 pessoas que tiveram de ser deslocadas por uma questão de segurança, “a maioria já voltou às suas habitações”, de acordo com o responsável, que adiantou também que em relação aos danos, para já, continuam só contabilizadas a perda de duas casas, uma de primeira e outra de segunda habitação.


Questionado sobre a área ardida com a reativação do incêndio na segunda-feira, André Fernandes disse que esta nova fase tem uma área ardida estimada que se cifra nos “10 mil hectares”, lembrando que houve uma progressão entre quatro e cinco horas no dia 15, sublinhando a “grande violência” do incêndio.


O fogo da Serra da Estrela teve início no dia 6 em Garrocho, no concelho da Covilhã, foi dado como dominado no sábado, mas sofreu uma reativação na segunda-feira.


Nos últimos três dias foi registado no país um total de 168 ignições, sendo que ontem foram 31 as ocorrências. Neste momento há cinco ocorrências significativas para a Proteção Civil: duas em Santarém, 2  em Castelo Branco e uma na Guarda. Estão mobilizados 40 operacionais e 12 meios terrestres nestes locais para consolidação e vigilância ativa.


André Fernandes sublinhou ainda que a Proteção Civil encontra-se em “articulação permanente” com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, tendo em conta as previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para o aumento das temperaturas.


A este propósito, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, não excluiu a hipótese de regresso à situação de alerta ou de contingência.


Sapo 24

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