Mudou o Nosso Lugar no Mundo - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 2 de novembro de 2021

Mudou o Nosso Lugar no Mundo

 


Cada dia que passa, nesta nova fase de desconfinamento pandémico, vamo-nos apercebendo que muitas coisas mudaram, algumas irreversivelmente, algumas sem que tenhamos sido achados nisso, outras nem tanto, mas como computo final concluiremos que as alterações foram e continuam a ser de tal ordem que é lícito e real concluir que até mudou o nosso lugar no mundo.


As ameaças comuns, seja a pandemia, seja os incêndios florestais, seja os desastres naturais, vão cada vez mais exigir respostas comuns. O que até agora era espaçado passará a ser mais frequente, exigindo novos modelos de organização, de cada instituição e do seu conjunto.


É certo que muita coisa, com ou sem pandemia, estaria inevitavelmente em fase de mudança e que bastaria apenas acelerá-la ou retardá-la. No mundo dos bombeiros, reflexo de mudanças internas e da própria sociedade, vão ocorrendo sinais de que ou mudamos e nos adaptamos, ou até lideramos os novos ventos ou, quer o voluntariado, quer o modelo de organização atual estarão postos em causa e tornados obsoletos perante a realidade.


Não se trata, ao contrário do que alguns pensam e criticam, de uma mensagem alarmista ou catastrofista.


Trata-se de, com pragmatismos e realismo, adequar os princípios e os valores de sempre a novos tempos, a novas circunstâncias, a uma nova organização social que, queiramos ou não, vai emergindo.


Para que possamos encarar esses novos tempos importa que, em primeiro lugar, estejamos cientes e convictos da doutrina da nossa organização. Se o não fizermos, não só não conseguiremos dar um rumo adequado e útil à mudança, como também mais vulneráveis estaremos a influências ou modas exteriores.


A escassez galopante de recursos é um problema grave do presente, mas também já o foi no passado. Em abono da verdade, é um problema de sempre. As pegadas da nossa história passada, identificadas na generalidade das monografias das nossas associações identificam momentos áureos, mas também as recorrentes dificuldades estruturais e do dia-a-dia.


Esta questão, pelos vistos ancestral, tem sido abordada de diversas formas e tem sido cavalo de batalha da LBP, ciente da gravidade e da importância dela. Esta questão, perante um futuro mais exigente e complexo, assume cada vez mais gravidade dado que a estabilidade funcional e financeira dos bombeiros influencia, como nunca, a capacidade operacional dos mesmos, socorrendo cada vez melhor, mas também mais caro. A formação necessária para tal, o recurso cada vez maior a ferramentas e equipamentos caros e complexos determina o aumento de custos de funcionamento, logo, o custo de cada intervenção de socorro. Iludir esta questão torna-se cada vez mais perigoso e, não obstante todos estarem cientes disso, tem cabido sempre aos bombeiros superar todas as fragilidades. E, mesmo que outras entidades tentem contribuir para ultrapassar ou reduzir essas fragilidades, tudo está feito para que se limite apenas a uma panaceia.


Na abordagem deste problema ancestral da falta de recursos, das duas uma, ou ganhamos novo rumo com imaginação persuasão e arte ou hipotecamos ou matamos mesmo o próprio voluntariado. Para evitar isso, incontornavelmente, a abordagem da questão principal, recursos, e das que lhe estão associadas, exige que se faça de forma mais ampla e incisiva. O défice de doutrina atual fragiliza-nos. Precisamos de reforçar o rigor, o método, a clareza, a precisão da nossa postura e expurgar muitos mitos e fantasias que nos rodeiam e que, tantas vezes, nos impedem ou dificultam o raciocínio.


Fazer a história das nossas associações não se pode bastar a uma mera cronologia acrítica ou superficial. Temos que investigar e conhecer mais dela. O futuro exige-nos isso. Não se trata apenas de uma narrativa onde todos queremos e devemos entrar. Mais do que isso, é o registo de uma memória e de uma matriz construída ao longo do tempo onde cada um de nós, do passado, do presente e do futuro vai desempenhando a sua missão e função. Importa saber como fomos, o que somos e o que queremos ser. A doutrina, os princípios, os valores alimentam-nos, fortalecem-nos, dão-nos razão e sustentação na busca incessante e permanente da mudança para bem dos nossos concidadãos.


LBP

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