Pedrógão Grande: Operadores do CDOS confirmam pedido de meios e dificuldade de comunicações - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Pedrógão Grande: Operadores do CDOS confirmam pedido de meios e dificuldade de comunicações

 


Os chefes de sala do Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria, à data do incêndio de Pedrógão Grande, em 2017, confirmaram hoje ao Tribunal de Leiria que houve vários pedidos de meios e dificuldade nas comunicações.


Explicando que os chefes de sala não trabalham habitualmente ao fim de semana, Pedro Borges disse ter chegado ao CDOS pelas 17:00 e que, a pedido do então 2.º comandante, Mário Cerol, comunicou com o comando nacional para fazer o ponto de situação dos meios já solicitados, pois “nunca mais chegavam”.


Pedro Borges afirmou que o registo de 177 operacionais, 48 veículos e dois meios aéreos “estavam escritos porque foram solicitados”, embora não tenha sido escrito que foram desviados.


“Quem faz esse registo é o comando nacional e deveria tê-lo escrito, pois quem está no teatro de operações pensa que os meios estão a caminho”, explicou, em resposta a Filomena Girão, advogada do arguido Augusto Arnaut, comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande.


O chefe de sala na altura admitiu ainda que nem tudo poderá ter ficado registado na fita do tempo, “tendo em conta a maior pressão a que a sala estava sujeita”.


“Não tenho dúvidas de que foram pedidos” reforço de meios e de meios aéreos, sublinhou Pedro Borges, que também afirmou que o despacho de aviões pesados são da responsabilidade do comando nacional.


O operador acrescentou que “houve pedidos que foram feitos pelos comandantes Sérgio Gomes e Mário Cerol diretamente ao comando nacional” e sublinhou que não havia “perceção dos meios desviados”.


“Recordo-me de duas situações: dois grupos que foram mobilizados, por volta das 17:00/18:00 e nunca mais chegavam. O Mário Cerol pediu-me para ligar para o comando nacional para saber onde estavam e disseram que tinham sido desviados para Portalegre. Outra situação foi que não havia rede Siresp e do comando nacional informaram que estava a sair uma carrinha satélite às 21:00, mas só viria a chegar às 06:00 da manhã”, revelou.


Também Carla Marques, chefe de sala que substituía Pedro Borges, foi chamada para a sala de operações no dia do incêndio e afirmou terem sido pedidos meios para Pedrógão Grande. “Eu própria perguntava pelos meios e tanto o comandante distrital como o segundo me diziam que não havia”, referindo-se à resposta dada aos seus superiores pelo comando nacional de Proteção Civil.


“Antes das 17:00 não havia meios para reforçar”, frisou, admitindo que “entre uma chamada e outra pode ter falhado algum registo”.


Respondendo a Filomena Girão, a operadora do CDOS disse que “se é feito o acionamento e não está referido que os meios foram desviados, pode dar um número elevado” e não ser real.


Carla Marques também apontou a falta de comunicações, que começaram a sentir ao final do dia. “Tentámos estabelecer contacto com as corporações, por rede fixa, e posteriormente, por via Siresp, e não era bem sucedido. Por isso, dissemos aos operadores que estavam na VCOC [Veículo de Comando e Comunicações] que iríamos colocar na fita do tempo todas as informações, porque a internet ainda funcionava”, revelou.


A operadora conseguiu, por vezes, contacto com o posto de comando através dos telemóveis pessoais.


Em causa neste julgamento estão crimes de homicídio por negligência e ofensa à integridade física por negligência, alguns dos quais graves. No processo, o Ministério Público contabilizou 63 mortos e 44 feridos quiseram procedimento criminal.


Os arguidos são o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, então responsável pelas operações de socorro, dois funcionários da antiga EDP Distribuição (atual E-REDES) e três da Ascendi (que tem a subconcessão rodoviária Pinhal Interior), e os ex-presidentes da Câmara de Castanheira de Pera e de Pedrógão Grande, Fernando Lopes e Valdemar Alves, respetivamente.


O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, também foi acusado, assim como o antigo vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande José Graça e a então responsável pelo Gabinete Florestal deste município, Margarida Gonçalves.


Agroportal

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